Depósitos com benefício fiscal

Quando se faz um depósito, procura-se sempre as melhores taxas. Juros elevados para rendibilizar ao máximo as poupanças, sobre os quais o Estado leva sempre uma parte. O normal é ficar sem 21,5% da mais-valia, mas há cada vez mais aplicações a prazo que permitem atenuar o impacto do IRS. Saiba quais e se realmente compensam.
Os bancos têm apostado forte no desenvolvimento de "novos" depósitos. A regra-base é sempre a mesma: aplica-se o dinheiro e recebem-se os juros. E há aplicações para todos os gostos, desde as que duram apenas sete dias, até cinco anos. E até mais. A vantagem desses depósitos de muito longo prazo é que, além de taxas atractivas, oferecem a oportunidade de poupar nos impostos. Há benefícios fiscais. 

Para poupar é preciso pensar numa perspectiva de médio a longo prazo. E esse acto tende a ser valorizado, não só pelo banco, que procura oferecer taxas mais atractivas para garantir a fidelização do cliente, mas também pelo próprio Estado. Actualmente, os juros pagos pelas entidades bancárias estão sujeitos a IRS, à taxa de 21,5%. E é o próprio banco que deduz o imposto aos juros que entrega ao cliente.

Mas há excepções. Caso o depósito seja constituído por mais de cinco anos, e menos de oito anos, o valor do imposto a pagar é menor. "Os rendimentos de depósitos bancários a prazo, emitidos ou constituídos por prazos superiores a cinco anos, que não sejam negociáveis, contam para efeitos de IRS por 80% do seu valor", refere oSantander, na ficha de informação normalizada de um dos seus mais recentes produtos, o "Rendimento Premium Taxa +". 

Mas isto só se "a data de vencimento dos rendimentos a contar da data da constituição ocorrer após cinco anos e antes de oito anos, o que equivalerá à aplicação de uma taxa de retenção na fonte de 17,2%". Ou seja, esta é a taxa a pagar sobre os juros do depósito se este tiver um prazo de cinco anos e um dia, assumindo que o investidor só pretende recebê-los no final do prazo. 

No caso do "Rendimento Premium Taxa +", a taxa anual nominal bruta (TANB) média para o depósito é de 4,6%. Se o cliente quiser receber os juros todos os anos, pagando 21,5% de IRS, a taxa líquida é de 3,61%. Mas, se quiser tirar partido da vantagem fiscal, o juro líquido médio anual é de 3,81%, tendo em conta os cálculos realizados pelo Negócios. Ou seja, recebe, com o mesmo investimento, mais juros.

O produto do Santander é atractivo só por si. A TANB é elevada. Mas há outras aplicações actualmente em comercialização que, apesar de apresentarem juros mais baixos, podem, por vezes, tornar-se numa opção válida, tendo em conta o benefício fiscal que lhes está associado. O BPI, por exemplo, tem um depósito também a cinco anos e um dia com uma TANB média de 2,6%. 

O juro líquido anual deste produto é de 2,15%, porque a taxa de retenção na fonte é de 17,2% e não os normais 21,5%. Mas a tributação pode ser ainda mais baixa, se o prazo do investimento for ainda mais prolongado. Nos depósitos constituídos por mais de oito anos e um dia, apenas 40% dos juros obtidos pagam imposto. 

Neste caso, isto significa que, dos 21,5%, o investidor apenas será tributado em 8,6%, tal como acontece, por exemplo, nos seguros de capitalização. Com uma taxa base de 5%, o "Depósito a prazo 8 anos Mais" do MillenniumBCP tem uma remuneração líquida anual de 3,925%. Além deste produto, também disponível para cinco anos e um dia, apenas o BPI tem um depósito a oito anos, de acordo com a pesquisa realizada pelo Negócios.

Num depósito entre cinco a oito anos, a taxa de IRS a aplicar desce de 21,5% para 17,2%. Caso seja de mais de oito anos, cai ainda mais. É de apenas 8,6%.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 22:27 | comentar | favorito