Juros das obrigações do tesouro a 10 anos cresceram 62% em 2010

Os juros que os investidores internacionais exigem para comprar dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário subiram 62% desde Janeiro, numa escalada potenciada pelos fracos crescimento e competitividade da economia nacional, aliada a dificuldades orçamentais.

A 31 de dezembro de 2009, os juros das obrigações do tesouro fecharam na média de 4,069. Um ano depois, os mesmos títulos foram transacionados no mercado secundário a 6,601%, num crescimento de 62,2%. 

No mesmo período, os juros da dívida soberana a 10 anos da Grécia cresceram 116%, os da Irlanda 87% e da Espanha 37%. 

Entretanto, a crise financeira e económica tornou as dificuldades das finanças públicas de alguns países europeus mais visíveis aos olhos dos mercados, o que juntando ao fraco crescimento económico e ao alto nível de endividamento portugueses, tem feito subir os custos de financiamento dos Estados. 

A Grécia foi o primeiro país a pedir oficialmente ajuda financeira à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional, logo a 23 de abril, perante um quadro agravamento dos custos da sua dívida e do corte do 'rating' do país pelas agências de notação financeira, que viriam a cortar também o 'rating' da dívida soberana portuguesa. 

A 28 de abril, os juros da dívida portuguesa a 10 anos chegaram aos 5,809%, no mesmo dia em que o primeiro-ministro anunciou medidas de reforço ao Programa de Estabilidade e Crescimento, como alterações ao subsídio de desemprego e maior controlo no pagamento das prestações sociais. 

No mês seguinte, a 7 de maio, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos voltaram a bater um novo máximo, ao atingir os 6,285%. 

O verão significou um período de acalmia nos juros das obrigações portuguesas mas, no regresso da 'silly season', os mercados voltaram a penalizar a dívida portuguesa e os juros destes títulos bateram os 6,512% a 28 de setembro. 

Um máximo atingido na véspera de o Governo ter apresentado, a 29 de setembro, um novo pacote de medidas de austeridade, que passou pelo aumento do IVA de 21 para 23% e por cortes nos salários da administração pública acima de 1.500 euros. 

Ameaça do FMI

A 9 de outubro, o ministro das Finanças disse em entrevista ao Expresso que caso se os juros ultrapassem o limite de sete por cento Portugal "entra num terreno" em que "essa alternativa (recorrer ao FMI) começa a colocar-se". 

Declarações com que Teixeira dos Santos teve dificuldades em lidar quando a 10 de novembro, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos atingiram os 7,036% na média do dia. 

Até ao momento, este valor mantém-se como o máximo histórico pedido pelos investidores para comprar títulos da dívida portuguesa a 10 anos no mercado secundário. 

No entanto, continuam as pressões sobre a dívida portuguesa e, depois de a Irlanda ter recorrido formalmente em meados de novembro ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, vários analistas têm vindo a antecipar que Portugal pode ser o próximo país a ceder à pressão dos mercados e a pedir ajuda externa. 

fonte:Lusa


 

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