Famílias perderam 256 milhões de euros em juros dos depósitos

As taxas de juro dos depósitos disponíveis em Portugal não param de cair.

Longe vão os tempos em que sair de uma agência bancária com um depósito a prazo com uma remuneração atractiva era uma missão bastante simples. Depois da "época dourada" que levou os juros dos depósitos a prazo para níveis recorde no final de 2010, hoje os tempos que se vivem são mais de "vacas magras". A gradual diminuição dos juros oferecidos nos depósitos a que temos assistido - consequência dos níveis historicamente baixos dos juros de referência e à falta de pressão para a banca captar recursos - resulta numa queda considerável de retornos para os depositantes. Tendo em conta o saldo actual de aplicações a prazo, só este ano, a perda cifra-se em mais de 250 milhões de euros.

Segundo dados do Banco de Portugal, no final de 2012, existiam aproximadamente 63,1 mil milhões de euros aplicados em depósitos até dois anos e 37,76 mil milhões de euros em prazos superiores. A cada um dos segmentos correspondia uma taxa de juro média de 2,9% e 3,04%, respectivamente. Contas feitas, ao ‘stock' de 100,87 mil milhões de euros em depósitos a prazo existente nesse mês correspondia um bolo de juros de 2,98 mil milhões de euros. Já no final de Julho deste ano, os juros associados aos 101,69 mil milhões de euros de depósitos a prazo existentes- 62,17 mil milhões em depósitos até dois anos e 39,52 mil milhões de euros em aplicações de prazos superiores- totalizam 2,72 mil milhões de euros. Ou seja, menos 256,38 milhões de euros face ao valor que se verificava no final de 2012.

Este corte resulta sobretudo da queda da taxa de juro média das aplicações para prazos inferiores a dois anos que passou a ser de 2,42%. A diminuição do retorno oferecido nos depósitos com prazos mais curtos levou, aliás, os portugueses a transferir aplicações de curto e médio prazo para maturidades superiores a dois anos, procurando garantir a melhor taxa de juro por um período mais alargado. De salientar que, nos prazos superiores a dois anos, a taxa de juro média tem-se mantido estável ao longo dos últimos meses, ligeiramente acima do 3%.

Estarão os bancos a mudar de estratégia na remuneração dos depósitos?

No entanto, ao olhar para a oferta dos bancos constata-se que os depósitos disponíveis para novas aplicações não aparentam dar seguimento a essa tendência. Neste momento, as taxas de juro mais atractivas estão a ser oferecidas nos prazos mais curtos. Ao analisar a oferta de 21 instituições financeiras a operar em Portugal (ver caixas abaixo), o Diário Económico identificou 14 depósitos a prazo a remunerar com taxas de juro brutas a partir de 3,3% (TANB), sendo que desse conjunto apenas quatro são para períodos superiores a dois anos, enquanto oito são até 12 meses. Essa situação deve-se possivelmente a uma mudança de estratégia dos bancos. Se num primeiro momento as aplicações com prazos longos serviram os interesses dos bancos - que aumentaram consideravelmente a sua oferta dada a necessidade de manterem níveis de liquidez estáveis - agora são uma fonte de pressão para as margens das instituições financeiras. Tendo em conta as taxas de juro de mercado deprimidas, os bancos estão a receber juros de crédito a taxa variável mas a pagar taxas fixas contratadas há vários meses. Dessa forma, têm toda a vantagem em reduzir a sua exposição a aplicações com prazos mais alargados, preferindo privilegiar as de períodos mais curtos.

 fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 22:56 | comentar | favorito