Prepare uma reforma tranquila com fundos de investimento

O Económico mostra-lhe nove carteiras de fundos de investimento para quem esteja a cinco, a 10 e a 20 anos de atingir a reforma.

Longos, longos anos a trabalhar com um objectivo central: gozar uma reforma tranquila. Se para os portugueses esta era, até há alguns anos, uma missão relativamente pacífica, a realidade hoje é muito diferente. A razão para tal é fácil de explicar. Deve-se ao facto de o valor das reformas estar a encolher. Um fenómeno que se sente desde a entrada em vigor das novas regras da Segurança Social para o cálculo das pensões dos portugueses. Projecções efectuadas por economistas apontam para que, tendo em conta essa realidade, ocorra uma redução média ao nível das pensões de cerca de 40% nos próximos 20 anos. Por isso, encontrar alternativas que permitam maximizar o rendimento a usufruir após a vida activa é uma necessidade cada vez mais premente.

Esta preocupação ganha ainda maior relevância se tivermos em conta que os portugueses estão pouco sensibilizados para pensar a sua reforma. Segundo o último barómetro da reforma realizado pela seguradora AXA, apenas um terço dos adultos começou de facto a planeá-la. E, apesar de cada vez pensar mais cedo na reforma, a maioria adia esse planeamento para a meia-idade ou mesmo para mais tarde.

Ao longo dos anos, uma das formas mais populares junto dos portugueses para cumprir esse objectivo foram os Planos Poupança Reforma (PPR). No entanto, as alterações impostas pelo Orçamento do Estado para 2011 no regime de deduções no IRS, nomeadamente com o estabelecimento de um tecto máximo de 100 euros nos benefícios fiscais totais, veio trazer um menor interesse por este tipo de aplicações. Contudo, no mercado existem muitas outras opções de preparar a reforma. Para além dos PPR e dos Certificados de Reforma, existem ainda fundos de ciclo de vida, seguros ‘unit-linked', fundos de pensões abertos, os Certificados do Tesouro ou fundos de investimento.

E foi precisamente nesta última categoria de produtos financeiros que o Diário Económico se centrou. Além dos fundos de investimento estarem disponíveis a partir de quantias bastante baixas, eles permitem investir num vasto leque de activos. Como explica Rui Broega, da direcção de gestão de activos do Banco BiG, "ao diversificar está a reduzir a volatilidade dos seus investimentos e a melhorar o retorno obtido". Acrescentando que "a alocação do seu investimento deverá ser alterada ao longo do tempo dependendo de uma série de factores como sejam a idade ou os objectivos de investimento".

Por isso, o Diário Económico pediu a três bancos ‘online' especializados na comercialização de fundos de investimento que compusessem um total de nove carteiras de investimento de acordo com alguns critérios. As instituições escolhidas foram o ActivoBank, o Banco Best e o Banco BiG. A cada banco foi pedido que, com base num determinado período de tempo de distância até à idade de reforma, construíssem três carteiras de investimento assumindo perfis de investidor distintos: conservador, equilibrado e agressivo. Nas carteiras solicitadas ao Banco Best, distavam apenas cinco anos até que o investidor atingisse a idade da reforma, enquanto que no caso do ActivoBank, faltavam 10 anos para essa data. Ao BiG coube compor a carteira de investimento com a distância mais alargada até à idade da reforma: 20 anos.

Ao analisar as carteiras resultantes desses cenários, as diferenças saltam à vista. Como explicou a direcção de investimentos do Banco Best, em relação ao cenário que lhes foi apresentado, "60 anos é uma idade, na nossa opinião, tardia para se iniciar uma poupança para a reforma, pois o prazo de acumulação e reinvestimento de retorno é mais reduzido, bem como a possibilidade de investir em activos com maior risco e retornos esperados, o que condiciona a alocação de activos". Em resultado, independentemente do perfil de risco considerado, as carteiras apresentadas pelo Best acabaram por centrar-se sobretudo em fundos de obrigações, cabendo um espaço muito reduzido para a exposição a fundos de acções. Aliás, esta categoria de activos apenas surge numa proporção muito reduzida da carteira e os alvos preferenciais de investimento em fundos puros de acções centram-se sobretudo em títulos de empresas globais de grande capitalização.

Mas, se alargarmos para 20 anos o horizonte de investimento, o cenário muda drasticamente. No caso da carteira agressiva, os fundos de acções representam 75% do total de activos na carteira construída pelo Banco BiG, havendo espaço quer para fundos de acções considerados mais conservadores (grandes capitalizações globais) como um pouco mais agressivos, como é o caso da aposta em fundos de acções do sector financeiro. No caso da carteira conservadora também a exposição a fundos de obrigações é bastante mais baixa face às propostas apresentadas pelos outros bancos.

Mesmo nas carteiras construídas pelo ActivoBank, apesar do prazo de investimento ser metade do cenário do Banco BiG, o período de 10 anos até à idade da reforma permite apresentar carteiras mais arrojadas do que no cenário proposto ao Banco Best. Os fundos de acções têm uma maior presença nas suas carteiras. Aliás, na carteira agressiva do ActivoBank os fundos de acções representam 90% dos activos. Contudo, Rui Olo, da direcção de marketing do ActivoBank, lembra que para um investimento a 10 anos, apesar de não existir nenhum activo que deva ser evitado, dois ou três anos antes da maturidade deve ser feito um ajuste da carteira no sentido de diminuir progressivamente o seu risco. Isto porque, como explica, "com o aproximar da data da reforma, o investidor deverá ter como principal prioridade a preservação do valor acumulado até essa data, por forma a evitar que um momento de correcção dos mercados perto da maturidade do investimento possa colocar em causa a valorização acumulada ao longo dos anos".


Dicas de poupança

- Começar cedo: Quanto mais cedo implementar uma estratégia de poupança mais alto será o "bolo" amealhado. Também o esforço financeiro mensal será menor já que, por exemplo, quem estiver na casa dos 20 e poucos anos tende a ter preocupações financeiras menores.

- Disciplina: Defina um plano de investimento regular, dando uma ordem de transferência mensal para uma conta específica. Procure poupar pelo menos 10% do ordenado e, gradualmente, tente aumentar essa percentagem. Aproveite ainda períodos de maior disponibilidade financeira para aumentar a proporção de poupança.

- Apostar na rentabilidade: Quanto maior o risco que assumir, maior o retorno potencial dos seus investimentos. Tenha ainda presente que quanto maior o horizonte de investimento mais se dilui o risco.

 

  • Carteiras de fundos de Investimento para quem está a cinco anos de alcançar a idade da reforma

Banco Best
O Best usou apenas cinco fundos para compor as três carteiras. Na carteira conservadora, 80% dos activos estão em fundos de obrigações. Mesmo na agressiva, a aposta em obrigações é notória: 70% dos activos. Já o investimento em acções incide sempre num fundo de acções globais de grandes capitalizações. O peso das acções é de apenas 5% na carteira conservadora e vai no máximo até 15% na agressiva. Ou seja, em qualquer dos casos são privilegiados investimentos conservadores, o que se deve ao facto de apenas distarem cinco anos para a idade da reforma.

  • Carteiras de fundos de Investimento para quem está a 10 anos de alcançar a idade da reforma

ActivoBank
O ActivoBank lembra que para o perfil conservador o mais importante é preservar o valor real do capital investido. Por isso, percebe-se que na carteira conservadora não existam fundos puros de acções: 90% dos activos estão em fundos de obrigações. Já na carteira agressiva, a aposta em acções é clara: os fundos de acções representam 90% dos activos. Para além de fundos de acções globais de grandes capitalizações, o banco aposta em empresas do sector tecnológico bem como em empresas mineiras. Como a distância até à reforma é maior do que no cenário que apresentamos ao Banco Best, as carteiras do ActivoBank apresentam uma exposição ao risco um pouco maior.

  • Carteiras de fundos de Investimento para quem está a 20 anos de alcançar a idade da reforma

Banco BiG
As carteiras do BiG são as que apresentam em termos globais uma maior exposição ao risco, independentemente do perfil do investidor. Isto acontece porque o seu horizonte de investimento também é o mais elevado (20 anos) pelo que existe uma maior margem para que as eventuais perdas se diluam no tempo. No caso da carteira agressiva, este horizonte de investimento permite que a exposição a fundos de acções chegue a 75% dos activos. Neste segmento, a aposta do BiG incide sobretudo em fundos de acções globais de grande capitalização, mas também em fundos de acções de pequenas e médias empresas e de títulos do sector financeiro.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 22:15 | comentar | favorito