Saiba como se proteger as suas poupanças do temporal da austeridade

A "troika" aperta, os impostos sobem. Com tanta austeridade, a capacidade de poupança sofre. Ainda assim, e mesmo num contexto desfavorável, é possível apostar no pé-de-meia. A Renascença foi falar com Sara Gomes, especialista em finanças pessoais, que dá algumas dicas para poupar todos os meses.

 

1. Faça um plano de gastos
A primeira coisa a fazer é reunir todos os gastos, facturas, extractos do banco - digitais ou em papel -, contas da água e do gás. O ideal seria guardar os papelinhos de todas as despesas durante um mês, porque isso dá-lhe uma fotografia perfeita de todos os seus custos e gastos. Com base nesses gastos, consegue perceber para onde vai o dinheiro.

2. Envolva a família
Uma dica essencial é envolver toda a família, ou seja, deve fazer o orçamento em conjunto com o marido ou mulher, se for o caso, e definir de que forma vão comparticipar as despesas comuns e despesas individuais. Quem tem filhos, deve inclui-los, porque ajuda-os a perceber aquilo que representam no orçamento da família. Todas as semanas, tire 10 ou 15 minutos e veja como é que está na gestão do seu orçamento.

3. Pague primeiro a si próprio
O segredo não é poupar ao final do mês. É poupar no início, cerca de 10%. A regra é poupar à cabeça de forma automática. O dinheiro entra na conta e uma parte fixa do rendimento sai para uma conta poupança, como se fosse um custo. A ideia é pagar primeiro a si próprio. Esta é a única forma, cientificamente comprovada, de assegurar a poupança, mantendo o nível de vida. E há um ponto que não pode esquecer: mais importante do que a quantidade que poupa, é a regularidade com que o faz, permitindo aumentar a reserva financeira.

4. Ensine as crianças a poupar
Primeiro, deve envolver as crianças na realização do orçamento familiar. Quando são mais pequenas, pode envolvê-las na lista de compras do supermercado e no cumprimento dessa lista; em crianças a partir dos 4 ou 5 anos, pode introduzir as semanadas; mais tarde, a partir dos 10 ou 11 anos, deve passar para uma mesada. Outra dica é dar-lhes, em simultâneo com a mesada e semanada, mealheiros transparentes (podem ser frascos de compota, por exemplo). Cada mealheiro tem um objectivo: poupança, gasto, doação. É importante que, desde cedo, as crianças conheçam os três destinos típicos que podemos dar ao dinheiro e façam as suas escolhas. Os pais têm o dever de ir monitorizando as escolhas dos filhos.

5. Poupe no IRS
Este é o momento para perceber de que forma pode aumentar a poupança fiscal. Deve recolher informação, junto da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, que tem uma linha azul, sobre todas as deduções que pode de facto fazer e quais os montantes máximos. Ou seja, deve organizar desde já a contabilidade e planear despesas até final do ano, de forma a tirar partido desta poupança fiscal. Ainda mais porque, em 2012, muitas dessas possibilidades vão deixar de existir.

6. Deduza 5% do IVA pago nas compras
Se de facto esta regra do Orçamento do Estado for aprovada como tal, isso implica uma competência base da boa gestão financeira, que é guardar sempre todas as facturas, pedir facturas de todos os gastos e, a partir de Janeiro de 2012, ter esses documentos de arquivo organizados, porque vão traduzir-se em poupança fiscal.

7. Rentabilize o pé-de-meia
Observe aquilo a que se chama "pirâmide de investimento". Esta pirâmide garante que controlamos sempre o risco dos nossos investimentos, no sentido em que nunca pomos em causa perder mais do que 10% das nossas poupanças. Deve ter uma parte da poupança constituída por depósitos a prazo. Claro que, a partir do próximo ano, vai ter menos rentabilidade, porque vai pagar imposto sobre o rendimento desse dinheiro, mas é uma forma garantida de rentabilizar uma parte das poupanças. Essa é a base. Depois, deve pegar em 10% e investir em produtos com um pouco mais de risco, por exemplo, em fundos de obrigações, de acções. Mas atenção, este tipo de investimentos pressupõe que se saiba medir os riscos, os custos associados e a rentabilidade real e efectiva. Pergunte tudo ao gestor do fundo ou da conta.

8. Antecipe as compras de Natal
A palavra-chave é "planear". Começar agora é o ideal, porque tem mais escolha nas lojas, já há promoções e, por ter mais produtos, permite-lhe comparar preços e fazer melhores compras. Por outro lado, ter tempo também permite fazer as ofertas e, se tiver filhos, é uma óptima oportunidade de os envolver nessas ofertas. Outra opção pode ser, por exemplo, combinar com a família que só as crianças terão direito a um presente. E nunca se esqueça: respeite sempre os limites orçamentais da família.

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 08:29 | favorito