Certificados do Tesouro. 1700 investidores têm mais de 100 mil euros

Os certificados do Tesouro acabam de celebrar o primeiro aniversário. Em 12 meses de comercialização conseguiram roubar o estatuto de instrumento de poupança privilegiado dos portugueses aos certificados de aforro. Mas não conseguiram travar a fuga dos aforradores nacionais do financiamento do Estado que se agudizou com a crise da dívida. 

De acordo com os dados obtidos pelo junto do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), foram realizadas, desde Julho do ano passado até ao final deste ano, 84 827 operações de subscrição de certificados do Tesouro. O número de investidores poderá, no entanto, ser menor, já que cada subscritor pode realizar mais de uma aplicação.

Este produto conseguiu captar a poupança dos portugueses com rendimentos mais elevados. Mais de 2% das famílias com certificados em carteira investiram um montante superior a 100 mil euros. Considerando o número de operações equivalente à quantidade de investidores, são cerca de 1700 os aforradores com investimentos acima de 100 mi euros. Por sua vez, cerca de 2500 famílias (cerca de 3%) aplicaram entre 50 mil e 100 mil euros. No entanto, à semelhança do que já acontecia com os certificados de aforro, os pequenos investidores são os maiores adeptos dos certificados do Tesouro. Cerca de 70%, quase 60 mil portugueses, investiram entre mil e 10 mil euros e 21 mil (25%) têm a render entre 10 mil e 50 mil euros. O valor médio de investimento até ao final de Maio fixa--se em 16 mil euros.

A análise mensal mostra que as novas operações estão a recuar significativamente desde Abril, mês em que Portugal recorreu ao pedido de ajuda externa. Os receios sobre a capacidade financeira do país, a maior necessidade de liquidez das famílias e o congelamento das taxas de remuneração justificam a evolução. Os investidores estão ainda a ser atraídos pelas supercontas dos bancos. Em Março foram registadas 9796 subscrições. O número recuou para 7016 em Abril, 5743 em Maio e 3556 em Junho.

A quantidade de operações de resgate também é elucidativa do receio das famílias. De Janeiro a Junho, 6451 investidores resgataram os certificados do Tesouro, uma fuga que atingiu o pico mensal no mês do pedido de financiamento externo. Contudo, parte dos investidores poderá ter resgatado o produto para voltar a investir, uma vez que o juro (7,1% a dez anos desde Março) é superior à remuneração oferecida pelo Estado nos primeiros meses de vida do produto.

segundo pior ano O segundo semestre só agora arrancou e a fuga registada nos produtos de poupança do Estado já ultrapassou os números de 2010. A saída de investidores nos certificados de aforro está a caminho do segundo pior ano de sempre, ao mesmo tempo que o saldo negativo entre emissões e resgates é quatro vezes superior ao estimado no Orçamento do Estado para este ano. 

No final de Junho, 575 231 famílias tinham as suas poupanças em certificados de aforro e do Tesouro, o que representa uma fuga de quase 35 mil investidores de Janeiro a Junho. A perda é superior aos cerca de 31 mil registados em todo o ano de 2010; poderia ser ainda mais acentuada não fosse a adesão de novos investidores aos certificados do Tesouro. A fuga em 2011, 193 por dia, só encontra precedentes em 2008, quando o governo cortou na remuneração do produto. 

O saldo líquido dos certificados de aforro (diferença entre emissões e resgates) já é negativo 1994 milhões de euros, quando o OE de 2011 previa um valor líquido negativo de 500 milhões. A perda de atractividade do produto superou, e muito, as projecções do anterior executivo, de tal forma que nem o saldo positivo dos certificados do Tesouro chega para garantir um contributo positivo dos particulares para o financiamento do Estado.

fonte:http://www.ionline.pt/

publicado por adm às 23:14 | comentar | favorito