Os melhores destinos para o seu dinheiro

Movimentar uma conta corrente pela Internet pode custar mais 30% que no último ano.

Em terra de navegadores, não há tempestade que não dê em bonança. Se movimentar uma conta à ordem pela Internet é hoje bastante mais caro do que no passado, solte as amarras. A nossa investigação junto de 18 bancos indica os melhores destinos para o seu dinheiro.

 

Navegar por menos 180 euros
As contas à ordem podem ser simples (correntes) ou ter associado um crédito automático, caso esteja disposto a domiciliar o salário ou a pensão no banco (contas-ordenado). À semelhança dos últimos anos, a Deco calculou os custos de manutenção de ambas para três canais e três perfis de utilizador. A conclusão surpreende pela negativa: no perfil básico (conta corrente), os custos do serviço de ‘netbanking' aumentaram 18 euros em média, ou seja, quase 30% face a 2009. Se é verdade que o aparecimento da banca on-line foi útil para os consumidores, convém não esquecer que poupam muito tempo, recursos e dinheiro aos principais beneficiados: os bancos.

Apesar deste aumento, a Internet continua a ser o meio de movimentação mais económico e o mais cómodo, se comparado com o telefone e o balcão: pode pedir cheques, fazer transferências e dar ordens de bolsa a partir do computador de casa ou do trabalho por cerca de metade do que pagaria ao balcão, ou até menos. Nas "escolhas acertadas", economiza ainda mais. Veja-se o caso do ActivoBank, um dos bancos mais baratos para o perfil ordens de bolsa: se movimentar a conta pela net, gasta cerca de 178 euros a menos por ano do que na média dos bancos ao balcão. Se receia pela segurança dos seus dados ou o serviço de ‘netbanking' não tem as operações que lhe interessam, opte pelo multibanco. É prático e tão ou mais barato do que os outros canais. Não paga pelas transferências interbancárias nacionais com número de identificação (NIB) e, nalguns casos, os cheques também são gratuitos.

 

Zarpar para uma conta-ordenado
Caso ainda não tenha domiciliado o salário no banco, está na altura de passar à acção. Ao contrário das correntes, as contas-ordenado têm agora menos custos do que em 2009. Pela net, as despesas caíram em média cerca de 5%, e quase 1% pelo telefone. O balcão foi o único canal com tendência inversa (mais 6%). Por isso, evite as deslocações. Além disso, são globalmente mais baratas. Primeiro, nenhuma tem encargos de manutenção. Nas correntes, apenas quatro bancos isentam os clientes deste encargo. Outros não o fazem ou só isentam se tiver um saldo médio elevado, for titular de uma conta jovem, de produtos de crédito ou de poupança. Depois, algumas contas-ordenado isentam os titulares de uma ou mais anuidades do cartão de débito ou crédito (o ActivoBank, Banco Best, Finibanco e Montepio isentam sempre, em ambas as contas). Outras oferecem a caderneta de cheques independentemente do canal de requisição (BBVA) ou reduzem o preço se fizer o pedido num caixa automático.

Por fim, algumas também não cobram as transferências interbancárias (entre bancos diferentes) com NIB, se realizadas pela Net ou por telefone. Tudo somado, as contas-ordenado permitem poupar, em média, 55 a 60 euros por ano face às correntes (entre 44% e 77%), em função do canal que usar com mais frequência: balcão ou net. A maioria daqueles depósitos compensa mesmo que use o crédito automático. É no Barclays que acusa a maior diferença de custos entre uma conta corrente e ordenado: 250 euros por ano.

Se ainda está ancorado à conta corrente, pergunte no balcão do banco como mudar. Regra geral, basta pedir a requalificação, preencher um impresso e apresentar os últimos recibos de vencimento e/ou uma declaração da entidade patronal com o vencimento mensal. Os bancos não cobram pela alteração. Em princípio, só lhe exigirão um ordenado igual ou superior a 500 euros, mas pode encontrar quem fixe valores mais baixos. O BBVA, por exemplo, não impõe um montante mínimo. A remuneração das contas não entrou no cálculo dos custos, já que o objectivo é gerir os gastos correntes e não organizar uma poupança.

 

Pacote nem sempre compensa
Em algumas situações, pode ser mais vantajoso optar por uma conta em forma de pacote do que por uma conta-ordenado. As primeiras permitem aceder a um conjunto de produtos e serviços, como transferências interbancárias e pagamentos com cartão, mediante o pagamento de uma comissão mensal única. Ou seja, o consumidor paga um valor fixo por mês, em vez do custo unitário dos cheques, transferências, movimentos com cartões, etc. Em função do pacote, as contas podem conceder descontos nos seguros ou nas comissões dos créditos, bonificações na taxa de juro, etc.

Ainda que estes produtos sejam publicitados como vantajosos, só compensam se o consumidor utilizar todos os serviços que os compõem. Por exemplo, se vai contratar um crédito à habitação, é provável que tenha interesse na redução das despesas de dossiê para metade. Mas será que também lhe interessa contratar e pagar um seguro de responsabilidade civil familiar? A Deco calculou os custos para os três cenários usados no artigo. No caso das contas Extra Ordenado (Banco Popular) e Ordenado Serviço Total (Santander Totta), que exigem a domiciliação do salário, apenas foram avaliados os preços para o perfil da conta-ordenado.

Resultado: dentro de cada banco, pode haver situações em que compense optar pela conta pacote em vez das contas correntes ou ordenado. É o caso da Conta BES 100%, mais barata do que qualquer depósito do Banco Espírito Santo. Permite poupar cerca de 45 euros por ano no perfil básico por telefone, ou mesmo 80 euros no perfil das ordens de bolsa, também por telefone. Mas comparados com o panorama geral das contas à ordem, os pacotes têm preços mais elevados do que as "escolhas acertadas". No entanto, para quem não pretende usar um banco on-line, a conta BPN Mais pode ser uma alternativa interessante ao ActivoBank, no cenário das ordens de bolsa por telefone: custa 107,70 anuais.

 

Crédito só para SOS
As taxas de juro do crédito-ordenado são menos elevadas do que noutras soluções de crédito (em média, paga 16,9%), mas convém evitar o recurso sistemático ao saldo-descoberto: ao fazê-lo estará quase sempre a pagar juros e, logo que o salário seja depositado, é subtraída a dívida. Se prevê adiar com frequência o pagamento das despesas mensais, prefira o cartão de crédito. Tem um período gratuito de 20 a 50 dias, que lhe permite devolver o dinheiro na totalidade, sem pagar juros.

 

Escolha acertada
A Deco calculou o custo de utilização das contas correntes, ordenado e pacote para três perfis e três canais: Net, telefone e balcão. Quando a instituição não permite realizar uma operação pela net, regra geral, o canal que exige menos custos, foi considerado o preço do serviço no canal alternativo mais barato: telefone ou balcão. Como pode verificar no quadro ao lado, o ActivoBank é escolha acertada para a maioria dos perfis e dos canais. Se tiver dificuldade em contactá-lo, por operar só on-line, o Banco Português de Negócios também é uma alternativa para o perfil básico, nos três canais. Cobra 27,80 euros (telefone e net) e 50,16 euros (balcão). O BBVA é uma opção para o perfil da conta-ordenado sem crédito, pela Net ( sete euros anuais).


Como usar o quadro

Condições: Foram considerados os produtos mais baratos em cada banco (cartões de débito, por exemplo). Quando o canal escolhido é o telefone, seleccionámos o atendimento automático, quando possível.

Cartões : Alguns cartões de crédito estão isentos para transacções acima de 1.200 euros (Best Classic, Millennium bcp, e Santander Totta Light), 1. 500 (Barclays Classic), 3.000 (Best Gold e Caixa Classic) ou 9.000 euros (Caixa Gold). O banco BPI oferece a anuidade se a média mensal da dívida superar 150 euros (Classic) ou 450 euros (Gold). Este último é gratuito se o património financeiro for igual ou superior a 100 mil euros. A Caixa Geral de Depósitos devolve a primeira anuidade se usar o Classic nos primeiros 45 dias. Deutsche Bank: cartões isentos se usar anualmente o limite de crédito.

Cheques: Custo unitário para caderneta de 20 cheques cruzados e não à ordem. Inclui 0,05 euros de imposto de selo. Caixa Galicia só tem cheques não cruzados.

Transferências: Preço pela net da Caixa Geral de Depósitos não incluído no cálculo dos custos. Apesar de constar do preçário, este banco não tem cobrado.

Manutenção: Despesas variam com o saldo médio da conta ou com os produtos contratados.

TAEG: Taxa que reflecte o custo real do crédito automático associado às contas-ordenado. Cálculos para 1.500 euros a três meses.

fonte:economico

publicado por adm às 22:53 | comentar | favorito