Saiba como a reestruturação da dívida iria afectar as suas poupanças

Numa situação de renegociação da dívida os seus investimentos seriam bastante penalizados. Saiba como.

Qualquer que seja o tipo de reestruturação que possa ser realizada trata-se sempre de um sinal de fraqueza da economia doméstica com efeitos negativos juntos no comportamento dos agentes económicos. A começar pelo lado dos credores que restringirão o crédito ao sector privado (nomeadamente ao sector bancário), pelo que o País corre o risco de, certa forma, ficar limitado na expansão do crédito bancário, "o que não é necessariamente negativo num país com os níveis de endividamento de Portugal", refere Ricardo Valente. Fique a conhecer como uma eventual reestruturação da dívida poderá influenciar as suas poupanças.

 

1. Depósitos
Os bancos portugueses são dos principais investidores de dívida pública e por isso não é de estranhar que os banqueiros sejam das principais vozes contra a uma eventual reestruturação. Isto porque, uma situação de renegociação da dívida pública "poderia levar também a uma reestruturação do sector financeiro, e isso seria grave", comenta Álvaro Santos Pereira, lembrando que hoje "há bancos bastante expostos à dívida pública". Contudo, isso não significa que os depósitos das famílias estejam em risco de desaparecerem. Pelo contrário, a solvabilidade da banca nacional não está em causa e o Fundo de Garantia de Depósitos garante até um montante de 100 mil euros por depositante.

 

2. Certificados de Aforro e do Tesouro
Os produtos de dívida desenhados para as famílias podem também vir a ressentir os efeitos de uma reestruturação. No caso dos certificados do Tesouro (CT), o prolongamento do prazo de investimento das emissões existentes seria uma possibilidade, com a maturidade dos mesmos a passar de 10 para 15 anos, por exemplo. O mesmo poderia suceder à taxa de remuneração, dado que qualquer reestruturação às obrigações do Tesouro a 5 e a 10 anos teriam implicações directas na rendibilidade dos CT. No caso dos certificados de Aforro (CA) existentes, os efeitos de uma reestruturação seriam menos profundos dado que a sua remuneração está indexada à taxa Euribor a três meses.

 

3. Acções portuguesas
Seria quase impossível que numa situação de reestruturação da dívida nacional as empresas portuguesas não sofressem. Não por culpa própria mas por contágio de uma onda de pessimismo em redor da economia nacional e dos seus agentes económicos que acabaria por reflectir-se no resultados dos seus negócios, pelo menos no curto prazo. Além disso, num cenário destes as empresas teriam de contar com um acesso ao crédito mais limitado e, por ventura, bem mais caro, dado que os bancos seriam fortemente afectados.

fonte:http://economico.sapo.pt

publicado por adm às 22:32 | comentar | favorito