Bancos pagam prémio recorde nas aplicações a prazo

Diferencial de juros dos depósitos face à média das Euribor atingiu, em Agosto, o nível mais elevado de sempre. Chega a ser de dois pontos percentuais.

A necessidade de liquidez está a levar os bancos a oferecerem juros nos depósitos a prazo muito acima das taxas a que a banca se financia no mercado. A taxa média das novas aplicações, até um ano, subiu para 4%. O prémio pago face à Euribor disparou nos últimos meses e atingiu em Agosto um novo recorde. 

Desde Maio de 2010 que a remuneração nas aplicações a prazo está a subir. Fixou, em Agosto, um novo máximo desde Novembro de 2008, ao ascender a 4%, no caso das aplicações até um ano para as famílias. Esta é a taxa média. Mas há bancos que pagam taxas bem mais altas. Chegam a oferecer juros na ordem dos 5%, a 12 meses. 

A remuneração é elevada. Mas ganha maior expressão quando comparada com a base de referência, ou seja, as taxas de mercado, as Euribor. A taxa interbancária - utilizada no cálculo dos juros que os bancos cobram nos empréstimos entre si - tem vindo a subir. A média da Euribor a 12 meses foi de 2,097%, em Agosto. 

Quando comparada com a taxa média oferecida pelos bancos, verifica-se a existência de um prémio elevado, de 1,9 pontos percentuais nas aplicações comercializadas para as famílias. No caso dos depósitos destinados às empresas, chega a 2,19 pontos percentuais, de acordo com cálculos realizados pelo Negócios

Nunca o diferencial entre os juros do mercado e os praticados pela banca tinha sido tão elevado, segundo o histórico de dados do Banco de Portugal. Em apenas nove meses, o prémio mais do que duplicou, sendo que há pouco mais de um ano, era negativo. Ou seja, os juros médios dos depósitos estavam abaixo da Euribor. 

A evolução é reveladora da crescente aposta do sector nos depósitos como forma de obtenção de liquidez, num contexto em que os mercados de crédito estão praticamente fechados para os bancos nacionais. No entanto, esta estratégia penaliza a rentabilidade das instituições financeiras. 
Quando a Euribor está alta, os bancos conseguem cobrar mais pelo crédito (já que a maioria dos empréstimos são indexados a estas taxas). 

O que ganham nos empréstimos que concedem permite-lhes oferecer juros mais elevado nos depósitos. No entanto, não é isso que se verifica actualmente, o que explica a preocupação do governador do Banco de Portugal. 

"A captação dos depósitos deve acontecer num contexto de sustentabilidade de remunerações" afirmou Carlos Costa, numa intervenção no final de Julho, num sinal de alerta para os juros que já então eram praticados. Ao pagarem mais nos depósitos, cobrando menos nos créditos, os bancos prejudicam a sua margem financeira, logo a sua rentabilidade. 

Menos dependência do BCE 

As taxas mais altas nos depósitos estão a surtir efeito. Ou seja, os portugueses estão a investir cada vez mais as suas poupanças nas aplicações comercializadas pelos bancos. Isto ao mesmo tempo que o sector trava a fundo na concessão de crédito, o que explica, em parte, a diminuição da dependência face ao Banco Central Europeu. 

Em Setembro, de acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, as instituições nacionais reduziram, pela primeira vez em três meses, o montante em crédito junto da autoridade monetária para a Zona Euro. O valor baixou em 399 milhões de euros, face ao mês anterior, para um total de 45,6 mil milhões de euros.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 00:13 | comentar | favorito