Depósitos são o produto preferido na poupança para a reforma

Estudo da Fidelidade/ISCTE mostra que apenas 1,7% dos inquiridos investem em acções.

A maioria dos portugueses que poupa para a reforma- e não são muitos- constrói o seu pé-de-meia aplicando as suas poupanças em depósitos a prazo. As conclusões são do estudo sobre as opiniões e atitudes dos portugueses face à poupança e à reforma da Fidelidade Mundial, realizado por uma equipa de investigadores do ISCTE. As conclusões do estudo foram ontem divulgadas e os números não deixam de ser surpreendentes.

Mais de 56% dos inquiridos que já constituíram poupanças com vista à velhice afirmaram que utilizam os depósitos a prazo (de curto, médio e longo prazo) para esse efeito. Uma estratégia que muitos especialistas em gestão a de activos classificaria como incorrecta. Isto porque sendo o complemento de poupança para a reforma um investimento de longo prazo, os investidores deveriam privilegiar na sua alocação em instrumentos de mais longo prazo (como acções ou obrigações). Apenas à medida que se aproximassem da idade da reforma, os investidores deveriam aumentar a exposição das suas poupanças a activos de curto prazo e elevada liquidez, como é o caso dos depósitos.

Mas os investidores portugueses não pensam da mesma forma. Por isso mesmo, não é de estranhar que apenas 1,7% dos inquiridos neste estudo da Fidelidade invista o seu complemento de reforma em acções. E apenas 2,5% utilizam os fundos de investimento com o mesmo objectivo. Já os populares Planos de Poupança Reforma só são uma opção para 21% dos inquiridos.

Os números podem ser explicados de várias formas. Por um lado, a preferência pelos depósitos pode ser justificada pela necessidade das famílias terem alocadas as suas poupanças em aplicações de elevada liquidez, para serem utilizadas no caso de uma emergência. Mas os dados podem também ser um reflexo da baixa literacia financeira dos portugueses que ficou, mais uma vez, espelhada neste inquérito. Os responsáveis do estudo colocaram no inquérito três questões simples e de resposta múltipla sobre contas e taxas de juro (ex: Suponha que tem uma conta de poupança de 100 euros e que a taxa de juros ao ano é de 2%. Cinco anos depois, quanto dinheiro acha que teria nessa conta?) e quase 48% dos inquiridos não conseguiram responder correctamente a nenhuma das perguntas colocadas.

Foram cerca de mil os portugueses inquiridos neste estudo que já vai na segunda edição. E os resultados apurados revelam atitudes preocupantes dos portugueses no que se refere à poupança e, em especial, à poupança para a reforma. Mais de 66% dos inquiridos não fez qualquer tipo de poupança voluntária com este objectivo. E apesar de uma grande fatia (42,4%) admitir que espera que o seu nível de vida baixe quando chegar à reforma, a verdade é que a maioria (64%) afirma não estar disposta a sacrificar "a felicidade ou o bem-estar imediatos para atingir resultados futuros". Dados que comprovam a "baixa motivação e um nível de estratégias activas de poupança que fica aquém do desejado", referem os responsáveis do estudo em comunicado. A situação é ainda mais flagrante nos os inquiridos mais jovens (entre 20 e 29 anos) e com habilitações mais baixas. Apesar de tudo- da crise e das medidas de austeridade-a generalidade dos portugueses inquiridos (59,7%) considera-se muito felizes. Uma percentagem superior à registada no anterior estudo, realizado em 2008.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 17:04 | comentar | favorito