Juros dos depósitos a prazo travados pelo Banco de Portugal

A partir de hoje os bancos portugueses não podem classificar como fundos próprios os "depósitos a prazo com taxas altas", segundo dois avisos do  supervisor publicados terça-feira em Diário da República. 

O cálculo para a penalização, hoje objecto de uma instrução do Banco  de Portugal, indica que os depósito que excedam a taxa euribor e um 'spread'  de 300 pontos base, parte deles não são contabilizados como fundos próprios.

O supervisor exemplifica que, com um depósito de 100 mil euros com uma  taxa de remuneração de 5,8 por cento, o banco não contabilizaria nos seus  fundos próprios 900 euros. Neste exemplo a taxa de referência é de 4,8 por  cento (taxa euribor a seis meses mais 300 pontos base), sendo o banco penalizado  em um ponto percentual por ter ultrapassado os 4,8 por cento (ou seja 900  euros). 

Através dos avisos 7/2011 e 8/2011, publicados terça-feira e que entram  hoje em vigor, o Banco de Portugal transforma em actos as críticas à corrida  às taxas de juro de depósitos a prazo que está em curso entre os bancos  nacionais, procurando contê-la. 

Com a entrada em vigor destes dois avisos, os montantes de depósitos  a prazo que o supervisor considere contratados com "taxa de juro elevada",  deixam de poder ser classificados enquanto fundos próprios dos bancos que  os captou aos seus clientes, não sendo considerados para efeitos dos limites  do rácio 'core tier 1' cuja observância, em termos de regras de solvência  (Basileia III) vai ser obrigatória em 2012.  

Esta nova limitação dos juros dos depósitos a prazo tem implicação no  cumprimento do acordo da 'troika", que obriga os oito maiores bancos a "reduzir  gradualmente os rácios de transformação de depósitos em créditos para um  nível de 120 por cento até 2014". 

Os fundos próprios contam para este rácio de transformação, ou seja,  se os bancos praticarem juros muito altos naqueles depósitos e ultrapassarem  a taxa de referência o remanescente será descontado dos fundos próprios.

Há dois dias o presidente executivo do BES considerou não ser "muito  construtiva" estas novas regras do Banco de Portugal e pouco benéfica para  os aforradores: "Estamos a falar da poupança e nunca os aforradores portugueses  tiveram a possibilidade de (lhes) captarem recursos com taxas reais acima  da taxa de inflação tão altas como aquelas que estão a ser praticadas hoje  pelo mercado. Portanto, se o BdP vier a limitar muito essas taxas poderá  também estar a não dar tanta possibilidade aos aforradores de terem taxas  muito interessantes no mercado", declarou Ricardo Salgado à margem de uma  conferência de apresentação de produtos destinados à captação de microcrédito.

fonte:http://sicnoticias.sapo.pt/

publicado por adm às 23:20 | favorito