Depósitos invertem tendência e voltam a cair

Depois de um aumento expressivo durante três meses, o valor dos depósitos dos particulares diminuiu em Agosto. O balanço dos bancos e de outras instituições financeiras mostram que o montante acumulado dos depósitos ficou aquém dos 134 mil milhões de euros nesse mês.

Um recuo de 0,31% em relação a Julho, equivalente a 414 milhões de euros, colocou o volume dos depósitos nos 133.767 milhões de euros, mostram dados actualizados pelo Banco de Portugal, que no entanto não permitem perceber as movimentações de clientes de um banco para outro.

Nos três meses anteriores, a tendência foi de reforço dos depósitos, o que se acentuou em Junho e Julho. O aumento aconteceu não apenas por razões sazonais (entrada de remessas de emigrantes), mas também pelo pagamento integral dos subsídios de férias dos funcionários públicos e pensionistas, e pela reposição dos salários dos trabalhadores do Estado, depois de o Tribunal Constitucional ter chumbado no final de Maio os cortes que vigoravam desde Janeiro.

Só em Julho – mês que se acentuou a instabilidade no Banco Espírito Santo (BES), que viria a ser resgatado a 3 de Agosto com o apoio capitais públicos e fundeados na restante banca – houve um crescimento dos depósitos dos particulares no valor de 2105 milhões de euros, um reforço mensal que só tem comparação valores de Julho de 2011.

Este crescimento expressivo fez com que o balanço dos depósitos ultrapassasse a barreira dos 134 mil milhões de euros, um valor máximo de depósitos desde Outubro de 1989, período a partir do qual o Banco de Portugal tem registo destes dados.

Em Agosto, a trajectória de reforço dos depósitos inverteu-se, tal como acontecera nos dois anos anteriores. E ao mesmo tempo em que se verificou uma queda no valor dos depósitos, houve um aumento nos produtos de poupança do Estado, com as subscrições de certificados de aforro a atingiremvalores historicamente elevados, superando os 300 milhões de euros.

O reforço das aplicações dos portugueses em produtos de dívida pública portuguesa vendida aos balcões de retalho dos CTT tem vindo a acentuar-se no último ano, tanto pelas rentabilidades oferecidas nestes instrumentos de poupança (taxas superiores às oferecidas pelos bancos em novos depósitos), como pela redução do risco associada à dívida soberana.

Quanto aos depósitos das empresas, registou-se em Agosto um aumento, tal como já tinha acontecido no mês anterior. Depois de um reforço superior a 680 milhões de euros em Julho, o volume dos passivos das instituições financeiras face às empresas cresceu 1,22%. O aumento correspondeu a 356 milhões de euros, colocando o balanço dos depósitos nos 29.452 milhões de euros.

fonte:http://www.publico.pt/e

publicado por adm às 19:07 | comentar | favorito