Portugueses trocam PPR por depósitos bancários

Investimento em Planos Poupança Reforma desceu 65% num ano, terminado em Janeiro. A culpa é dos bancos, diz a APS

 

Os portugueses estão a investir menos em Planos Poupança Reforma. Prova disso, é que o investimento em PPR desceu 65 por cento em Janeiro, face ao mesmo mês de 2010. 

Os dados são da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) que indicam que, no primeiro mês do ano, os portugueses investiram 91 milhões de euros em PPR, um valor que contrasta com os 256 milhões de euros, registados em Janeiro de 2010.

A justificar este desinvestimento está a reorientação dos bancos para a captação de depósitos, acredita o presidente da APS, Seixas Vale. 

«Os principais distribuidores [deste produto], que são os bancos, passaram a orientar as suas captações de poupança para depósitos nos próprios bancos», salientou Seixas Vale, citado pela Lusa, acrescentando que a prioridade dos bancos, que estão com dificuldades em financiarem-se, é a liquidez.

Esta «reorientação do sector» agravou o impacto que a retirada dos benefícios fiscais já tinha tido e que se fez sentir, sobretudo, a partir do segundo semestre de 2010. Seixas Vale observou, no entanto, que o mês de Janeiro é atípico e que não há ainda uma tendência clara.

Opinião idêntica têm os analistas contactados pela Agência Financeira que defendem que esta descida tem menos a ver com a perda de atractividade dos PPR, do que com a necessidade dos bancos em captar depósitos. 

Os bancos nacionais têm estado a implementar estratégias para esse efeito, com o objectivo de não pôr em risco os seus rácios de solvabilidade.

Ora, um dos nichos onde existe liquidez é o dos aforradores para a reforma - normalmente conservadores e propensos a produtos sem risco - que, habitualmente, investe em PPR. 

Actualmente, os portugueses têm 15 mil milhões de euros em poupanças em PPR.

Exposição à dívida soberana atinge os 6 mil milhões

O presidente da APS adiantou que «continua a haver um aumento da poupança», sublinhando que as companhias continuam a subir no ramo Vida, sobretudo nos produtos de risco (48%) e de capitalização (29%).

A actividade seguradora aumentou 1,6% em Janeiro, face ao mês homólogo, (0,8% no ramo Não Vida e 2,1% no ramo Vida), uma taxa menor do que a de anos anteriores, segundo Seixas Vale.

Já sobre o investimento das seguradoras em dívida pública portuguesa, este ascende a 6 mil milhões de euros, cerca de 4% do total, segundo dados revelados por Seixas Vale que classificou estes investimentos como uma «estratégia prudente de aplicação dos activos».

A dívida pública constitui cerca de 10% da carteira de investimentos das seguradoras que, no total, gerem 62 mil milhões de activos, dos quais 58 correspondem a activos de investimento. 

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 20:56 | comentar | favorito