Poupanças dos portugueses mantêm-se apesar da crise

Depósitos a prazo estão a canibalizar os Certificados de Aforro e PPR, mas o nível de poupança mantém-se estável.

O dinheiro que saiu este ano de fundos de investimento e certificados de aforro - e o reforço que os portugueses deixaram de fazer nos PPR e em seguros de capitalização - somam já 9,19 mil milhões de euros. No entanto este dinheiro não está a ser utilizado para fazer face à crise e ao menor rendimento disponível das famílias portuguesas. Antes entrou, quase na totalidade, em depósitos a prazo. O aumento líquido dos depósitos a prazo este ano é de 8,6 mil milhões de euros, aos quais se somam ainda 593 milhões de euros investidos em Certificados do Tesouro (CT). No total, depósitos e CT captaram 9,16 mil milhões de euros, quase tanto quanto saiu dos restantes produtos.

Natália Nunes, responsável pelo gabinete do sobreendividado da Deco, ratifica esta percepção: "Os portugueses estão apenas a transferir as suas poupanças para outros produtos, mais rentáveis e mais seguros talvez. Até porque notamos que as famílias estão muito mais sensibilizadas para as questões da poupança". No entanto adianta que a maioria das famílias portuguesas não poupam, e as mais de 20.000 famílias que recebem hoje o apoio da Deco, "chegam sem poupanças". Ou seja, as famílias actualmente mais afectadas pelo contexto económico não têm poupanças para levantar.

Filipe Garcia, presidente da IMF, nota que a poupança das famílias portugueses não é estática, mas sim um bolo onde os extremos se compensam: "Vários estudos indicam que a disparidade de rendimentos está a aumentar em Portugal, e nas franjas a atitude perante a poupança é diferente". E adianta: "Existem pessoas que perante uma situação de desemprego tiveram de recorrer a poupanças. Por outro lado, temos pessoas que até estão a ganhar melhor e que estão a poupar mais. Preferem poupar a consumir devido à incerteza no futuro".

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 08:28 | comentar | favorito