Saiba onde aplicar as suas poupanças

O Económico mostra-lhe as melhores soluções para investir de acordo com três níveis de risco: conservador, equilibrado e agressivo.

Uma aplicação financeira é como um fato: não assenta bem a todas as pessoas. Cada pessoa precisa de um fato adequado ao seu tamanho. O mesmo princípio se aplica ao mundo dos investimentos. Cada investidor, de acordo com o seu perfil de risco, precisa de um portfólio de investimentos que seja adequado ao seu caso. Por isso mesmo, antes de decidir onde aplicar o seu dinheiro deverá seguir a máxima do filósofo grego Sócrates : "Conheça-se a si mesmo".

Os números do último estudo elaborado pela CMVM sobre o perfil do investidor particular mostram que a generalidade dos portugueses é muito conservadora na hora de escolher as aplicações financeiras. Segundo a CMVM, 90% das famílias portugueses tem apenas depósitos a prazo e Certificados de Aforro. E são menos de 10% as famílias que têm outro tipo de aplicações como acções, obrigações, fundos de investimento, produtos estruturados ou derivados.

Um conservadorismo que reflecte o baixo nível de literacia financeira dos portugueses. No entanto, este perfil mais conservador foi reforçado ainda mais pela crise financeira. A instabilidade dos mercados de acções e de crédito levou os investidores a privilegiarem nos últimos dois anos os activos com capital garantido, como os depósitos a prazo ou os PPR sob a forma de seguro. Os dados do Banco de Portugal mostram que, entre Outubro de 2008 até agora, os portugueses aplicaram 197 mil milhões de euros em novos depósitos.

No entanto, há vida para além dos depósitos. Para os investidores mais conservadores, que não conseguem dormir descansados se não tiverem a garantia de capital investido, há outras alternativas. Os Certificados do Tesouro são uma opção, para quem puder manter o dinheiro aplicado para prazos superiores a cinco anos. Além de terem garantia de capital, oferecem um juro bruto anual de 5,65%, a quem mantiver o dinheiro aplicado por um período de 10 anos. Além dos Certificados do Tesouro, os investidores têm ainda há disposição os Certificados de Aforro. Embora a sua remuneração não seja tão atractiva, a verdade é que os juros destas aplicações estão a subir em virtude da tendência ascendente das taxas Euribor. Quem subscrever no próximo mês estes tradicionais produtos de poupança beneficiará de um juro bruto de 1,109%. No entanto, e apesar da rendibilidade deste produto estar a subir, a verdade é que fica aquém da inflação média prevista para este ano pelo Banco de Portugal: 1,4%. Ou seja, quem investir agora nos certificados de aforro estará, em termos reais, a perder dinheiro.

Na verdade, a inflação é um indicador crucial a ter em conta, independentemente do perfil que o investidor tenha. Os investidores devem ter sempre a preocupação de escolher aplicações que remunerem acima da inflação. Obviamente, essa tarefa é mais fácil quando se escolhe aplicações financeiras com um nível de risco associado mais elevado, como é o caso das acções ou das obrigações de alto risco. E, neste campo, os dados da Morningstar mostram que existem alguns fundos de investimento que apostam nestas duas classes que têm conseguido entregar aos investidores ganhos interessantes, mesmo apesar da crise. Por exemplo, no campo das obrigações de alto risco, há fundos que estão a apresentar uma rendibilidade a 12 meses superior a 20%. É o caso do Pictet-Eur High Yield (HI CHF), que avança 34% no último ano.


Investimentos à sua medida

1 - Conservador
Para quem é avesso ao risco, os produtos de capital garantido devem ser a componente com o maior peso na carteira. No entanto, mesmo os investidores mais conservadores podem ter uma pequena percentagem de exposição a activos com algum risco. No campo dos depósitos, a oferta é muito heterogénea. Segundo dados da Deco, os juros praticados pelas instituições para um depósito a prazo, a 12 meses variam entre os 0% e vão até aos 3,14% (líquidos), no caso do depósito Poupança Extra do ActivoBank7. Os aforradores poderão ainda investir nos Certificados do Tesouro e em fundos de capital garantido.

2 - Equilibrado
Para os investidores que não se importem de correr alguma dose de risco, os especialistas recomendam uma maior exposição a activos de risco, como as acções. Essa exposição poderá representar 30% da carteira. Outra solução poderá passar por investir em fundos descorrelacionados com a evolução dos mercados, como é o caso dos fundos de retorno absoluto. E neste campo há um fundo que sobressai: o Allianz All Markets Opportunities A EUR acumula ganhos, segundo a Morningstar, de 17,5% no último ano. Uma outra forma de contrabalançar o risco será através da aposta em fundos mistos.

3 - Agressivo
Para os investidores que não têm medo, a actual crise poderá ser uma oportunidade para gerar ganhos. Entre os activos de maior risco que poderão fazer parte da sua carteira estão as acções. Com os níveis de volatilidade elevados, os títulos podem registar flutuações elevadas numa só sessão bolsista. Entrar num momento de queda para vender rapidamente no próprio dia ou dia seguinte pode dar ganhos substanciais. No entanto, esta estratégia é perigosa, pois pode também gerar perdas rapidamente. Os investidores que se insiram nesta categoria poderão ainda usar instrumentos derivados, como os CFD.

fonte:economico

publicado por adm às 23:51 | comentar | favorito