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Mar 17

Obrigações, certificados ou depósitos: onde investir?

Para um investidor conservador é uma boa proposta, o produto de poupança lançado esta segunda-feira pelo Estado, na medida em que poderá conseguir um rendimento mais elevado do que se tiver um depósito a prazo

O Estado português avançou esta segunda-feira com uma nova emissão de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), dirigida às famílias portuguesas.

Numa altura em que as taxas de juro, dos depósitos a prazo, podem ser menos interessantes, fomos saber junto de um especialista do mercado, Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa, o que pensa sobre esta operação e quais as vantagens, ou não, para quem tem algum dinheiro para aplicar.

1- Quando invisto em OT o que estou a fazer? A emprestar dinheiro ao Estado? 

Uma OT é um título de dívida emitido pela República Portuguesa, em que quem compra empresta dinheiro ao Estado por um prazo pré-definido, recebendo em troca uma remuneração: uma taxa de juro durante o período de vida da OT e o montante total investido no final do período. É um instrumento de dívida pública, uma forma de financiamento o Estado através do mercado (isto é, todas as pessoas ou entidades que optam por comprar esta dívida/fazer este empréstimo).

Neste caso, estamos a falar de OTRV, ou seja, são obrigações em tudo semelhantes às OT mas que se destinam a investidores particulares e têm uma taxa variável, por oposição às OT que podem ter uma “taxa cupão” fixa. (As OT tanto podem ter taxa fixa como variável. As OTRV têm sempre taxa variável).

2 - A operação em concreto, que arrancou hoje, compensa?

Como há poucas alternativas de investimento, para um grau semelhante de risco, este produto acaba por ser atrativo.

 

3- Porquê?

Estas OTRV têm como remuneração uma taxa  de 1,9% mais a taxa Euribor a 6 meses, que neste momento está negativa em -0,24%. Se a taxa Euribor subir, também subirá a taxa de juro destas obrigações. E o mais provável é que ao longo dos próximos 5 anos, tal venha a acontecer.

4 - Qual o valor mínimo da subscrição e se o investir [valor mínimo] quanto posso ganhar, no máximo?

Se investir 1.000 euros, nas condições atuais receberia apenas 1,9% ao ano (dado que a taxa Euribor está negativa) mais a totalidade do capital investido ao fim dos 5 anos (supondo que o investimento seria para manter até à maturidade.)

Mas pode ganhar mais se (i) a taxa Euribor subir (passaria a receber 1,9%, acrescidos da Euribor) ou se, - e estas condições até podem ser cumulativas – o preço da obrigação ultrapassar os 100 e vender nesse momento, sem esperar pelo fim dos 5 anos. Claro que, se vender antes, deixará de receber os juros a que teria direito se mantivesse o título em carteira.

5 - Se a maturidade [tempo] fosse maior podia ganhar mais?

O investidor só ganhará mais se (i) o preço da obrigação subir e ele vender nesse momento, ou se (ii) os juros subirem (e como é uma taxa variável, o que subir a Euribor será refletido no rendimento deste título).

6 - Ganhos mais com estas OT de taxa variável, em certificados de aforro ou em depósitos a prazo?

Como a taxa é variável e não sabemos qual vai ser a evolução da Euribor, não é possível calcular.  Que podemos dizer é que se a Euribor não mudar, estas OTRV garantem 1,9% de rendimento (1,36%, líquidos de impostos). Os “Certificados de Tesouro Poupança Mais” pagam 1,25% no primeiro ano e têm uma taxa crescente para quem os mantiver durante 5 anos, atingindo nesse caso uma remuneração média de 2,25%. Os depósitos a prazo pagam menos, embora deva ser visto caso a caso, consoante o cliente e o banco.

7 - Qual a taxa oferecida?

1,9% mais Euribor a 6 meses (que neste momento está negativa).

8 - O juro é atrativo?

Sim, por comparação com outras alternativas. Tem a vantagem de poder subir, quando e se subirem as taxas Euribor.

9 - As OT têm maior risco do que os anteriores produtos, certo?

Quando se “empresta” dinheiro a alguém há sempre o risco da pessoa/entidade não pagar.  Nas OT acontece a mesma coisa: há risco de capital (total ou apenas uma parte) se o Estado entrar em incumprimento (default). Em caso de default, os certificados de tesouro não serão abrangidos. Neste caso, tratando-se de obrigações destinadas ao retalho (investidores particulares) é possível que possam ser excluídas de um eventual default, tal como acontece com os Certificados de Tesouro.

10 - Há alguma desvantagem nas OT? As comissões que pago são elevadas?

Para um investidor conservador é uma boa proposta, na medida em que poderá conseguir um rendimento mais elevado do que se tiver um depósito a prazo. E pode mobilizar o dinheiro antes, se precisar dele, perdendo apenas os juros futuros (isto é, recebe os juros diários até ao dia da venda).

11 - E o que ganha o Estado com estas operações?

O Estado financia-se com as poupanças dos investidores e neste momento, a uma taxa mais baixa do que e fosse uma emissão de OT normal (dirigida a institucionais). As OT “normais” estão a pagar, para a mesma maturidade 2,22%. Enquanto a Euribor não subir o Estado vai pagar por estas OTRV 1,9%.

12 - O que acontece se a procura superar a oferta?

Haverá rateio.

 

fonte:http://www.tvi24.iol.pt/e

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16
Jul 12

Obrigações ou depósitos: sabe o que escolher?

Andam à procura das poupanças das famílias. Não são só os bancos. Também as empresas realizam emissões de dívida e tentam atrair os pequenos investidores com taxas de juro muito apetecíveis.

São sinais dos tempos: o financiamento bancário vive momentos difíceis, que as empresas sentem na pele, procurando assim outra fonte de liquidez.

EDP, PT, Zon, Semapa, Brisa e Continente competem pelas poupanças com taxas de juro brutas mais elevadas do que as dos depósitos a prazo. Mas nem tudo são rosas: há que ter em conta outros custos associados a esta compra de dívida.

A procura pelas obrigações tem estado a superar as expetativas: o Continente, por exemplo, aumentou o montante máximo a vender aos investidores privados, seguindo a opção de outras empresas nacionais; a Semapa também duplicou a sua oferta, tal como a Zon Multimédia. A Brisa aumentou igualmente o limite máximo e a EDP decidiu fazer duas emissões, tendo já anunciado que irá vender mais dívida ao público.

A empresa de Paulo Azevedo passou dos 100 milhões para os 200 milhões de euros e promete uma taxa de juro fixa anual de 7%; no segmento de títulos de dívida dirigidos a pequenos investidores, é a que oferece a maior taxa de juro.

E apesar de a taxa ser insustentável para o financiamento a um país - 7%, foi a meta que o antigo ministro Teixeira dos Santos inscreveu como sendo o limite máximo que o Estado conseguiria aguentar -, para valores como os emitidos pelo Continente a taxa é apetitosa para os investidores e suportável para a empresa.

Mas antes de comprar mais do Continente do que as compras do mês, é preciso analisar os custos deste tipo de investimento. A verdade é que o impacto dos custos gastos em comissões, cobrados pelos intermediários financeiros, pode pesar, sobretudo se decidir investir pequenas quantias.

A análise da Deco sobre esta matéria está disponível no site da associação de defesa do consumidor; há também um precário no site da CMVM.

A compra de obrigações tem associada o pagamento de comissões a um intermediário financeiro, e começa no ato de subscrição. Há ainda uma comissão sobre o pagamento de juros e no reembolso outra comissão bancária. 

A par destes pagamentos, o mais importante a ter em conta e o que lhe sairá mais caro são as comissões cobradas pelos bancos para terem os títulos em carteira. São os custos de custódia e são os mais dispendiosos, caso não tenha já ações ou obrigações. Se é primeira vez que opta por este tipo investimento, então não se espante se pagar algumas centenas de euros na abertura do processo.

Para Luís Gonçalves, do Banco Carregosa, é preciso também pensar que os depósitos a prazo estão garantidos pelo fundo de garantia, mas a rentabilidade de um depósito - mesmo olhando para as melhoras taxas do mercado - está muito longe do juro bruto de 7% oferecido pelo Continente. 

Claro que o risco não é o mesmo, mas «é fácil de acreditar que a Sonae não irá à falência e cumprirá os seus compromissos», sublinha o corretor. É por isso mais «estável» do que investir em ações, tal como os depósitos são, também eles, mais estáveis, já que estão cobertos pelo fundo de garantia.

Como em tudo, mais risco implica maior retorno, menos risco menor reembolso. Tudo depende do perfil de investidor, da perceção do risco e se consegue garantir que não vai mesmo precisar daquele dinheiro: se vender antes do fim da maturidade não é garantido que as venda acima do valor de compra.

À Agência Financeira, um especialista, que não se quis identificar, é taxativo: se não tem ações nem obrigações, o melhor é esquecer este tipo de investimento. Será obrigado a desembolsar até centenas de euros em custos de custódia. Mas se já possui este tipo de instrumento financeiro, então a alternativa pode ser vantajosa, sobretudo se diluir as outras comissões em investimentos mais avultados.

fonte:_http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 21:09 | comentar | favorito