Onde os portugueses investem as poupanças

Taxas mais altas têm atraído mais aforro. Receios sobre crise da dívida têm afastado investidores dos mercados.

Depósitos mantêm tendência crescente nos últimos meses
Os depósitos têm sido o principal destino das poupanças dos portugueses e o montante aplicado neste produto tem vindo a crescer sustentadamente desde há mais de um ano. Esta tendência resulta, não só, da actual conjuntura económica recessiva do país, como também de um aumento das remunerações dos depósitos para taxas mais atractivas. De acordo com o último Boletim Estatístico do Banco de Portugal, o montante de novas operações de depósitos de particulares foi de quase 10,4 mil milhões de euros em
Maio deste ano, o que compara com um valor de novos depósitos de 5,94 mil milhões de euros verificado em maio de 2010.

Certificados do Tesouro com subscrições em queda mas saldo positivo
Os Certificados do Tesouro foram um produto de sucesso nos primeiros meses após o seu lançamento, devido nomeadamente às taxas atractivas. No entanto, a decisão do IGCP de colocar um tecto nas taxas "a partir do mês de Maio de 2011 e enquanto se mantiverem as condições de mercado", a crise da dívida soberana e a possibilidade de vir a ser aplicado um ‘haircut' no valor da dívida portuguesa, terão afastado investidores. Segundo o último relatório mensal do IGCP, as subscrições líquidas foram de 24 milhões de euros em Junho, mínimo de que há registo, influenciadas pela queda das subscrições para o valor mais baixo desde Novembro de 2010.

Fundos de obrigações euro lideram subscrições líquidas positivas
Apesar de, enquanto segmento, os fundos de investimento mobiliário continuarem a ser bastante penalizados, com elevados montantes resgatados, há categorias onde o dinheiro aplicado é superior ao retirado. Segundo o último relatório mensal da APFIPP, desde início do ano, as duas categorias com subscrições líquidas mais elevadas são das de fundos de obrigações taxa indexada euro (83,6 milhões de euros) e de fundos de obrigações taxa fixa euro (47,5 milhões). Olhando apenas para Junho são os fundos de mercado monetário euro, os mistos predominantemente acções, os predominantemente Obrigações, os únicos com saldo positivo.

Incerteza afasta investidores dos mercados accionistas
A instabilidade no mercados, resultado da crise da dívida soberana na zona euro e das dificuldades de crescimento das maiores economias têm afastado investidores. Em Portugal, o número de ordens dadas sobre acções caiu 33%nos primeiros seis meses deste ano face ao período homólogo, enquanto o valor recuou 48%no mesmo período. No mesmo sentido, o montante de transacções de acções na Euronext Lisbon foi de
18,2 mil milhões de euros, nos acumulado dos primeiros sete meses deste ano, o que representa uma quebra de 29,4%face ao período de Janeiro a Julho de 2010, influenciado também pela diminuição da cotação das acções.

Certificados de Aforro continuam a perder investidores
Os Certificados de Aforro têm vindo a perder subscritores ao longo dos anos. As duas principais razão serão a queda significativa da rendibilidade que oferecem ao longo dos anos - resultado de um ambiente de baixa da Euribor - e o aparecimento de um outro produto do Estado mais atractivo, dada a maior remuneração oferecida, os Certificados do Tesouro, lançados há um ano. De acordo com o último boletim mensal do ICGP, as subscrições dos certificados de aforro foram de 28 milhões de euros em Junho, valor
mais baixo de sempre, enquanto os resgates ficaram acima de 300 milhões de euros, o que dá um saldo negativo de 322 milhões.

Fundos Poupança Reforma penalizam por perda de benefícios
Os Fundos Poupança Reforma (PPR) perderam parte do seu atractivo com a redução do benefício fiscal em sede de IRS. Uma outra razão, mencionada recentemente pelo
presidente da APS, Seixas Vale, é o "maior investimento por parte dos bancos, os grandes distribuidores de PPR, na captação de liquidez através da aposta em depósitos". Os PPR sob a forma de seguro (que representam cerca de 85,5%do total de PPR) tinham no final do ano passado 15 mil milhões de euros acumulados, valor que até Maio tinha recuado 7%. Em 2010, as contribuições foram de 3,2 mil milhões de euros, um valor que o presidente da APS considera difícil de manter este ano.

fonte:http://economico.sapo.pt/

 

 

publicado por adm às 20:05 | comentar | favorito