Produtos do Estado vão pagar menos e podem ficar quase ao nível dos depósitos

Desde 2012 que os certificados do Estado são a alternativa segura para quem quer aplicar a curto prazo, com baixo risco e rendimento garantido. Agora, o Governo decidiu voltar a baixar as taxas dos Certificados de Aforro e do Tesouro e, já a partir de fevereiro, estes produtos vão passar a render menos.

Resta saber quais serão as novas condições, que só são anunciadas nas próximas semanas. Mas os depósitos da banca estão a render tão pouco que esta pode continuar a ser a alternativa mais atrativa.

Não querendo fazer uma estimativa de qual será a descida das taxas, o economista Filipe Garcia, da IMF, acredita que não fará sentido "mexer pouco" nas condições. "Não estou à espera de uma queda inferior a, pelo menos, um ponto percentual na rentabilidade", diz ao Dinheiro Vivo.

Só que, com a taxa bruta dos certificados de aforro atualmente a rondar os 3%, isso significa que estes produtos continuam a pagar mais do que a maioria dos depósitos a prazo da banca. Já no caso dos Certificados do Tesouro Poupança Mais, a taxa varia entre 2,75% e 5% brutos. Em termos efetivos, garante 3% líquidos se mantiver durante os cinco anos, sendo um produto indicado para quem pretenda aplicar montantes superiores a 1000 euros por prazos entre dois a cinco anos.

O que fará sentido, considera Filipe Garcia, é que estes produtos continuem a oferecer melhor rentabilidade do que a banca. Por um lado, porque, mesmo que o dinheiro esteja disponível passado determinado período - os certificados de aforro são reembolsáveis um trimestre após a data da sua subscrição - "a mobilidade não é a mesma do que nos bancos", pelo que tem de ter outro tipo de benefício. Por outro, "há a vontade do Estado em tornar estes produtos como produtos de permanência, ou seja, o Estado não quer que as condições fiquem tão más que todos deixem de lá colocar dinheiro". Até porque o IGCP, agência que gere a dívida pública, ainda quer captar 2,5 mil milhões de euros este ano.

Os depósitos estão a pagar pouco. Segundo os últimos dados do Banco de Portugal, em novembro do ano passado, a taxa de juro média dos novos depósitos foi de 1,33%. Isto em termos brutos. O que significa, segundo a Deco, que a maior parte dos depósitos atuais deverá proporcionar rendimentos reais negativos. Ainda assim, há alguns depósitos que vale a pena levar em consideração. É o caso dos depósitos para prazos de 6 ou 12 meses. Segundo o levantamento feito pela associação de defesa dos consumidores, as melhores taxas que irá encontrar são em depósitos promocionais, geralmente para novos clientes ou novos capitais.

No Banco Best, por exemplo, os novos clientes dos depósitos a 3 meses recebem 2,7% líquidos. No entanto, uma vez que as taxas deverão manter-se baixas ou mesmo descer ainda mais nos próximos meses, a Deco recomenda que opte pelos depósitos de períodos mais longos. A melhor taxa para o prazo de doze meses é de 2,2% no Invest e no Finantia. O primeiro é exclusivo para novos capitais e o segundo para montantes superiores a 50 mil euros.

Mas o conselho da Deco é que, se tem poupanças para aplicar em produtos de capital garantido, o melhor é mesmo aproveitar as taxas que ainda vigoram até ao final deste mês. "Os certificados de aforro são ideais para aplicar até dois anos", já que oferecem "elevada liquidez e garantem um bónus de 2,75% até final de 2016". Assim, nos próximos dois anos, "tem a garantia de a remuneração líquida nunca ser inferior a 2%", refere a associação de defesa dos consumidores, lembrando que o montante mínimo exigido é de 100 euros.

Mais importante, alerta a associação, "não aceite depósitos com taxas brutas inferiores a 1,4%", que equivalem a 1% líquidas.

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 20:18 | comentar | favorito