Mais oito mil milhões de euros em depósitos desde a crise

A crise, a instabilidade nos mercados e a ameaça de mais cortes no rendimento das famílias levaram os portugueses a refugiarem-se nos depósitos a prazo. Desde maio de 2011, quando Portugal pediu ajuda à troika, as famílias colocaram cerca de oito mil milhões de euros em depósitos. Apesar das taxas serem cada vez mais baixas.

Segundo os dados do Banco de Portugal, em maio de 2011, o saldo de depósitos a prazo de particulares era de 122,2 mil milhões de euros. Já em novembro do ano passado o montante ascendia a 130,2 mil milhões de euros, uma subida de 7%.

Com o fecho dos mercados a Portugal e o aumento das dificuldades de financiamento, os bancos apostaram na captação de depósitos para garantir o financiamento. Além disso, a necessidade de cumprirem a meta estipulada para o rácio de transformação de crédito em depósitos (120% até 2014) contribuiu também para a necessidade de a banca captar mais depósitos, levando as instituições a oferecerem taxas de juro mais atrativas para as novas operações.

Mas durou pouco. Para travar a subida galopante das taxas de juro, que poderia colocar em causa a solvabilidade das instituições, o Banco de Portugal limitou a subida. O regulador definiu que os bancos que oferecessem uma taxa de juro superior em 300 pontos base à taxa de mercado seriam penalizados no seu rácio de capital de base (core tier 1).

A medida levou a uma inversão da tendência e ditou a queda dos juros oferecidos pela banca nas novas operações de depósitos. Os dados do Banco de Portugal mostram que, num ano, o ganho num depósito de 5000 euros caiu 30%, em resultado da descida da taxa. Enquanto em novembro de 2011, o juro oferecido pela banca era, em média, de 3,64%. Um ano depois a taxa bruta média rondava os 2,49%. Se a esta descida for ainda contabilizado o aumento da retenção na fonte em sede de IRS a rendibilidade dos depósitos a prazo é ainda inferior.

"A descida das taxas de referência de curto prazo, como a Euribor, as restrições impostas pelo Banco de Portugal" e, por último, "os sucessivos agravamentos da taxa de imposto que, entre o final de 2011 e início de 2013, passou de 21,5% para 28%" terão contribuído para a queda do retorno oferecido pelos depósitos, referem os analistas da revista da Deco, Proteste Investe, numa análise feita no início do ano.

Os especialistas da associação de defesa de consumidores adiantam ainda que, no início do ano, os bancos apresentaram novos preçários com taxas ainda mais baixas. Um depósito de 5 mil euros a um ano rende agora entre 0,07 e 3,9%. A média situa-se em 1,5%. No entanto, alertam para o facto de nem sempre os depósitos garantirem ganhos reais. "Uma das regras fundamentais é garantir que as suas aplicações superam a taxa de inflação, caso contrário estará a perder poder de compra. Para 2013, o Banco de Portugal prevê uma inflação de 0,9%. Assim, não aceite depósitos com uma taxa bruta inferior a 1,3%", acrescentam os especialistas na nota de análise.

Atualmente, de acordo com a Deco, a melhor taxa oferecida, já com a retenção na fonte, é no Privatbank.

fonte;http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 13:35 | comentar | favorito