Taxas dos depósitos a prazo em mínimos de quatro anos

Remuneração dos depósitos das empresas atinge mesmo mínimo histórico, em 0,63%.

Vários factores parecem concorrer para justificar o actual nível de remunerações oferecidas pelos bancos nas aplicações a prazo de empresas e famílias. Apesar da tendência de descida das taxas de juro durar já há três anos, os últimos dois meses acentuaram este comportamento. A taxa de juro média dos depósitos de empresas caiu de 1,03% em Julho, para 0,72% em Agosto e, novamente, para 0,63% em Setembro. Ou seja, dois novos mínimos históricos. Por outro lado, a remuneração dos depósitos das famílias tocou um novo mínimo de quatro anos, nos 1,34%, o que compara com uma taxa média de 1,51% no mês anterior.

Se por um lado a tendência de longo-prazo de descida dos juros prende-se essencialmente com a necessidade dos bancos nacionais alargarem a margem financeira, Agosto e Setembro trouxeram ainda duas novas realidades. A falência do BES em Agosto provocou uma transferência na ordem dos seis mil milhões de euros em depósitos para CGD, BCP, BPI e Santander. Ou seja, a pressão da procura terá dado margem aos bancos para negociarem taxas mais baixas. Por outro lado, recorde-se que o BCE agravou a taxa de depósitos na instituição, de -0,1% para -0,2% em Setembro, o que significa que os bancos pagam 0,2% para parquear os seus depósitos no BCE, em vez de receberem.

O mesmo acontece aliás com os depósitos interbancários até duas semanas. A Euribor a uma semana segue negativa, em -0,016%, enquanto a Euribor a duas semanas cota em -0,009%. Ou seja, os bancos não recebem por depositar dinheiro, antes têm custos, o que acaba por se reflectir na taxa oferecida ao consumidor final. Apesar da fraca remuneração destes produtos, o montante total de depósitos de famílias e empresas continua a aumentar. Em Setembro, o total de depósitos de famílias cresceu 188 milhões de euros, para quase 100,5 mil milhões. Enquanto as aplicações a prazo das empresas aumentaram em 688 milhões de euros, para um total de 14,7 mil milhões. Também os novos depósitos, constituídos em Setembro, permanecem dentro da média mensal do último ano, com as empresas a aplicarem 5,4 mil milhões de euros nesse mês, enquanto as famílias depositaram a prazo 6,2 mil milhões de euros.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 20:27 | comentar | favorito