Dez decisões para proteger a sua carteira em 2012

Os mercados são conhecidos por terem pouca memória. Em particular quando estão em causa períodos negativos.

Por vezes, basta um rasgo de ganhos para depressa os investidores se entusiasmarem e perderem toda a racionalidade, enchendo o mercado com ondas de optimismo desmesurado achando que o pior já passou. E o mesmo se passa com o sentimento inverso. Veja-se, por exemplo, a montanha-russa de emoções que andou de mão dada com o ‘sobe-e-desce' constante das acções ao longo deste ano: num minuto os investidores estavam a vaticinar o fim do mundo e no minuto seguinte parecia que uma onda de esperança desmedida tinha tomado conta das bolsas. Para os investidores que sentiram na carteira este pico de emoções, o que lhes espera no próximo ano já não será novidade. Sobretudo no seio da zona euro, onde a incerteza promete continuar a ser presença assídua. É por isso um quadro, no mínimo, desafiante que os investidores enfrentam no próximo ano e onde todo o cuidado é pouco. Para o ajudar a orientar da melhor forma possível as suas poupanças e os seus investimentos, o Diário Económico deixa-lhe duas mãos cheias de ideias que prometem deixar o seu portefólio melhor preparado para a onda de desafios que o esperam no em 2012.

1 -Aprenda a gerir as suas poupanças
Investir não é um "bicho-de-sete-cabeças", nem tão pouco está apenas ao alcance do seu gestor de conta. A verdade é que o seu dinheiro é demasiado importante para ser gerido por outros. Dedique algum do seu tempo a estudar os princípios da gestão de um portefólio em livros e imprensa especializada, e a investigar o teor dos produtos que o seu banco comercializa, contabilizando sempre os prós e contras das várias ofertas. E nunca, mas nunca, subscreva um produto que não entenda. Mais vale deixar fugir um produto que rende muito dinheiro mas que não se percebe como funciona do que investir num mau produto que acabará por destruir as suas poupanças sem que tenha a mínima noção de como isso sucedeu.

2 - Faça sempre contas ao peso das comissões
Comprar e vender acções ou outros activos em bolsa tem custos: comissões de negociação, por ordens e negócios realizados, de guarda de títulos e sobre a distribuição de rendimentos. Em média, segundo a Morningstar, a comissão de gestão dos mais de 6.000 fundos de investimento à venda em Portugal é de 1,25%. Caso os custos de deter e negociar acções, por exemplo, sejam superiores a este valor o melhor é optar pelos fundos e esquecer as acções por uns tempos. Além disso, através dos fundos vai conseguir diversificar o risco da sua carteira por activos e regiões geográficas, sem precisar de uma fortuna. Em alguns casos, bastam 25 euros para ficar exposto a um vasto portefólio de acções mundiais, como acontece com o BPI Reestruturações, um dos fundos de acções globais com o melhor desempenho da última década.

3 - Construa um fundo de emergência
É já um velho cliché mas a verdade é que "mais vale prevenir do que remediar". É esta a base de um fundo de emergência: uma "bóia de salvamento" para ser utilizada em situações inesperadas. A sua constituição deverá representar, pelo menos, seis vezes o montante dos custos fixos. Em média, deverá representar 10% do valor total do portefólio. Desta forma, será possível evitar o resgate de fundos de investimento ou a alienação de acções ou outros activos a correr, sempre que seja preciso alguma liquidez para fazer frente a qualquer situação mais "apertada". É por esta razão que o fundo de emergência deverá ser mesmo a base, o ponto de partida, da constituição de uma carteira porque só construindo bons alicerces será possível ambicionar ter uma carteira dourada. Para o fazer deve recorrer a produtos de baixo risco e de fácil resgate. É o caso dos depósitos a prazo ou até dos certificados de aforro. Lembre-se que o mais importante do fundo de emergência não é ganhar dinheiro para garantir uma segurança para fazer frente qualquer situação.

4 - Nunca dê um passo mais comprido que a própria perna
Da mesma forma que uma camisola às riscas e de cores garridas não fica bem a toda a gente, também um activo financeiro mais volátil não se revela a escolha acertada para todos os investidores. É fundamental conhecer o seu perfil de investidor antes de tomar qualquer decisão, para que o risco que pretende incorrer e as rendibilidades que deseja alcançar não sejam incompatíveis. Desde Novembro de 2007 que os intermediários financeiros são obrigados a realizar um questionário aos seus clientes com o intuito de enquadrar as suas recomendações no perfil de risco do investidor. É, por isso, importante que as respostas que derem no questionário sejam as mais sinceras possíveis para que os resultados condigam com os objectivos desejados.

5 - Invista no longo prazo sem esquecer o curto prazo
Se o cão é o melhor amigo do Homem, dada a forte amizade entre ambas as espécies, o tempo é o mais fiel companheiro das carteiras de investimento, pois tem a capacidade de diluir o risco à medida que os anos vão passando. Ser paciente é uma virtude, sobretudo no que se refere ao universo dos investimentos nos tempos que correm. Isto não quer dizer que deva desligar-se completamente do dia-a-dia dos mercados porque há notícias que podem deitar tudo a perder ou a ganhar da noite para o dia. Não vale é a pena ter insónias à conta de opções de investimento. Por isso, preocupe-se em fazer o trabalho de casa antes de tomar qualquer decisão de investimento e depois basta manter-se atento às movimentações do mercado, mas sem que isso coloque em causa a sua saúde e o seu bem-estar.

6 - Não coloque todos os ovos no mesmo cesto
Harry Markowitz, um dos premiados com o Nobel da Economia em 1990, provou que através da diversificação é possível reduzir o risco de uma carteira de investimentos. Isto significa que um portefólio de diferentes activos é menos arriscada do que uma carteira constituída por apenas um activo. Os académicos que lhe sucederam estimam que uma carteira bem diversificada tem mais de 20 títulos diferentes. Os pequenos investidores não devem ir tão longe porque, além de pagarem avultadas comissões de bolsa, o potencial de ganhos pode diminuir severamente. No entanto, podem seguir o princípio da maximização da diversificação do portefólio pela porta dos fundos de investimento ou dos fundos cotados, também conhecidos como ‘exchange-traded funds' (ETF).

7 - Siga de perto as compras dos administradores
Os administradores são as pessoas em melhor posição para avaliar a empresa, simplesmente porque são eles próprios que a gerem. Nesse sentido, sempre que qualquer administrador investe o seu dinheiro na compra de acções da sua companhia dá um sinal positivo sobre a empresa ao mercado. Nestas alturas poderá revelar-se proveitoso reforçar posições nas empresas em questão. Contudo, é importante estar atento à natureza destas operações. Isto porque, muitas destas compras podem não reflectir qualquer intenção de compra dos administradores em função do momento presente da empresa, mas terem sido tomadas mediante um acordo estabelecido no passado aquando a celebração do seu contrato de trabalho.

8 - Seja disciplinado na hora de investir
Uma das principais características de um líder passa por ser proactivo e não reactivo. No mundo dos investimentos estar um passo à frente dos acontecimentos faz toda a diferença. Mas a verdade é que não há bolas de cristal capazes de prever o futuro e, por isso, a melhor solução passa por uma gestão saudável e disciplinada dos investimentos. Este objectivo poderá ser conseguido por via de um plano de investimento programado com base em reforços mensais das posições abertas. Desta forma, o bolo irá crescendo à medida que as perdas momentâneas vão também sendo colmatadas com os reforços programados. Poderá ser feito um ajuste anual do montante com base na taxa de inflação, por exemplo, de forma a corrigir a perda de poder de compra pela subida generalizada dos preços.

9 - Oriente-se pela bússola do petróleo
Todas as semanas a agência do Departamento de Energia dos EUA "Energy Information Administration" (EIA) revela a dimensão dos inventários de petróleo produzidos em território norte-americano e além fronteiras. Esta informação influencia directamente o preço do petróleo e os seus derivados, dado que os EUA são um importante ‘player' neste mercado: se os ‘stocks' são baixos, será de esperar um incremento do preço do crude ou um aumento generalizado de uma variedade de produtos petrolíferos como a gasolina. Mas se os inventários forem elevados e estiverem a crescer durante um período de forte procura, o preço do crude e seus derivados não deverá sofrer grande subida. Porém, caso se esteja a viver um período marcado por um crescimento económico lento e onde a procura de petróleo é baixa, caso os ‘stocks' de petróleo estejam a subir, será de antever uma correcção do preço do petróleo. Seguir de perto este indicador será a chave para preparar a sua carteira contra novas tempestades ou orientá-la na direcção da recuperação da economia global.

10 - Aprenda a sentir o batimento cardíaco das bolsas
Ninguém sabe como irá correr o próximo ano nas bolsas. Mas uma coisa parece certa: continuará a ser rica em volatilidade. Assim, para medir o nervosismo dos investidores na Europa e nos EUA os especialistas seguem de perto dois índices, conhecidos também por "índices do medo": o Vix e o Vstoxx. O primeiro traduz o movimento esperado das 500 maiores empresas norte-americanas nos 30 dias seguintes; o Vstoxx acompanha as oscilações das 50 principais empresas europeias. A importância destes índices para os investidores prende-se por haver evidência empírica de que as rendibilidades do mercado e a volatilidade implícita estão negativamente correlacionadas. Foi isso que sucedeu nos últimos cinco meses de 2008, em pleno pico da crise financeira, com o Vstoxx a subir 81,36% enquanto o índice Eurostoxx 50 derrapou 25,35%. O mesmo sucedeu entre Março e Dezembro de 2009, com o Euro Stoxx 50 a valorizar 56,75% e o "índice do medo europeu" a tombar 43,91%. Fique de olho nos "índices do medo" para evitar que a sua carteira fique presa numa armadilha.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 12:07 | comentar | favorito