Opinião: «É melhor pôr as poupanças fora de Portugal»

O tempo não está para nacionalismos: quem tem poupanças deve aplicá-las «fora de Portugal, em qualquer banco de qualquer país da Zona Euro». O conselho é do professor de Economia da Universidade de Tilburg, Wolf Wagner, que esteve esta tarde em Lisboa, a convite do Banco de Portugal.

Para Wagner, os portugueses devem reconsiderar onde aplicam as suas poupanças: «Há o risco de Portugal entrar em incumprimento», com consequências imediatas na banca nacional. «O grande problema do sistema bancário, hoje em dia, é a incerteza». 

Por isso, «é melhor pôr as poupanças fora de Portugal, em qualquer banco da Zona Euro, como, por exemplo, na Alemanha, Holanda ou Finlândia» ou então «nalguma instituição fora da Zona Euro».

O investigador nas áreas das finanças e sistema financeiro adverte, no entanto, que o conselho é apenas a pensar «no indivíduo», uma vez que «se todos os portugueses retirassem o seu dinheiro seria um grave problema para o país».

E também há uma garantia: o fundo de recapitalização da troika, uma espécie de almofada para os bancos em dificuldades, no valor total de 12 mil milhões de euros.

«O facto de haver essa segurança é bom, mas os bancos não a devem usar. Só devem recorrer a essa linha apenas em última instância», disse Wolf Wagner, entrevistado pela Agência Financeira.

Mas, então, o que podem fazer os bancos para ultrapassar a crise actual? «As hipóteses são muito limitadas. Devem tentar obter a liquidez suficiente dos bancos centrais, já que os mercados estão fechados, continuar a emprestar e esperar que a economia melhore». Entretanto, Wagner aconselha a venda de títulos de dívida pública portuguesa e trocá-la por dívida mais segura, o que confere «mais credibilidade».

Isto porque, para o catedrático, «mais do que um problema de dívida, toda a Zona Euro está dependente da confiança dos mercados financeiros». Esse é, na opinião de Wagner, o grande desafio dos governos.

Mais do que austeridade, Portugal tem de convencer

Por isso, mais do que aplicar todas as medidas de austeridade de uma vez, «o que seria um choque», os governos, incluindo o português, devem «convencer os mercados que vão aplicar essas medidas num futuro próximo».

Mas Portugal tem cumprido as exigências da troika e, no entanto, não há retorno por parte dos mercados: os juros da dívida pública renovam valores recorde.

«Os mercados não reagem logo. Demora tempo», tranquiliza Wagner, dando como exemplo os leilões de dívida de Espanha e de Itália, no início do ano, onde os juros exigidos pelos investidores baixaram face ao leilão anterior com as mesmas características. 

«Isso foi um bom sinal. Penso que, agora, a probabilidade destes países terem de ser resgatados é menor».

Além disso, «o apetite dos investidores pelo risco aumentou claramente desde o início de 2011». Prova de que a situação «embora frágil, está a melhorar». E, por isso, Wagner está confiante: 2013 será um ano melhor.

Grécia fica no euro? Decisão é apenas política

Com ou sem a Grécia. «Manter a Grécia na Zona Euro é uma questão meramente política. A Grécia representa muito pouco na Zona Euro». Mas, não há o risco de contágio? «Se a Grécia falhar vai haver um choque. Porém, todos os que têm exposição à dívida grega já estão precavidos».

Por isso, Wagner desvaloriza o perdão à dívida grega, discutido esta segunda-feira pelos ministros das Finanças da Zona Euro: «A Europa vai sempre continuar a financiar a Grécia».

A verdade é que, para já, a região da moeda única enfrenta uma das maiores crises de sempre. Uma crise que começou, recorde-se, com o subprime. Vão os bancos aprender a lição?

«Já aprendemos com a crise. Mas não podemos eliminar todo o risco. Se um banco falir, não há problema na economia. Mas se muitos falirem é um grave problema». Para evitar isso, «no futuro, os bancos devem ter carteiras de risco mais diversificadas».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:11 | comentar | favorito