Bancos nacionais captaram 7,4 mil milhões em novos depósitos

Novos depósitos duplicaram em 2010, com aposta dos bancos.

Numa altura em que os mercados financeiros lhes continuam de portas cerradas, os bancos portugueses estão a apostar em força na captação de depósitos dos clientes. Este esforço teve início no último trimestre do ano passado, tal como comprova o relatório da Associação Portuguesa de Bancos (APB), que mostra que os novos depósitos duplicaram em 2010.

De acordo com o documento, em 2010 registou-se um aumento de 4% no valor dos depósitos dos clientes dos bancos nacionais para 190.510 milhões de euros. "Este crescimento traduziu-se numa captação líquida de fundos da ordem dos 7.400 milhões de euros, o que é tão mais importante quanto representa, como já referido anteriormente, cerca do dobro dos fundos captados em 2009", aponta a APB.

"Para esta evolução foi determinante o aumento das taxas de remuneração sobre depósitos que a generalidade das instituições financeiras associadas começou a praticar a partir do quarto trimestre de 2010, e que se traduziu num importante atractivo de captação deste tipo de aplicação", acrescenta o documento da associação presidida por António de Sousa.

A APB considera, de resto, que, no actual contexto, a prossecução desta estratégia de desalavancagem - com aumento dos depósitos e uma travagem no crédito - é vital para a banca nacional. Até porque a dependência do Banco Central Europeu - a única porta que tem estado aberta para os bancos portugueses - para obtenção de financiamento não poderá eternizar-se.

"Sendo os recursos de clientes um factor fundamental de estabilidade estrutural da actividade bancária, a prossecução de estímulos à captação destes recursos é hoje de uma importância vital para a sobrevivência do sector bancário, e uma condição indispensável, em conjunto com medidas de outra natureza, para a recuperação da confiança dos investidores e para o regresso ao financiamento, em condições normais, aos mercados financeiros internacionais de dívida e de capital por parte das instituições financeiras associadas", refere a APB.

"A continuidade da dependência do Banco Central Europeu, como forma alternativa de superar as dificuldades de obtenção de financiamento nos mercados internacionais por grosso, é insustentável", adverte a associação.

Recorde-se que, no âmbito dos planos entregues na semana passada ao Banco de Portugal, os bancos nacionais se comprometeram a reduzir o rácio de transformação - crédito sobre depósitos - para um valor máximo de 120% até ao final de 2013, de forma a recuperar a confiança dos mercados de capitais. A descida deste rácio implica um modelo de negócio mais saudável e tradicional, assente na concessão de crédito com recurso às poupanças dos clientes. Quanto mais baixo for, menos o banco depende de dívida para financiar a sua actividade.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 09:26 | comentar | favorito