As melhores poupanças para clientes de palmo e meio

Há cada vez mais produtos financeiros dirigidos para crianças. O Económico analisou a oferta dos cinco maiores bancos.

É de pequeno que se torce o pepino". O conhecido ditado popular também se aplica no que diz respeito à educação financeira dos miúdos. Sabem-no os pais, bem como os bancos que apostam cada vez mais na publicidade a aplicações específicas para este segmento da população. Basta dar uma vista de olhos pelos respectivos sites para encontrar "coloridas" referências a produtos para clientes de palmo e meio. Para cativar clientes, algumas instituições chegam a oferecer brindes como mealheiros, livros ou CD's. No entanto, em termos de rentabilidade os resultados são bastante mais "pálidos". O Diário Económico consultou os sites dos cinco maiores bancos portugueses- CGD, Millennium bcp, BES, Santander Totta e BPI- onde constatamos que, na melhor das hipóteses, os produtos financeiros para os mais pequenos rendem 4%, em termos brutos, ao ano. Muitas aplicações disponíveis a qualquer adulto oferecem rendibilidades semelhantes ou mesmo superiores.

Segundo Diogo Teixeira, administrador da Optimize, a reduzida rentabilidade oferecida pelas aplicações para investidores de ‘palmo e meio' não tem justificação económica. "Foi, aliás, um dos aspectos que mais me chocou quando cheguei a Portugal. Em França, para além das aplicações para crianças serem muito incentivadas, são isentas de impostos", recorda o responsável da Optimize. Na análise feita pelo Diário Económico, a maior parte das aplicações para os mais novos que encontradas são contas à ordem que servem de suporte à constituição de produtos de poupança. Entre as 13 aplicações analisadas, as remunerações brutas variam entre 0,35% e 4%. A mais elevada é concedida apenas por duas aplicações do Santander- a Super Conta Mesada e a Super Conta Jovem. Já a taxa de juro mais baixa é oferecida pela Conta Poupança Júnior do BES. Retirados os impostos, esse leque de taxas baixa para 0,27% e 3,14%- retornos pouco atractivos, sobretudo quando comparados a produtos com características semelhantes acessíveis à generalidade dos clientes, como os depósitos a prazo. Os últimos dados do Banco de Portugal, indicam que em Outubro os juros dos novos depósitos a particulares foram em média de 2,36%. A média das taxas de juro dos 13 produtos financeiros para crianças que analisamos é de apenas 1,79%. Ainda assim, segundo o banco Best, estas são as aplicações mais indicadas para clientes de palmo e meio. "Tendo em conta a legislação vigente, muito orientada para a preservação do capital nas aplicações sobre contas de menores, o produto ideal são as Contas Poupança", refere. O banco ‘online' realça nesses produtos vantagens como o facto de permitirem montantes mais baixos de acesso, bem como a flexibilidade de gestão (possibilidade de reforços) e a existência de prémios de fidelização que incentivem a poupança regular e de longo prazo. Mas, segundo Gonçalo Gomes do Activobank, tendo em conta uma aplicação com um horizonte temporal de cinco anos, "a solução deveria passar por uma carteira diversificada de acções e obrigações (por exemplo, através de um fundo de investimento), em lugar do tradicional aforro em soluções com capital garantido". Acrescentando que "é possível subscrever um plano de entregas em fundos de investimento a partir de 25 euros por mês". Um montante semelhante aos reforços permitidos nas contas poupança. Já Diogo Teixeira realça o papel dos PPR como poupança de médio/longo prazo. "Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, não se destinam apenas à reforma e podem ser resgatados a qualquer altura. Temos alguns casos de pais que subscrevem PPR por conta das crianças". O responsável realça o facto de que, contrariamente às contas poupança, este tipo de produtos beneficia de uma taxa de imposto reduzida à saída, bem como de retornos mais elevados. Por exemplo, os fundos PPR de categoria C (15% a 35% de exposição a acções) da APFIPP, renderam em média 9% em 2009. "Não devemos ir para extremos. Deve ser feita uma gestão sensata e equilibrada das poupanças das crianças", lembra Diogo Teixeira.


Oferta dos cinco maiores bancos

CGD
No maior banco português encontramos aplicações para os mais novos a oferecer TANB entre 0,4% e 3,4%. A taxa bruta mais baixa é nas contas à ordem CaixaCrescer (menores de 15 anos) e CaixaJovem (a partir dos 15 anos), desde que o montante de juros a creditar ultrapasse 1 euro. O mínimo para a abertura de conta são 100 euros. As remunerações mais elevadas estão no depósito a 4 anos Caixa PopPrazo: são de 3,4% na versão não mobilizável (3,4%), enquanto na versão mobilizável antecipadamente são crescentes semestralmente (TANB média de 1,813%). Os montantes mínimos de subscrição são 500 e 250 euros, respectivamente.

Millennium bcp
Nesta instituição, analisamos três aplicações que oferecem remunerações brutas entre 1% e 2,5%. Tratam-se da Poupança Net.Jovem (um ano), Poupança Mealheiro (90 dias) e Poupança Cresce e Aparece (30, 183 ou 366 dias). Em qualquer destes produtos o montante mínimo de subscrição e dos reforços é de 25 euros. No caso da Poupança Mealheiro, para além da TANB de 1% no primeiro ano da aplicação, existem prémios de permanência crescentes anuais de 0,1% no segundo ano, 0,2% no terceiro, 0,3% no quarto, e 0,4% no quinto e último ano. No final do prazo, a aplicação terá um prémio de permanência total de 1%.

BES
Neste banco encontrámos duas aplicações vocacionadas para os mais pequenos. Para crianças até 11 anos, a Conta Poupança BES Júnior oferece uma TANB de 0,35% para aplicações a partir de 100 euros e reforços a partir de 25 euros. Para miúdos até aos 18 anos, o BES disponibiliza a Poupança Crescente Júnior, um depósito com taxas crescentes semestrais a quatro anos remunerado com uma TANB média de 1,66%. É válido para aplicações superiores a 100 euros mas não permite reforços.

Santander
Das cinco maiores instituições bancárias analisadas, foi no Santander que encontrámos as aplicações vocacionadas para crianças com as remunerações mais elevadas. A TANB mais alta, de 4%, é oferecida em duas aplicações: a Super Conta Mesada e a Super Conta Jovem. Tratam-se de depósitos à ordem, no primeiro caso para crianças até 13 anos, e no segundo caso a partir dos 14 anos. O montante mínimo de abertura são 25 euros. Outro exemplo é o 1º Depósito Jovem. A sua TANB é de 2% por um depósito a três meses não renovável e válido para aplicações acima de 150 euros.

BPI
Neste banco apenas encontramos um produto específico para os mais pequenos. Trata-se da ABConta. destina-se a crianças ou jovens com menos de 18 anos, com um prazo de um ano, renovável por períodos superiores. À TANB de 0,69% acresce um prémio de 0,25% ao ano, a partir do segundo ano inclusive até ao máximo de 0,75%, desde que tenha ocorrido pelo menos um reforço e não tenham sido feitos levantamentos durante o ano contratual. O montante mínimo de subscrição são 100 euros e são permitidos reforços de 25 euros.

fonte:economico.sapo

publicado por adm às 23:49 | comentar | favorito