Vale a pena investir num PPR?

Abre hoje a "época de caça" ao PPR em que os bancos tentam convencer os seus clientes das vantagens de investir num plano de poupança reforma. Mas para o cliente valerá a pena?

 

Odia 1 de Outubro marca o início do período em que os bancos desenvolvem campanhas comerciais, mais ou menos agressivas, para persuadir os seus clientes a subscreverem planos de poupança reforma, naquilo que humoristicamente poderá designar-se como "época de caça" ao PPR.

Neste período, os bancos utilizam como principal argumento comercial os benefícios fiscais, que garantem que 20% do investimento (ver quadro) será recuperado, através da poupança de impostos. Este é um argumento quase irresistível, pois para além do factor racional, existe também o factor emocional de conseguir pagar menos impostos de uma forma legal.

No entanto, as pessoas não se consciencializam de que, para ter direito a estes benefícios fiscais, não poderão dispor livremente do dinheiro até aos 60 anos e, num investimento de 20 anos, o benefício fiscal representa apenas um ganho anual de 1%.

Para os bancos e seguradoras este é o produto ideal, pois paga tipicamente uma comissão de gestão anual de 2% ao longo da vida do produto, e em muitos casos ainda existem comissões de subscrição e resgate que podem representar 2% ou 3%.

Ou seja, para ganhar o benefício fiscal é necessário suportar comissões extremamente elevadas que mais do que anulam o benefício fiscal.

Isto é visível através dos dados da APFIPP de 24 de Setembro que revela que a rendibilidade média anualizada dos Fundos PPR nos últimos 5 anos é de 1,1%. A rendibilidade média dos fundos PPR nem cobriu a inflação, que nesse mesmo período foi de 1,7% em termos anualizados.

Outro dos argumentos comerciais utilizado para persuadir os clientes a investirem em PPR é o de que quando chegarem à idade de reforma o valor que irão receber será insuficiente para manter o nível de vida.

De facto, devido ao aumento da esperança de vida, ao elevado endividamento do Estado e à carga fiscal insustentável, é bastante provável que alguém que se reforme daqui a 10 ou 20 anos sofra um corte brutal no seu rendimento. Será mesmo prudente esperar que o valor da pensão possa ser entre 50% e 70% do último ordenado.

Assim, pode dizer-se que os PPR apenas são interessantes pela disciplina de poupança a que obrigam. Neste caso deve optar-se por um bom PPR e não pelo PPR que é proposto pelo gestor do banco onde se tem conta. Deve optar-se claramente por um PPR que invista fortemente em acções, pois num horizonte de investimento tão longo as acções são claramente o melhor investimento e escolher um PPR que tenha tido um bom desempenho no passado.

Os únicos PPR que se destacam no panorama nacional são o PPR Capital Reforma Acções da Optimize com uma rendibilidade anualizada nos últimos 2 anos de 9,2%, o BPI Reforma Acções PPR com uma rendibilidade anualizada nos últimos 5 anos de 6,25% e o ESAF PPR Vintage com uma rendibilidade anualizada nos últimos 5 anos de 4,31%.

Assim, só vale a pena investir num PPR se ele for bom, caso contrário mais vale investir em certificados do Tesouro, que pagam 6,10% por ano, desde que mantidos durante 10 anos.

fonte:dn.sapo

publicado por adm às 00:00 | comentar | favorito