Qual a melhor opção para as minhas poupanças?

Bancos e Estado estão desesperados por arranjar dinheiro e dispõem-se a pagar um preço mais elevado para aliciarem investidores.

 

Mas esta pressão pode ter resultados perversos.

Os fundos de investimento são as vítimas mais causticadas. Com as taxas de juro dos depósitos em subida, e perante um ano de volatilidade e incerteza nos mercados, muito dinheiro que estava aplicado em fundos voou para o passivo das instituições financeiras. O que estas perdem em comissões de gestão cobradas sobre os valores investidos, ganham em acréscimos de liquidez, numa altura em que as portas do mercado interbancário se mantêm fechadas a sete chaves. 

Os números falam por si. O montante total entregue aos fundos de investimento existentes no mercado português está, actualmente, ao nível a que se encontrava no final dos anos 90, quando a "bolha" especulativa das empresas tecnológicas ainda estava a engordar. E se a maior generosidade dos bancos na remuneração dos depositantes explica uma parte do fenómeno, a verdade é que não é a única a carregar as culpas.

Para muitos investidores, transformar as unidades de participação em liquidez é uma arma para acorrer aos apertos da crise. O dinheiro colocado de parte durante os últimos anos estará a servir para preencher lacunas nos rendimentos familiares. Quem poupou percebe agora que o sacrifício acabou por se revelar útil. 

Às consequências da crise e à maior agressividade dos bancos na captação de depósitos junta-se, ainda, o Estado. Os certificados do Tesouro, nascidos numa conjuntura de grave carência nos cofres públicos, prometem agora uma taxa de juro de 6,5% para quem os subscreva e mantenha durante os próximos dez anos. É um concorrente duro na captação de poupança. Tão duro que até está a canibalizar os seus primos outrora bem-amados, conhecidos por certificados de Aforro. Definham mês após mês, numa demonstração de que, na atracção da poupança, o Governo tem produtos mas não tem estratégia. 

As percepções de curto prazo têm um peso importante quando se decide onde aplicar o dinheiro, embora conduzam ao abismo dos erros de avaliação. Uma comparação superficial entre certificados, depósitos e fundos de investimento, enganadora mas muito praticada, indica que a remuneração dos certificados do Tesouro é mais compensadora do que a de um depósito a um ano que oferece menos de 3%. E uma aplicação neste instrumento tradicional é melhor do que as rendibilidades negativas apresentadas por todos os fundos de acções nacionais durante os últimos 12 meses. 

Por detrás deste nevoeiro, esconde-se outra realidade. No último ano, mais de nove em cada dez fundos de investimento comercializados em Portugal registaram retornos positivos. Para quem observa apenas uma das árvores da floresta e ignora todas as outras, esta constatação será uma surpresa. É certo que rendibilidades passadas não garantem rendibilidades futuras. Mas o contraste entre o desempenho da bolsa nacional e o de milhares de fundos que investem para além do pequeno mercado português revela que há crise mas que também há oportunidades. 

Excluindo os casos em que os resgates de unidades de participação se justificam por necessidade, a fuga de dinheiro em direcção aos certificados do Tesouro ou aos depósitos bancários revela pouco sobre o desempenho dos fundos, que se fixou em 11%, em termos médios, nos últimos 12 meses. Mas indicia outra situação, mais preocupante. Muitos investidores convenceram-se que estavam no produto errado quando é provável que estivessem apenas a apostar no fundo errado.

fonte:jornaldenegocios

publicado por adm às 23:33 | comentar | favorito