Taxa dos depósitos a prazo recua para mínimo de 2010

Os juros oferecidos pelos bancos continuam a descer. A taxa média apresentada pelas instituições nacionais nas novas aplicações com um prazo até um ano desceu em Dezembro para um mínimo de 2010. É de 1,26%.

Os depósitos a prazo estão a render cada vez menos. Há muito que os bancos estão a cortar nos juros oferecidos, sendo que em Dezembro a taxa média apresentada para aplicações com um prazo até um ano atingiu um novo mínimo de cinco anos. O juro, de acordo com os dados do Banco Central Europeu, caiu para apenas 1,26%.

 

Depois de ter registado uma ligeira inversão em Novembro, com a taxa média a subir de 1,30% no mês anterior para 1,34%, a taxa dos depósitos a prazo voltou a cair no último mês do ano passado. Segundo dados divulgados esta quarta-feira, 4 de Fevereiro, pelo BCE, a rendibilidade média das aplicações das famílias caiu para o nível mais baixo desde Maio de 2010.

 

Os bancos estavam, em Dezembro, a pagar uma taxa média de 1,26% nas novas aplicações a prazo, um juro baixo que traduz o contexto de taxas baixas que se vive na Zona Euro em resultado da política monetária do BCE.

 

Esta descida das taxas dos bancos durante o ano passado levou muitas famílias a desistirem dos depósitos a prazo, procurando as taxas altas, entre outros, dos produtos do Estado. Só em 2014 entraram mais de cinco mil milhões de euros nos certificados.

 

No final de 2014 os bancos tinham 134.792 milhões de euros em depósitos. Deste valor, 102.319 correspondiam a aplicações a prazo – no ano anterior o montante era de 103.713 milhões. Ou seja, os depósitos a prazo caíram 1,34%, o que corresponde a 1,39 mil milhões de euros.

 

Acelerar a descida

 

Com esta taxa de 1,26%, os bancos apresentavam no final do ano passado um juro inferior ao praticado pelos produtos do Estado que, contudo, viram a sua remuneração afundar neste mês de Fevereiro. Os certificados de aforro passaram a pagar 1,058%, este mês (menos do que os depósitos em Dezembro), já a taxa média dos CTPM caiu para 2,25%.

 

"Alguns bancos podem aproveitar nos próximos meses para cortar mais as taxas", ajustando-se à descida registada nos produtos de poupança do Estado, explica António Ribeiro, economista da Deco. "É possível" que o corte das taxas dos certificados dite uma descida ainda maior dos juros dos depósitos, afirma Paula Gonçalves Carvalho. "Estamos a assistir a ajustamentos sucessivos em direcção a novos referenciais", refere a economista-chefe do BPI.

 

"A queda dos juros dos certificados poderá ser levada em conta, mas não é o principal factor que condiciona os juros dos depósitos bancários", nota Filipe Garcia, da economista do IMF. E acrescenta: "Os juros dos depósitos têm tendência a cair por si só, em resultado das condições do mercado interbancário", onde as taxas chegam a ser negativas nas maturidades mais curtas.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/m

publicado por adm às 21:46 | comentar | favorito