Bancos pagam juros acima do limite imposto pelo Banco de Portugal

Há instituições financeiras a pagarem taxas de juro acima do limite imposto pelo Banco de Portugal, numa tentativa de captar clientes e também de reduzir o rácio de transformação (crédito sobre depósitos) até 120% em 2014. Algumas instituições chegam a oferecer juros de 6%, acima do limite de 4,46% para depósitos a 12 meses.

Em novembro de 2011, o regulador limitou os juros nos depósitos, penalizando, no rácio de capitais próprios (core tier 1), os bancos que ultrapassem esse limite.  

O Banco de Portugal reconheceu, na altura, que o facto de estarem a ser praticadas taxas cada vez mais elevadas envolvia "riscos acrescidos para as instituições e, em última instância, para o conjunto do sistema financeiro".  

A medida dissuadiu algumas instituições e levou a uma quebra dos juros em termos médios. Em parte porque, até final deste ano, os bancos têm de ter um core tier 1 de 10%. Ainda assim, é possível encontrar instituições que estão dispostas a apostar tudo na captação de depósitos, mesmo que isso lhes custe o próprio capital de base.  

Segundo dados da Deco Proteste, os cinco melhores depósitos a um ano oferecem taxas brutas que chegam a 6%. Um juro acima do limite definido pelo Banco de Portugal, neste caso Euribor a 12 meses acrescida de 300 pontos base, ou seja, uma taxa de 4,46%.  

Apesar de no mês da entrada em vigor da limitação do Banco de Portugal (novembro) ter-se verificado uma quebra dos juros, em dezembro e janeiro a tendência inverteu-se.  

Os dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostram que, em janeiro, em média, a taxa de juro praticada pelas instituições financeiras nos depósitos a prazo foi de 3,87%. Um aumento face aos 3,65% do mês anterior. Quando comparado com o valor de janeiro do ano passado (2,70%) verifica-se que as taxas de juro subiram mais de um ponto percentual.  

O aumento dos juros praticados nos depósitos já mereceu criticas dos presidentes do BPI, Montepio e Crédito Agrícola, que falam em "taxas excessivamente altas" e "insustentáveis".  

Quem parece não se importar com as taxas elevadas são os portugueses que têm aproveitado para transferir as suas poupanças dos certificados de aforro, fundos de investimento e seguros para os depósitos a prazo.  

Em apenas um ano, as famílias colocaram nos depósitos perto de 12 mil milhões de euros. Um valor só verificado após a falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, em plena crise de crédito hipotecário de alto risco (subprime).  

De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, em janeiro o valor colocado nos depósitos ascendeu a 131,2 mil milhões de euros, o montante mais elevado de sempre.  

Os cinco melhores depósitos


1) Depósito a prazo 6% - Finantia 
É o depósito a prazo a um ano oferece com a taxa mais elevada, segundo os dados da Proteste Poupança. Paga um juro bruto de 6%, o qual corresponde a uma taxa líquida de 4,5%. É um depósito para novos clientes e valores, com um montante mínimo de investimento de 50 mil euros. 

2) E-"Pé de Meia" - PrivatBank 
Este depósito apresenta uma taxa bruta de 5,45%, o que corresponde a uma taxa anual nominal líquida (TANL) de 4,09%. Destina-se a subscrições on-line e tem o prazo de um ano.

3) E-Depósito a Prazo - PrivatBank 
O depósito está destinado a subscrições on-line. Paga uma taxa de juro bruto de 5,45%, que corresponde a uma taxa líquida de 4,09%.

4) Depósito a Prazo a 1 ano - PrivatBank 
Oferece uma taxa bruta de 5,25%, ou seja, 3,94%. líquidos. Este depósito com prazo a um ano exige como montante mínimo de subscrição 500 euros.

5) Invest Novos Depósitos -  Banco Invest 
Destina-se a novos  clientes e montantes. Paga um juro bruto de 5,25%, a que corresponde uma taxa líquida de 3,94% e tem como montante mínimo de subscrição 2000 euros.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:03 | comentar | favorito