Banca sobe as taxasdos depósitos a prazo

A subida das taxas nos depósitos continua, num movimento que ilustra bem as dificuldades de liquidez que os bancos nacionais estão a viver.

No mês de Abril foram vários os bancos que reviram em alta as suas ofertas nos depósitos a prazo, num esforço para minimizar as dificuldades de liquidez que sentem actualmente.

Para além das ofertas que apresentamos na tabela no final do artigo, e que são públicas, vários bancos estão a oferecer taxas ainda mais elevadas para montante razoavelmente grandes e para prazos que passem o ano, sendo 5% uma taxa cada vez mais comum.

Neste momento, os bancos nacionais possuem muito poucas alternativas de se financiarem que não sejam os depósitos a prazo. Nenhum banco internacional está disposto a financiar um banco português, quer através do mercado interbancário quer através da compra de obrigações e até o próprio banco central europeu já deixou de ser uma opção.

Provavelmente, a maior parte dos bancos nacionais já utilizou todos os colaterais elegíveis pelo BCE que possuía. Muitos poderão estar até arrependidos de terem investido em obrigações de dívida pública portuguesa para entregarem como colateral, porque apesar de ganharem no diferencial de taxas, sofrem agora com a desvalorização dos seus investimentos e ainda deverão ser fortemente penalizados nos stress tests, a realizar nos próximos meses, que irão simular uma desvalorização ainda maior do que a actual na dívida pública portuguesa.

Devido à insegurança crescente com que as pessoas passaram a encarar os produtos financeiros que anteriormente eram considerados sem risco, como as obrigações do Tesouro, os certificados de aforro e do Tesouro, os próprios depósitos a prazo e a existência de uma garantia do Estado começam a ser questionados, existindo cada vez mais pessoas a abrirem contas fora de Portugal ou em bancos estrangeiros.

De um ponto de vista meramente hipotético tudo é possível, mas dificilmente o Estado português poderia dar-se ao luxo de deixar cair um banco nacional, pois a corrida aos restantes bancos seria imediata e uma eventual saída do euro demorará muito tempo a ser preparada, pelo que se pode considerar que os depósitos a prazo continuam ainda a ser a aplicação mais segura.

Neste momento, o prazo ideal deverá ser de seis meses, pois é provável que mais perto do fim do ano os bancos ainda façam um esforço suplementar, ou então optar-se por depósitos a vários anos.

Apesar de existir depósitos com taxas superiores, os depósitos a vários anos possuem uma importante vantagem, pois com pagamento periódico de juros, em que os clientes podem sair sem qualquer penalização após o pagamento dos juros, os clientes ficam com a opção de saírem, se encontrarem um depósito melhor. São exemplos o depósito 3,75% do Banco Finantia, o DP Rendimento CR do BES e os DP Crescentes do Banif.

E é sempre importante não esquecer que o máximo coberto pelo fundo de garantia de depósitos é de 100 mil euros por titular até 31 de Dezembro de 2011 e de 25 mil euros após esta data. Apesar de aquele valor só estar coberto até ao final do ano, seria muito surpreendente se o próximo Governo não prolongar este período.

Aviso importante: Não dispensa a consulta das condições completas dos produtos junto das respectivas instituições financeiras.

fonte:http://www.dn.pt/

publicado por adm às 23:29 | comentar | favorito