O seu dinheiro está protegido?

Não há razões para alarme. A entrada do Estado no capital dos bancos vem até dar maior segurança às suas poupanças, uma vez que irá tornar os bancos mais sólidos. Reduz a probabilidade de falências no sector, travando a queda das acções e colocando menor pressão na bolsa de Lisboa. As perdas na dívida nacional que os bancos têm de reconhecer não afectam os certificados de aforro e do Tesouro.

1 - Os meus depósitos a prazo no banco estão protegidos?


A entrada do Estado no capital dos bancos, em resultado das perdas que o sector vai sofrer com a dívida grega - e as imparidades que os bancos terão de reconhecer com os títulos de dívida soberana -, não vai pôr em causa as aplicações a prazo dos clientes. O Estado irá ficar com parte do capital das instituições para colmatar o défice de capital do sector, mas isso não terá implicações nas poupanças aplicadas nos bancos que precisem de ajuda. E muito menos nos que não recorrerem à linha de recapitalização.

Mesmo numa situação limite, de falência de uma instituição, as suas poupanças estariam a salvo, uma vez que este produto está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Este fundo, cuja legislação está, actualmente, a ser alterada de forma a reforçar a protecção dos depositantes, garante o montante aplicado em depósitos a prazo até um máximo de 100 mil euros. 

A maior ameaça às poupanças dos aforradores nacionais seria uma saída de Portugal do euro, um cenário que a maioria dos especialistas considera muito pouco provável. Daí que ter o dinheiro aplicado num banco português ou em qualquer outra instituição da Zona Euro seja exactamente igual.

2. Os certificados de aforro e do Tesouro podem ser penalizados? 

Os certificados de aforro e os do Tesouro são dois produtos de poupança do Estado em que muitos portugueses têm investida uma parte das poupanças. São títulos de dívida, colocados junto de investidores particulares, que apenas poderão ser "beliscados" caso Portugal entre em incumprimento e se veja obrigado a renegociar a sua dívida, como acontece agora com a Grécia. Nesse cenário, o capital e os juros da dívida pública são renegociados com os investidores. Apesar de algumas divergências, os líderes europeus têm criado mecanismos que salvaguardam a liquidez dos Estados-membros da Zona Euro. Ninguém pode dizer se o Estado poderá nos próximos anos ver-se obrigado a alterar os termos da dívida actualmente emitida (entre ela, os produtos de aforro disponibilizados junto dos cidadãos). Mas os actuais mecanismos de ajuda financeira procuram justamente evitar uma reestruturação de dívida. Sob a alçada do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do FMI, Portugal terá de reduzir o endividamento e acelerar o crescimento económico, o que evitará que volte a entrar numa situação de vulnerabilidade e assegurará que não terá de faltar aos compromissos perante os investidores.

3 - O que vai acontecer aos meus investimentos na bolsa?

Os investidores aplaudiram a resposta dos líderes à crise da dívida na Europa. As bolsas do Velho Continente reagiram em forte alta, impulsionadas essencialmente pelo bom desempenho dos títulos do sector financeiro. Na bolsa de Lisboa, a banca também esteve em destaque, levando a praça portuguesa a valorizar mais de 2%, mas a tendência não deverá manter-se durante muito tempo.

"No curto prazo, estamos a assistir a uma recuperação, mas o problema não foi completamente resolvido", alerta Pedro Lino, administrador da DifBroker. "O sistema financeiro da periferia vai continuar sem acesso aos mercados. Esta cimeira serviu principalmente para resolver o problema dos grandes bancos europeus", acrescenta o especialista ao Negócios. Há ainda questões por resolver que poderão manter elevada a volatilidade nos mercados.

No entanto, dadas as perdas em que muitos investidores estão a incorrer, vender pode não ser a melhor opção. Se não tem necessidade do dinheiro investido no curto prazo, o ideal será manter a posição. Lembre-se de que o investimento em acções deve ser feito sempre numa lógica de longo prazo.

4. Vai passar a ser mais fácil ter acesso a crédito junto da banca?

A incapacidade dos bancos em obterem liquidez nos mercados internacionais, fruto da crescente percepção de risco sobre Portugal, levou-os a aumentarem as restrições na concessão de crédito. Praticamente deixaram de dar financiamento, tanto a empresas como a particulares. E mesmo quando concedem empréstimos, os bancos estão a exigir "spreads" bastante elevados, tornando mais oneroso o pagamento do mesmo.

A situação não deverá, a curto prazo, sofrer alterações, apesar da injecção de capital que será proporcionada pelo Estado nos bancos que solicitem ajuda no processo de recapitalização.

À partida, o accionista Estado deverá ser um "parceiro passivo", como afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Quer isto dizer que não terá voz na administração das instituições que recorram à linha de 12 mil milhões de euros acordada entre o Estado e a troika, ao abrigo do programa de assistência financeira.

No entanto, este programa prevê "regras e restrições específicas de gestão", que podem, no limite, levar o gestor público responsável pela fiscalização sobre o uso dado aos apoios estatais a dar orientações no que respeita à política de concessão de crédito.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 23:33 | favorito