Conheça os novos certificados que apostam nas obrigações do Estado

Os certificados OT são negociados em bolsa e oferecem aos investidores mais uma opção para investirem na dívida pública.

Para lá de todas as sérias contingências que a crise soberana na zona euro teve sobre a economia da região, é indiscutível que a crise teve o condão de ressuscitar o apetite por produtos de dívida do Estado, que há muito estavam esquecidos pelos investidores mais agressivos. Não era para menos: até Julho do ano passado a única alternativa que os pequenos investidores tinham para ganhar exposição directa à divida do Estado português resumia-se aos certificados de aforro. Mas essa realidade mudou.

Hoje, além dos certificados de aforro, as famílias têm à sua disposição certificados do Tesouro, cuja remuneração está directamente ligada à ‘yield' das obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos. Além disso, desde a semana passada existem três certificados OT cotados na bolsa de Lisboa, que acompanham a evolução de algumas obrigações do Tesouro. "Com o lançamento deste novo produto e a sua admissão na NYSE Euronext Lisbon, os investidores particulares e institucionais terão agora acesso, de forma eficiente, às rendibilidades geradas pelas Obrigações do Tesouro emitidas pelo Estado Português", referiu Miguel Geraldes, director de Mercados da NYSE Euronext Lisbon, na apresentação dos certificados OT na semana passada.

 

Identidade dos certificados
Desenvolvidos pelo Commerzbank os certificados OT são produtos financeiros complexos que replicam o desempenho de um índice construído pelo banco alemão que tem como activo subjacente uma série de obrigações do Tesouro. O preço dos certificados OT será determinado com base nas oscilações da cotação das respectivas obrigações soberanas no mercado secundário mas também com base na procura e na oferta dos próprios certificados em bolsa. Além disso, a cotação destes certificados terá ainda em conta uma comissão anual cobrada de 0,75%.

O Commerzbank revelou que, numa primeira fase, serão apenas disponibilizados aos investidores três certificados OT, que terão como activo subjacente as obrigações do Tesouro com maturidade em 2013, 2016 e 2018.

Do ponto de vista do pequeno investidores, estes produtos revelam-se numa alternativa interessante para apostar na dívida do Estado, desde logo porque os juros decorrentes do pagamento da taxa de cupão das obrigações não são retidos sem sede de IRS à taxa de 21,5% e são reinvestidos, permitindo assim tirar proveito do efeito de capitalização dos juros. O senão é que para comprar e vender estes produtos é preciso fazer contar às comissões de negociação e de guarda de títulos que, quando se trata de montantes de investimento reduzidos, é fácil essas comissões "comerem" grande parte da rendibilidade. Algo que não acontece com os certificados do Tesouro, nem com os certificados de Aforro.

A liquidez destes produtos é outro ponto forte. Hélio Cláudio, responsável do departamento de distribuição internacional do banco alemão em Portugal, referiu, também na apresentação do produto, que o preço de compra e de venda destes produtos deverão apresentar um diferencial de 3%. Na sexta-feira, o ‘spread' entre o ‘bid' e o ‘ask' era de 2%. Além disso, ao contrário dos certificados de aforro e do Tesouro, que têm um período mínimo de investimento de três e seis meses, respectivamente, os certificados OT são negociados em bolsa podendo ser comprados e vendidos em segundos.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 22:37 | comentar | favorito