Depósitos: particulares recebem juros mais altos que empresas

Ultrapassagem deu-se em Outubro, altura em que os depósitos das empresas afundaram e os das famílias começaram a acelerar

Os bancos remuneram melhor os depósitos dos particulares do que das empresas, revelam os dados do portal «Conhecer a crise», lançado ontem pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas esta é uma tendência recente: até Setembro do ano passado, as empresas tinham um melhor tratamento por parte da banca.

Então, o que mudou? É aqui que o novo portal facilita a análise. Basta cruzar a informação relativa às taxas de juro dos depósitos com os dados relativos aos depósitos efetuados por empresas e particulares. A comparação permite concluir rapidamente que a tendência se inverteu em Outubro, altura em que as empresas começaram a aplicar cada vez menos dinheiro em depósitos e os particulares, pelo contrário, reforçaram.

Segundo os dados do Banco de Portugal ali contidos, em janeiro deste ano, a taxa de juro média dos depósitos a prazo até um ano estava nos 3,7% para particulares e nos 2,9% para as empresas. Os juros dos particulares só ultrapassaram os das empresas em Outubro de 2011, depois de, em Setembro, os depósitos das empresas terem afundado quase 13%. Mês após mês, estes depósitos foram recuando (caíram 6% em Outubro, 9,6% em Novembro, 8,7% em Dezembro e mais 1,2% em Janeiro deste ano) e as taxas de juro foram também baixando. Dos 4,5% pagos em Setembro, recuaram para 2,9% no início deste ano.

Famílias depositam mais, ganham mais

Pelo contrário, os bancos premiaram melhor a preferência dos particulares. Os depósitos das famílias não têm parado de acelerar desde o início do ano passado, mas as subidas mais significativas começaram precisamente no final do verão: cresceram 8,8% em Setembro, 9,4% em Outubro, 9,5% em Novembro, 9,4% em Dezembro e mais 9,4% no 1º mês de 2012.

Esta quarta-feira, a Deco revelou que os portugueses perdem milhõs de euros por ano com más escolhas nos depósitos e contas bancárias.

A análise pode ir mais longe, se cruzarmos estes dados com os dados do financiamento. Aí é possível ver o crédito a empresas encolher, especialmente na segunda metade do ano, o que coincide com o recuo dos depósitos. Os dados corroboram assim as queixas das empresas: com maior dificuldade de acesso a financiamento, as empresas vêm-se obrigadas a recorrer ao dinheiro em caixa.

Dados que, por sua vez, podem ser cruzados com a evolução do malparado, ou dos despedimentos coletivos, por exemplo, e estes, por sua vez, com os do desemprego, que se relacionam com o malparado.

Está análise é apenas um exemplo daquilo que é possível fazer com o portal «Conhecer a crise», que permite aos portugueses consultar uma série de dados estatísticos que traçam um retrato da crise que Portugal atravessa, da situação socioeconómica e da forma como as pessoas estão a adaptar-se à crise, mudando os seus hábitos de vida.

Faça a sua própria análise da crise

Mas mais do que isso, esta ferramenta permite aos utilizadores cruzarem os indicadores que mais lhe interessarem e fazerem a sua própria análise da crise. A Agência Financeira dá-lhe umas dicas sobre como utilizar este portal e usar a informação que ele contém em seu proveito.

A informação ali contida está organizada em oito grandes áreas: Apoio Social, Balança de Pagamentos, Conjuntura Económica, Despesas das Famílias, Endividamento das Empresas, Endividamento dos Particulares, Finanças Públicas e Trabalho. Mas pode cruzar indicadores das várias áreas, de forma a perceber como eles estão ligados, através da ferramenta «A crise como eu a vejo». Basta selecionar esta opção para adicionar o indicador à sua página e aí passar a acompanhá-lo.

Por exemplo, pode cruzar os dados relativos ao desemprego com os dados do apoio social ou do malparado com o consumo privado, por exemplo, e perceber até que ponto se influenciam entre si.

Os dados que não encontrar nas áreas principais, pode procurar na pesquisa.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt

publicado por adm às 22:11 | comentar | favorito