Depósitos - Garanta já taxas altas para o futuro

Os juros nos depósitos a prazo estão a subir. Os bancos portugueses são dos mais generosos da Europa no que respeita à remuneração das poupanças. Mas já começam a surgir sinais de que a escalada pode chegar ao fim. Por isso, o melhor é lançar já a âncora e garantir taxas elevadas para o futuro.

 

Os portugueses continuam a investir forte nos depósitos. De mês para mês, o montante aplicado nestes produtos cresce, ascendendo já a mais de 125 mil milhões de euros. É um reflexo da busca por remunerações atractivas, sem risco. As taxas praticadas pelos bancos estão em máximos de 2008, mas já há sinais de alerta. Não vão durar para sempre. Por isso, o melhor será garantir já taxas altas para o futuro. 

O primeiro alerta foi dado pelo presidente do Santander Totta. "Não há muita margem para aumentar a remuneração dos depósitos a não ser que se entre numa situação de irracionalidade", disse Nuno Amado, no final de Julho. "Ainda podem subir, mas a margem já é menor", diz António Ribeiro, analista financeiro da Proteste Investe, da DECO. 

Os bancos têm vindo a subir progressivamente os juros que oferecem nos depósitos a prazo. É uma tendência que se observa desde Junho de 2010, altura em que o sector começou a ter dificuldades em obter financiamento nos mercados internacionais, fruto da crise financeira. A solução encontrada foi a aposta nos clientes, através da captação de depósitos. 

"Os bancos estão a ter dificuldades em obter financiamento, por isso tentam captar fundos através dos seus clientes", acrescenta o especialista. "Aqui vai acontecer o mesmo que em Espanha. Quando conseguirem obter financiamento nos mercados, os juros nos depósitos vão diminuir", remata António Ribeiro. Actualmente, a situação está a agravar-se, mas para poupar é preciso pensar numa perspectiva de médio a longo prazo. 

Segundo dados do Banco de Portugal referentes a Junho, a taxa média dos depósitos ascende, actualmente, a 3,5%. Mas há bancos que pagam bem mais. São muitas as aplicações que publicitam taxas de 5% e 6% ao ano, mas apenas para um período de três ou seis meses. São depósitos atractivos, mas para quem pretende rentabilizar o dinheiro junto enquanto não lhes dá uso. 

Se a lógica é, realmente, poupar, então deve concentrar a sua pesquisa nas aplicações a três, quatro ou cinco anos. Permitem-lhe garantir já taxas altas para o futuro. A oferta não é muito grande, mas há bons produtos. Num investimento a três anos, é possível contratar agora juros brutos médios anuais acima dos 4%. Uma taxa que, possivelmente, não estará a ser praticada pela banca antes disso. 

O "DP Crescente a 3 anos", comercializado pelo Banif, é, neste comparativo, aquele que melhor irá remunerar as suas poupanças. Oferece uma taxa anual nominal bruta (TANB) média anual de 4,62% (ver tabela ao lado), já numa aplicação a quatro anos a taxa de juro anunciada pelo mesmo banco é de "até 7%". E é, realmente, mas no último trimestre. A atenção deve estar sempre na TANB média que, neste caso, é de 4,72%. 

São poucos os depósitos com prazo de quatro anos. Mas compensam na rendibilidade oferecida. O do Banif é o melhor, mas tanto o Montepio como o BIG pagam um juro bruto médio de 4,5%. Para conseguir taxas ainda mais altas, tem de se comprometer por mais um ano. No Santander conseguirá um juro bruto médio de 4,6%, já o BIG apresenta uma taxa imbatível de 5% ao ano. 

No entanto, se pretende uma poupança a cinco anos e não quer correr grandes riscos "tem que comparar outras alternativas" aos depósitos, alerta António Ribeiro, da DECO. "É de considerar os certificados do Tesouro", explica. É que, actualmente, este produto de poupança do Estado está a oferecer uma taxa bruta de 6,8% para quem mantiver os títulos durante cinco anos. Se mantiver até à maturidade recebe um juro bruto de 7,1%.






Prazos mais longos, taxas mais altas

Os bancos têm vindo a apostar nos depósitos de médio a longo prazo, como forma de fidelizar o cliente. A estratégia para captar mais depósitos passa por apresentar juros altos, mas referentes apenas a parte do período da aplicação. Ainda assim, é possível encontrar taxas brutas anuais médias elevadas nestas aplicações. Nalguns casos é possível com pouco dinheiro garantir juros de mais de 4% ao ano. O melhor depósito, a cinco anos, paga uma taxa de 5%.


fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 12:56 | comentar | favorito