Depósitos provocam disputa na banca

A generalidade dos economistas e o governador do Banco de Portugal há muito que diziam ser necessário aumentar o nível de poupança em Portugal e diminuir a dependência dos nossos bancos em relação à cedência de liquidez do Banco Central Europeu.

 

Até agora, os bancos portugueses têm recorrido regularmente ao BCE desde há dez meses e, neste momento, já atingiram os 41 mil milhões de euros sem que se vislumbrem hipóteses do mercado interbancário abrir para a banca nacional. Entretanto, para diminuir a dependência do BCE, procuram captar a poupança nacional e, por isso, estão a remunerar os depósitos, tanto das famílias como das empresas, como já não o faziam há dois anos, mas, como têm de equilibrar a margem financeira, também estão a aumentar os ‘spreads' na concessão de crédito. De acordo com os dados do Banco Central, os bancos estão a pagar, em média, 2,68% pelas poupanças das famílias ao mesmo tempo que remuneram os depósitos das empresas a 3,21%. Em termos práticos, é fácil encontrar taxas de juro nominais dos depósitos da ordem dos 4% e ‘spreads' ao mesmo nível. A tendência inflacionista nas taxas dos depósitos começou a ganhar corpo em Maio do ano passado quando, por força do fecho dos mercados interbancários às instituições nacionais, se tornou necessário captar a poupança nacional. O fenómeno já se verificava em Espanha há algum tempo e até poderá ter desviado alguma poupança nacional para o país vizinho. Agora que os bancos nacionais disputam a captação de depósitos, as famílias e as empresas estão a responder positivamente.

fonte:economico.sapo

publicado por adm às 23:35 | comentar | favorito