Estado, o produto financeiro que rende mais

Os títulos de dívida pública rendem mais e têm segurança superior aos depósitos a prazo.

Com as taxas de juro a subir e a pressão para obter dinheiro, os bancos apostam na publicidade de depósitos a médio e longo prazo, com rentabilidade que parece aliciante. Contudo, a maioria dos depósitos de taxa fixa para estes prazos não permite o levantamento antecipado. Os de rendimento crescente, em geral, não prendem o consumidor ao investimento. Mas, no primeiro ano, nenhum oferece uma remuneração líquida superior à taxa de inflação prevista pelo Banco de Portugal para 2011 (3,6%), nem ao melhor depósito a 12 meses. Este é disponibilizado pelo banco BiG, que rende 3,5% ao ano e exige um investimento mínimo de 50 mil euros.

As melhores aplicações com taxa crescente apresentam uma rentabilidade líquida global muito próxima desta última. É o caso do depósito a cinco anos do Santander, com 3,8% para valores a partir de cinco mil euros. O segundo lugar pertence ao Banco Invest, que oferece 3,7%, no mesmo prazo, a montantes mínimos de dois mil euros. A três anos, o Depósito Crescente Platinum do Banif leva a melhor, com 3,8% ao ano, mas exige um mínimo de 50 mil euros.

Além de não se distanciarem muito dos melhores depósitos a prazo clássicos, estas taxas são válidas apenas no caso de não movimentar o dinheiro até ao final do período proposto. Porém, se estiver disposto a cumprir esta exigência, há produtos mais rentáveis, como os títulos da dívida pública. A rentabilidade destacada pelos bancos na publicidade aos produtos de taxa crescente, em geral, funciona como engodo e só é válida para o último (e curto) período. Avalie bem as propostas bancárias, com base nos critérios da caixa ao lado. A ficha de informação normalizada (FIN), obrigatória nestes produtos, fornece os elementos necessários. Ao contrário de há um ano, não encontrámos publicidade enganosa a estes depósitos: embora destaquem a taxa mais elevada, os bancos fornecem a restante informação. Um triunfo dos consumidores, fruto das denúncias que fizemos no passado.

Neste estudo, os especialistas da Deco incluíram depósitos, mas também existem obrigações e fundos especiais de investimento com taxa progressiva. Diferenciam-se sobretudo pelas garantias, caso o banco ou a entidade gestora não consigam honrar os seus compromissos. Nos primeiros, os investidores têm assegurado o re-embolso até 100 mil euros por titular até final deste ano, ao abrigo do fundo de garantia dos depósitos. Nos dois últimos, o sistema de indemnização garante apenas 25 mil euros.

Taxa fixa imobiliza investimento

Investir em produtos com rentabilidade fixa num período como o actual, em que se espera a subida dos juros é, à partida, má opção. A análise da Deco confirma a teoria: as melhores taxas anuais líquidas (TAEL) pertencem a depósitos a 10 anos do Banif. Consoante o montante, a instituição paga entre 4,6% e 4,8% ao ano, mas cativa o montante aplicado e inviabiliza a mudança para um concorrente mais rentável. Nos prazos mais curtos (entre dois e cinco anos anos), a rentabilidade é idêntica à dos depósitos de curto prazo, ou seja, até 1 ano. Não autorizar a mobilização antecipada é uma característica destes depósitos. Nos 24 analisados, apenas 10 permitem mexer no dinheiro, os mesmos que oferecem as taxas mais baixas: entre 0,8%, no depósito a dois anos do Crédito Agrícola, e 2,9% do Depósito Especial a três e oito anos do banco BPI.

No encalço do Tesouro

Para quem pode investir a longo prazo e pretende aplicações com risco reduzido, as Obrigações e os Certificados do Tesouro são as opções mais rentáveis. Os gráficos confrontam a rentabilidade global dos melhores depósitos com taxa crescente e fixa com a das Obrigações do Tesouro e, quando aplicável, dos Certificados do Tesouro. As obrigações vencem em todos os prazos, com taxas de 8% ou mais. Os certificados rendem 5,6% líquidos ao ano, se os mantiver durante 10 anos, e 5,3%, no caso de os resgatar ao fim de cinco a 10 anos. Caso opte pelas obrigações, não está sujeito a mínimos de investimento, mas terá de pagar uma comissão de transacção em bolsa, variável consoante a instituição.

Na altura da emissão, cada título custa um cêntimo. Para os títulos transacionados entre investidores em bolsa, ao valor nominal de cada título, terá de acrescentar os juros devidos ao vendedor. Os Certificados do Tesouro exigem a aplicação de, pelo menos, mil euros, podem ser adquiridos nos Correios e não têm custos de subscrição. São interessantes para quem pode manter o dinheiro aplicado durante, pelo menos, cinco anos e pretende aliar a liquidez à segurança de um rendimento garantido. Acompanhe a rentabilidade, locais e modo de subscrição destas e de outras aplicações financeiras no portal da associação (www.deco.proteste.pt/investe) e dê o destino mais adequado às suas poupanças.

Dívida pública com risco limitado

Na situação económica conturbada em que vivemos, o investimento na dívida pública será mesmo seguro? Esta preocupação dos consumidores é legítima e não tem uma resposta categórica. Todos os investimentos implicam risco. Os títulos de dívida pública e os depósitos estão entre os mais seguros. Porém, o Estado pode ser obrigado a reestruturar a dívida pública e a alterar o pagamento de juros e o reembolso de capital, penalizando os investidores. Esta situação é, contudo, improvável e, a suceder, arrastará toda a economia, com reflexos noutros tipos de investimento. Assim, os títulos do Tesouro continuam uma boa aposta.

fonte:http://economico.sapo.pt/

 

publicado por adm às 21:25 | comentar | favorito