PPR: é possível poupar pouco e pô-lo a render muito?

Ter pouco dinheiro para pôr de parte não é desculpa. Uma poupança moderada pode ter muito rendimento, se escolher os produtos e os gestores certos

Se a crise aperta e não consegue pôr de parte tanto dinheiro como gostaria para o futuro, não desanime. Quase tão importante como a quantia que poupa é a forma como a aplica e multiplica. E a maioria dos portugueses anda a apostar de forma errada.

Esta é, pelo menos, a opinião da Optimize, gestora de activos que começou a operar há dois anos no mercado nacional. Para o CEO da empresa, os portugueses estão demasiado atidos aos produtos de baixo risco, que rendem pouco.

«Os produtos de rendimento garantido ainda representam uma percentagem muito elevada das escolhas dos portugueses, o que implica que a rentabilidade dessa poupança é muito fraca. Para obter um rendimento superior é necessário abrir mão dessa taxa anual garantida», defende Diogo Teixeira em declarações à Agência Financeira.

A argumentação é óbvia: «Se a taxa de rendimento é muito baixa, é preciso poupar mais para acumular o mesmo dinheiro». A Optimize fez as contas: «Há produtos que, estando na mesma categoria, têm taxas de rendimento muito díspares. Fizemos uma simulação para produtos que rendem 1,5%, 3,5% e 5%. Quem aplicar o seu dinheiro num produto com uma taxa de 1,5%, precisa de poupar duas vezes mais para obter o mesmo montante que a pessoa que o aplicar num produto com uma taxa de 5%».

Reformas vão encolher até 30%

Um estudo da Optimize divulgado esta terça-feira conclui que as pensões vão encolher drasticamente para as gerações mais novas. Alguém com 55 anos, que se reforme daqui a 10 anos, terá uma pensão equivalente a 69% do seu salário. Mas quem tem 45 anos, e se reforma daqui a 20, já só receberá 63%, e quem tem 35 e só se reformar daqui a 30 anos, não receberá mais do que 56%. Ainda pior estão os jovens de 25 anos que, quando atingirem a idade da reforma, apenas terão direito a 53% do seu último salário. 

Tomando como exemplo um português de classe média com um salário de 2 mil euros e que queira receber 80% desse salário na altura da reforma terá de compensar a queda da pensão com uma poupança pessoal e quanto mais cedo começar a fazê-la melhor. Alguém com 25 anos precisa por de parte 7,8% do seu rendimento para atingir o objectivo mas, quem só começar a poupar aos 40 anos, precisará de poupar 11% do salário para ter o mesmo nível de vida na reforma.

Quem gere pode fazer toda a diferença

Para os mais conservadores pode ser uma opção difícil aplicar a sua poupança num produto com algum risco. Mas, explica Diogo Teixeira, «se a poupança for de longo prazo, o risco dilui-se. Pode haver perdas num ano ou outro mas, no longo prazo, compensa».

Para este especialista, uma das soluções para obter melhores rendimentos é desviar a poupança dos depósitos a prazo, que «rendem pouco e são mais indicados para poupanças de curto prazo» para produtos de investimento mais rentáveis, como os fundo e os PPR. Num exercício comparativo, a gestora conclui que quem poupar 2 mil euros anuais durante 40 anos e os aplicar num PPR obtém 17% mais de rendimento que num depósito.

Mas, além de escolher bem o tipo de produtos onde aplica a sua poupança, é também fundamental saber escolher o gestor. «O mesmo tipo de produto pode ter rendimentos muito diferentes, dependendo de quem gere. No longo prazo, faz muita diferença», defende, aconselhando os portugueses a comprarem rendimentos e a escolherem de forma «mais inteligente», lembrando que «agora já é possível transferir um PPR de uma entidade para outra».

A Optimize tem produtos para três perfis de risco diferentes. Para os mais conservadores, há fundos em que apenas 5% do investimento é feito em acções, para os intermédios, a percentagem pode ir até 35% e para os mais ousados, até 55%. «Foi essa a nossa opção e também foi a opção do Governo, por exemplo, quando lançou os certificados de reforma, que também não têm garantia de capital», explica.

fonte:agenciafinanceira

publicado por adm às 22:22 | comentar | favorito