Portugueses assustados: o seu dinheiro está seguro?

Depósitos, certificados, acções e obrigações: onde deve ter o seu dinheiro aplicado nesta fase crítica?

 

A onda de cortes de rating que colocou a dívida do Estado, de várias empresas, bancos, autarquias e até das regiões autónomas, na categoria de «lixo financeiro», está a assustar os portugueses. Há quem queira levantar o dinheiro todo do banco, livrar-se dos certificados de aforro e do Tesouro e até quem queira levar o dinheiro para fora do país. Mas cuidado: nestas coisas, o pânico costuma ser mau conselheiro.

A começar pelos depósitos. Aquilo que assusta os portugueses é a possibilidade de os bancos falirem. Para começar, não existe nenhum sinal para já que aponte nesse sentido (aliás, existe muita confiança de que os nossos bancos vão passar nos testes de stress europeus, cujos resultados são conhecidos na próxima sexta-feira). E depois, mesmo que um banco falisse, isso não significava, automaticamente, que os depositantes perdiam o seu dinheiro, porque há em Portugal uma coisa chamada Fundo de Garantia dos Depósitos (FGD), que garante os depósitos até 100 mil euros. Ou seja, se tem depositada uma quantia inferior, pode ficar absolutamente tranquilo. Quem tiver mais, pode dividir por vários bancos, porque este fundo cobre 100 mil euros por titular por conta.

E mais: mesmo em termos de rendimento, esta não é uma má altura para ter depósitos nos bancos: as taxas de juro estão a crescer e a tendência é para continuarem a subir, precisamente porque os bancos precisam desesperadamente de captar o dinheiro dos clientes, já que têm muitas dificuldades em financiar-se de outras formas.

Mas pensemos, por exemplo, em quem tem dinheiro aplicado em títulos de dívida pública, como os certificados de aforro ou do Tesouro. O Governo garante que este investimento está seguro e, na verdade, o risco só se coloca em dois cenários, ambos pouco prováveis no curto prazo.

Um deles é se o Estado for à bancarrota. Ora, o acordo com a troika serve para impedir isso mesmo. E mesmo que o acordo, que nos financia durante os próximos dois anos, acabasse mal e Portugal não conseguisse corrigir a situação até 2013, pelo que se vê no caso da Grécia, as entidades internacionais dificilmente nos deixariam falir. Provavelmente optavam por um segundo resgate, como fizeram com Atenas.

Chegados a essa situação, poderia dar-se o outro cenário: Portugal ter de reestruturar a sua dívida, como a Grécia está à beira de fazer. Nesse caso, o Estado podia não pagar tudo o que deve e os investidores privados podiam ser afectados. Mas é uma hipótese distante, por isso, não é preciso ir a correr vender os certificados.

E os investimentos em obrigações e acções portuguesas, são bons, ou agora são de evitar? Aqui sim, recomenda-se cautela. Os fundos de investimento que aplicam dinheiro em obrigações têm normalmente um limite de exposição a activos considerados «lixo». Quando a dívida das empresas é cortada para este nível, os fundos têm de desfazer-se dessas obrigações ¿ aquilo a que se chama fechar posições ¿ e isso normalmente implica perdas. Portanto, esta pode não ser uma boa altura para deter dívida de empresas portuguesas.

As acções também estão a ser muito pressionadas por esta conjuntura, portanto, para se apostar na bolsa de Lisboa, neste momento, os analistas só recomendam empresas com características muito específicas: por um lado, pouco endividadas e com financiamento garantido para os próximos anos; por outro, empresas que não dependam só do mercado nacional, mas que tenham boa parte do seu negócio noutros países, com economias mais saudáveis.

Se procura uma alternativa relativamente segura, o ouro tem sido considerado um investimento refúgio ao longo dos anos, bom para ultrapassar alturas de crise. Com uma valorização relativamente constante e a registar sucessivos máximos nos últimos meses, o ouro não tem deixado ficar mal quem nele tem aplicado o seu dinheiro.

fonte_:http://www.agenciafinanceira.iol.pt

publicado por adm às 23:03 | comentar | favorito