Bancos já oferecem 6% para depósitos

Os bancos portugueses estão a apostar nos depósitos para conseguir captar novos clientes e, para isso, estão a oferecer taxas cada vez mais atractivas. Actualmente, já há instituições financeiras a oferecem juros de 6%.

“As dificuldades de acesso a financiamento faz com que a banca tente se financiar através dos depósitos dos clientes”, explicou António Ribeiro, economista da Deco. Além disso, o facto dos bancos terem de se desalavancar o seu balanço, nomeadamente através da diminuição do rácio de transformação (a diferença entre os depósitos e os créditos,) reforça a aposta da banca neste tipo de instrumentos. 

Quem beneficia são os investidores que conseguem assim melhores remunerações para as suas poupanças. De acordo com os dados do boletim da Deco, Proteste Investe, o melhor depósito a prazo é oferecido pelo Banco de Invest para novos clientes ou novos capitais. Com um montante mínimo de subscrição de 2.000 euros, este depósito a um ano paga uma taxa bruta de 6%, isto significa uma taxa anual nominal líquida (TANL) de 4,7%. A mesma taxa é também oferecida pelo Banco Finantia por um prazo de um ano. Um juro mais do dobro superior à taxa de mercado com o mesmo prazo. A Euribor a 12 meses está nos 2,060%.

Os dados do Banco de Portugal confirmam esta tendência de subida da remuneração dos depósitos. De acordo com os dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal, as taxas de juro dos depósitos mais que duplicaram num ano. Enquanto em Julho do ano passado, o juro era de 1,52%, em Julho deste ano a taxa situou-se em 3,87%. 

É preciso recuar até Novembro de 2008 para encontrar uma taxa mais elevada. Nessa altura, a taxa Euribor atingia o máximo histórico, depois da falência do Lehman Brothers e após a acção concertada dos Banco Centrais das principais economias mundiais, as Euribor iniciaram um ciclo de descida até abaixo dos 1%. Em Abril de 2010 o ciclo inverteu-se e, desde então, os juros têm vindo a subir e, consequentemente, as taxas pagas pelos depósitos.


Os juros mais actrativos praticados pela banca nos depósitos aliado à incerteza dos mercados bolsistas  são algumas das justificações para o aumento do montante colocado em depósitos. Segundo os dados do último Boletim Estatístico Banco de Portugal, em Julho os depósitos de particulares atingiu os 126.916 milhões de euros, um máximo histórico.

Nos últimos 10 meses, os portugueses têm vindo a reforçar o seu dinheiro em depósitos. Neste período o aumento do montante colocado em depósitos foi de 10,1 mil milhões de euros, o que equivale a um aumento de 8%. A aposta em depósitos, mesmo da parte dos particulares deverá continuar, pelo menos enquanto a incerteza e o risco elevado permanecerem em outros produtos, e os juros oferecidos pela banca sejam atractivos. 

Uma tendência, “que deverá manter-se ainda durante algum tempo”, concluiu o economista da Deco. Apesar dos valores apresentados, os especialistas da Proteste Investe recomendam que “se tem um montante significativo, não deixe de negociar a taxa, pois é possível subir acima do que consta no preçário”.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 21:43 | comentar | favorito