Saiba como investir nos PPR

Analisar as rendibilidades dos últimos cinco anos é determinante na hora de escolher um PPR, diz a DECO.

Quem tem menos de 35/40 anos não deve investir num PPR. É que "só a partir dos 40 anos o efeito do benefício fiscal compensa", diz António Ribeiro, técnico da DECO Proteste. No entanto, a poupança não deve ser descurada. No estudo Poupança & Reforma da Deco, publicado em Outubro, a Associação de Defesa do Consumidor, explica que "para quem investe a longo prazo, o benefício fiscal dilui-se no tempo e, por isso, em prazos muito longos, a diferença de rendimento entre uma aplicação com benefício fiscal e outra sem, é pouco significativa". Assim, nesta faixa etária, "é mais rentável uma aplicação com forte exposição aos mercados bolsistas, nomeadamente fundos de acções ou mistos agressivos", conclui a DECO.

De facto, é importante escolher o produto mais adequado à idade. "Se tiver entre os 40 e os 50 anos, deve escolher um PPR com algum investimento em acções, sendo a melhor opção os PPR sob a forma de fundos", diz António Ribeiro. Para quem tem 50 anos ou mais, aconselha-se os seguros PPR, "produtos mais conservadores e que na sua maioria dão garantia de capital e rendimento minimo".

Aplicar apenas o necessário para ter benefícios fiscais

Outro conselho deixado pela DECO no estudo é não aplicar anualmente mais do que o montante que permite o benefício fiscal máximo. Ou seja, quem tem 35 a 50 anos deve aplicar, em 2010, até 1.750 euros, não tendo benefício adicional se investir mais, e estando apenas a diluir o efeito do beneficio fiscal.

Um dos atractivos dos PPR são, de facto, os beneficios fiscais, e que podem ser de duas formas: À entrada, de acordo com as entregas efectuadas anualmentem 20% até um determinado limite, ou à saída, ou seja, quando ocorrer o resgate do plano. No entanto, a Deco alerta para o facto de não haver garantias, no futuro, de que se mantenham as regalias fiscais, podendo este produto perder interesse. É isso mesmo que receia António Ribeiro. O responsável acredita que a melhor opção a tomar, caso o cenário de perda de atractividade se confirme, "é deixar de se fazer entregas obrigatórias ".

Ver rendibilidades dos últimos cinco anos

O técnico da Deco Proteste frisa que na hora de escolher um PPR deve ter-se em conta o perfil de risco do investidor. É que existem PPR sob a forma de seguros, menos arriscados, uma vez que na sua maioria dão garantia de capital e rendimento mínimo, e PPR sob a forma de fundos, um produto mais arriscado, uma vez que não garantem capital. Ao conhecer o produto, saberá a rendibilidade oferecida, um ponto igualmente a ter em conta e que pode fazer a diferença, caso a taxa seja de 2% ou de 4% ao ano. Mas António Ribeiro frisa que "não se deve apenas analisar os ganhos dos últimos 12 meses", sendo "o ideal, ver as rendibilidades dos últimos cinco anos, o que permite perceber se o PPR tem um comportamento consistente", diz.

Os PPR podem ser uma boa opção como complemento de reforma. Porém, as comissões de subscrição "são muito pesadas" diz a Deco no estudo. Nos seguros o custo de subcrição e por entrega é muito elevado, chegando aos 1,4%. António Ribeiro diz mesmo que "estas comissões são, em alguns casos, 5 vezes maiores do que as comissões de um fundo misto", um valor que faz a Deco alertar para os elevados ganhos das seguradores com este produto. É que tendo em conta que em 2009 foram entregues 3,1 mil milhões de euros para seguros PPR, "as seguradoras amealhram 37 milhões de euros a mais do que com fundos mistos", refere a associação de defesa do consumidor. Em contra-partida, a comissão de gestão é mais alta nos fundos com maior componente de acções, podendo chegar aos 2%.

Além das comissões de subscrições, quem quisesse transferir o seu PPR, estava obrigado a pagar elevadas comissões. Porém, desde Julho de 2009, que se isentou de pagamento as comissões de transferência dos PPR que não dêem garantias de rendibilidade. Uma reinvindicação antiga da Deco, que constestava estas comissões por considerar que funcionavam "como um instrumento de fidelização ‘forçada' do participante, criando entraves à concorrência do mercado". Porém, nos produtos com garantia de capital, ou rendibilidade, permite-se a cobrança de uma comissão limitada a 0,5% do valor a transferir.

No que toca a escolhas acertadas, para quem tem mais de 50 anos, a Deco aconselha o Unirec da Generalli que rendeu 4% em 2009 e 4,6% nos últimos cinco anos, e o PPR Zurick, que rendeu 3,5%. A primeira tem uma comissão de subscrição de 2,5464%, a segunda não tem . Entre os 40 e os 50, o conselho recai no PPR Vintage, com 4,6% em 2009, e 4,5% nos últimos 5 anos, opções com algum risco. Com menos de 40 anos, aconselha-se fundos de acções ou mistos agressivos.

fonte:economico.sapo

publicado por adm às 23:55 | comentar | favorito