26
Ago 11

Troque certificados por obrigações do tesouro

Se tiver vários milhares de euros empatados em certificados de aforro ou do tesouro, saiba que os juros que consegue através das obrigações do tesouro são mais elevados sem que isso represente um aumento do risco da sua poupança.

 

O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, a entidade responsável pelo dinheiro do Estado português, voltou a fixar a taxa de juro máxima dos certificados do tesouro nos 7,10% em Agosto para quem permanecer com as aplicações durante uma década. Apesar de os juros que Portugal tem de pagar se pedir dinheiro no mercado serem muito superiores, a rendibilidade oferecida aos pequenos aforradores detentores de certificados do tesouro não é revista desde Março. 

A situação é semelhante nos certificados de aforro: as subscrições efectuadas em Agosto capitalizam a uma taxa anual de 1,617% durante um trimestre, quando, no início do mês, o Estado vendeu 750 milhões de euros de bilhetes do tesouro a três meses a uma taxa média muito perto de 5%.

Em teoria, o risco das Obrigações do Tesouro é exactamente o mesmo dos certificados de aforro e do tesouro, porque se o Estado português não tiver capacidade de pagar os juros e o capital de uns títulos também não terá para os outros. Há, no entanto, algumas vozes que dizem que, se houver um espírito paternalista dos governantes, dificilmente os certificados serão afectados, porque representam as poupanças das famílias portuguesas. Além disso, os 14,3 mil milhões de euros aplicados nesses títulos representam menos de 9% da dívida directa do Estado, segundo as últimas estatísticas. 

Se as obrigações do tesouro são mais rentáveis do que os certificados de aforro e do tesouro, por que não investem as famílias nesses títulos? Porque são menos acessíveis e acarretam custos. 

Um mercado de especialistas 
Embora haja mercados regulamentados nos quais se transaccionam obrigações, como a Euronext Lisbon e a MTS Portugal, o grosso dos negócios efectuados neste segmento não é registado nessas praças. Ao contrário do mercado accionista, a maioria das operações sobre obrigações é realizada directamente entre dois intermediários financeiros não passando por uma bolsa, o que torna difícil o acesso dos pequenos investidores. 

Muitos bancos disponibilizam a compra e a venda de títulos de dívida pública através da Euronext Lisbon. Contudo, além de normalmente não oferecerem todas as emissões de obrigações do Estado português, a liquidez é reduzida: no início de Agosto, o último negócio efectuado sobre as obrigações do tesouro que se vencem em 2019 tinha sido realizado mais de quatro meses antes. Antes de fazer qualquer oferta, os interessados devem confirmar que há outros investidores disponíveis do lado oposto. Os títulos de dívida pública portuguesa mais populares na Euronext Lisbon têm sido os que se vencem em Junho de 2012 e Setembro de 2013.

Apesar das limitações dos mercados regulamentados, os custos podem ser muito baixos. É possível negociar obrigações pagando comissões inferiores a 0,1% do valor transaccionado. Nos serviços de banca electrónica, os custos podem ser inferiores a oito euros por ordem de bolsa. 

Alguns bancos já sabem que há aforradores que querem comprar obrigações com as vantagens das operações fora de mercado. O Banco Best estreou uma plataforma que permite aceder a um vasto leque obrigacionista. Através do seu sítio na Internet, é possível consultar cotações indicativas de mais de oito dezenas de obrigações, incluindo dívida pública portuguesa, e dar ordens de compra e de venda sobre essas emissões. A partir dessas instruções, os operadores do Banco Best procuram executar as ordens no mercado. 

Para os pequenos investidores não é barato investir em obrigações fora do mercado. O Banco Best cobra um mínimo de 100 euros por operação de compra ou de venda. O Banco BIG que também permite a negociação de várias obrigações através da Internet, é mais barato: a comissão mínima de negociação é de 30 euros. Ambos cobram 2% sobre os juros de obrigações. O Banco Big isenta a comissão de guarda de títulos na carteira de obrigações adquiridas pela Internet.









Fundos de obrigações soberanas arrastados pela crise

Os gestores de fundos não conseguem manter os títulos até à maturidade. Logo, as rendibilidades potenciais elevadas oferecidas pelas obrigações não são concretizadas.

Olhando apenas para a rendibilidade potencial das obrigações soberanas da Zona Euro, os fundos que investem nesses títulos poderiam ser considerados boas alternativas a entrar directamente num mercado mais complexo do que o das acções. Porém, nem sempre os fundos são uma alternativa ao investimento directo. 

As rendibilidades implícitas nas cotações actuais dos títulos de dívida soberana apenas são concretizadas se o aforrador os mantiver até ao seu vencimento. Ao adquirir uma participação num fundo não há a garantia de que o gestor permanecerá com esses títulos no portefólio até à sua maturidade, garantindo, assim, a elevada taxa de rendibilidade. O que acontece é que os gestores precisam de gerir os fluxos de dinheiro (que acontecem essencialmente devido às subscrições e aos resgates), o que os leva a alienar obrigações antes de chegarem ao vencimento ou a trocá-las por outras que estão mais interessantes. Ao longo de 2010, o Montepio Taxa Fixa, por exemplo, um fundo de obrigações que tem investido maioritariamente em dívida pública, negociou o equivalente a mais do dobro da sua carteira. 

Melhores evitam Zona Euro 
Apenas três fundos cotados em euros que investem em obrigações soberanas conseguiram um ganho no último ano, segundo a Morningstar. Os dois melhores não investiram na Zona Euro: o Eurizon EasyFund Bond GBP e o Eurizon EasyFund Bond USD apostam em dívida pública do Reino Unido e dos Estados Unidos da América, mas realizam a cobertura cambial. Assim, os investidores portugueses conseguem ganhar (ou perder) sem se preocuparem com o movimento do euro-libra ou do euro-dólar. 

O terceiro fundo que não perdeu no último ano foi o Dexia Bonds Euro Government Top Rated. Os gestores da Dexia Asset Management apenas investem em obrigações com uma classificação de AAA, o "rating" máximo atribuído pelas agências de avaliação de dívida. 

Face ao risco crescente nos mercados de dívida, vários gestores de fundos de obrigações voltaram-se quase exclusivamente para os títulos soberanos, embora as políticas de investimento não os obriguem. Além do Montepio Taxa Fixa, é o caso do BPI Euro Taxa Fixa: há mais de cinco anos que só investe em dívida pública da Zona Euro.






Conheça os Fundos soberanos
Estes são os fundos cotados em euros que investem em obrigações soberanas que mais renderam (ou menos perderam) ao longo do último ano. Os gestores destes produtos apenas compram e vendem emissões de Estados para as suas carteiras.






Há mais obrigações além da dívida pública

As rendibilidades potenciais de muitas emissões de dívida privada são superiores às das obrigações do tesouro.

Embora as emissões de dívida pública representem 43,20% do valor mundial do mercado de obrigações, que está avaliado em 67 biliões de euros, segundo o Banco de Pagamentos Internacionais, os investidores têm outros segmentos para explorar. 

No universo privado, a fatia mais importante do mercado pertence às instituições financeiras, responsáveis por 44,94% das obrigações emitidas a nível global. Se está disposto a correr algum risco, as obrigações dos bancos portugueses oferecem retornos superiores aos da República Portuguesa. 

A rendibilidade anual até à maturidade de uma obrigação do Banco Comercial Português que se vence em Abril de 2014 rondava os 18% em meados de Agosto, segundo a plataforma de negociação do Banco Best. Uma emissão do Banco Espírito Santo com maturidade em Junho de 2014 estava perto dos 15%, segundo o sítio do Banco Big. A dívida da Caixa Geral de Depósitos podia render cerca de 12% até Maio de 2013. 

Alguns intermediários financeiros reduzem as comissões sobre os títulos emitidos por si. A Caixa, por exemplo, cobra 10 euros na negociação de obrigações emitidas pelo seu grupo, desde que a operação não envolva outros intermediários. O Banco BPI não cobra comissões pelo pagamento de juros e pelo reembolso de títulos do seu grupo.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt
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01
Jan 11

Juros das obrigações do tesouro a 10 anos cresceram 62% em 2010

Os juros que os investidores internacionais exigem para comprar dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário subiram 62% desde Janeiro, numa escalada potenciada pelos fracos crescimento e competitividade da economia nacional, aliada a dificuldades orçamentais.

A 31 de dezembro de 2009, os juros das obrigações do tesouro fecharam na média de 4,069. Um ano depois, os mesmos títulos foram transacionados no mercado secundário a 6,601%, num crescimento de 62,2%. 

No mesmo período, os juros da dívida soberana a 10 anos da Grécia cresceram 116%, os da Irlanda 87% e da Espanha 37%. 

Entretanto, a crise financeira e económica tornou as dificuldades das finanças públicas de alguns países europeus mais visíveis aos olhos dos mercados, o que juntando ao fraco crescimento económico e ao alto nível de endividamento portugueses, tem feito subir os custos de financiamento dos Estados. 

A Grécia foi o primeiro país a pedir oficialmente ajuda financeira à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional, logo a 23 de abril, perante um quadro agravamento dos custos da sua dívida e do corte do 'rating' do país pelas agências de notação financeira, que viriam a cortar também o 'rating' da dívida soberana portuguesa. 

A 28 de abril, os juros da dívida portuguesa a 10 anos chegaram aos 5,809%, no mesmo dia em que o primeiro-ministro anunciou medidas de reforço ao Programa de Estabilidade e Crescimento, como alterações ao subsídio de desemprego e maior controlo no pagamento das prestações sociais. 

No mês seguinte, a 7 de maio, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos voltaram a bater um novo máximo, ao atingir os 6,285%. 

O verão significou um período de acalmia nos juros das obrigações portuguesas mas, no regresso da 'silly season', os mercados voltaram a penalizar a dívida portuguesa e os juros destes títulos bateram os 6,512% a 28 de setembro. 

Um máximo atingido na véspera de o Governo ter apresentado, a 29 de setembro, um novo pacote de medidas de austeridade, que passou pelo aumento do IVA de 21 para 23% e por cortes nos salários da administração pública acima de 1.500 euros. 

Ameaça do FMI

A 9 de outubro, o ministro das Finanças disse em entrevista ao Expresso que caso se os juros ultrapassem o limite de sete por cento Portugal "entra num terreno" em que "essa alternativa (recorrer ao FMI) começa a colocar-se". 

Declarações com que Teixeira dos Santos teve dificuldades em lidar quando a 10 de novembro, os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos atingiram os 7,036% na média do dia. 

Até ao momento, este valor mantém-se como o máximo histórico pedido pelos investidores para comprar títulos da dívida portuguesa a 10 anos no mercado secundário. 

No entanto, continuam as pressões sobre a dívida portuguesa e, depois de a Irlanda ter recorrido formalmente em meados de novembro ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, vários analistas têm vindo a antecipar que Portugal pode ser o próximo país a ceder à pressão dos mercados e a pedir ajuda externa. 

fonte:Lusa


 

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