Saída dos depósitos volta a intensificar-se em Dezembro

Famílias e empresas retiraram mais de 600 milhões de euros líquidos de depósitos a prazo no último mês. Total de aplicações em 2013 desceu para mínimos de quatro anos.

Os depósitos a prazo parecem ter saído definitivamente das boas graças dos portugueses, que retiraram mais de 600 milhões de euros líquidos destas aplicações só em Dezembro, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central Europeu. Isto depois de no mês anterior as novas aplicações neste produto terem registado o valor mais baixo dos últimos oito anos. A concorrer para isso estará por um lado o ligeiro aumento do consumo, mas principalmente a pressão da concorrência.


Do ponto de vista do retorno a maioria destas aplicações perdeu interesse no último ano, com a taxa de juro média dos novos depósitos a rondar 1,9% para as famílias, ou no caso das empresas, 1,4%. A remuneração dos depósitos atingiu o pico em Outubro de 2011, nos 4,5%, e desce desde então. Os juros oferecidos actualmente nos depósitos comparam mal com a concorrência mais directa. Os Certificados de Aforro pagam cerca de 3%, assim como os seguros de capitalização, enquanto a rentabilidade média dos novos Certificados do Tesouro atinge 4,25% ao final dos cinco anos. Mesmo a 12 meses a taxa de juro deste novo produto bate a taxa média dos depósitos, oferecendo 2,75%.


O ‘stock' de depósitos a prazo das famílias diminuiu em 120 milhões de euros em Dezembro, a segunda maior retirada do ano, enquanto as empresas resgataram 516 milhões, o valor mais alto dos últimos 12 meses.


A tendência não é nova mas parece estar a ganhar tracção. Depois do aumento expressivo do investimento das famílias nestas aplicações em 2011 - quase 13 mil milhões de euros - o ‘stock' de depósitos estabilizou na casa dos 103 mil milhões de euros desde Setembro de 2012. No acumulado do último ano a carteira de depósitos dos bancos aumentou apenas 705 milhões de euros, o que é o pior registo desde 2009.


A verdade é que a recente conjuntura é propícia ao reforço da tendência descrecente dos depósitos nos próximos meses: as taxas de juro oferecidas pelos bancos estão em mínimos de 40 meses e deverão continuar a corrigir; a confiança dos consumidores portugueses está aumentar e começam a surgir sinais de preferência pelo consumo em detrimento da poupança; e os Certificados do Tesouro Poupança Mais, que começaram a ser comercializados em Novembro, apresentam taxas atractivas a curto e a longo-prazo.

 fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 23:27 | comentar | favorito