Dicas para obter um depósito atrativo

Depois de um ano de 2011 em que os aforradores foram brindados com taxas de juro exuberantes nos depósitos a prazo, o momento actual sugere que estamos a enfrentar um período de mais acalmia. Não só as taxas de juro nestas aplicações têm vindo cair, como também têm surgido no mercado soluções de poupança e investimento que concorrem com os depósitos a prazo. Apesar desta nova realidade, tal não significa que os investidores/aforradores devam excluir os depósitos das suas carteiras. O Saldo Positivo explica-lhe porquê.


Depósitos continuam a bater a inflação

Analisando as médias das taxas de juros oferecidas atualmente pelos novos depósitos (2,68%) elas continuam mais elevadas  face aos valores praticados há dois ou três anos atrás. Por exemplo: no final de Outubro de 2010 situavam-se nos 2,36%, enquanto que em Outubro de 2009, a remuneração média situava-se nos 1,77%.  Além disso, o rendimento atual proporcionado pelos depósitos continua a ser bater a inflação. Esta é aliás uma das preocupações que os investidores/aforradores devem ter em conta quando escolhem uma aplicação financeira para investirem as suas poupanças. Porque se o rendimento proporcionado por um produto financeiro for inferior à inflação, em termos reais esse investidor estará a perder dinheiro. As estimativas do Governo apontam para uma taxa de inflação no próximo ano de 0,9%, enquanto as previsões do Banco de Portugal apontam para um valor ligeiramente acima: 1%. Ou seja, tendo em conta a atual remuneração média dos novos depósitos (2,68%), estas aplicações continuam a bater este indicador.

E apesar da concorrência crescente de outros produtos- como os Certificados de Aforro ou as obrigações de empresas dirigidas para particulares– a verdade é que é possível encontrar no mercado alguns depósitos a prazo com taxas mais elevadas face à média do mercado. Segundo um levantamento feito pelos especialistas da Deco Proteste no início de novembro, existiam na altura pelo menos 32 depósitos com o prazo de um ano com taxas iguais ou superiores a 3,25%.

Liquidez: uma característica cada vez mais valorizada

A favor dos depósitos está também o facto de terem uma característica que é atualmente bastante valorizada pelos investidores: a sua elevada liquidez. Ou seja, numa altura em que os orçamentos das famílias sofrem ajustamentos severos é importante ter uma parte das poupanças alocada em instrumentos financeiros de elevada liquidez para rapidamente serem resgatados em caso de necessidade.  Esta poderá ser, aliás, uma das várias explicações para o facto de o ‘stock’ de depósitos das famílias portuguesas estar a cair há três meses consecutivos.

Quatro estratégias para escolher o melhor depósito

Aqui ficam então algumas dicas para o ajudar a escolher o depósito mais atrativo para as suas poupanças:

1. Faça a prospeção do mercado e negoceie: Se quer ter um depósito com uma taxa atrativa deverá fazer uma visita a vários bancos (mesmo aqueles onde não é cliente) para saber quais são as taxas que as instituições estão a oferecer. Este trabalho de prospeção poderá dar-lhe trunfos para negociar uma taxa mais interessante com o seu banco.

2. Montantes elevados são sinónimo de taxas mais atrativas: É comum as instituições bancárias darem uma bonificação na taxa de juro quando estão em causa depósitos com montantes elevados. Se é esse o seu caso, faça valer este argumento junto da sua instituição financeira.

 3. Depósitos online compensam: Se está familiarizado com o serviço de “homebanking” do seu banco então deverá olhar para as ofertas de depósitos disponíveis para subscrição apenas pela internet. Uma análise recente do Saldo Positivo mostra que os depósitos online têm taxas de juro mais elevadas do que as oferecidas pelos depósitos tradicionais, subscritos aos balcões. Saiba mais aqui.

 4. Aproveite as campanhas: Com alguma frequência os bancos fazem campanhas promocionais onde comercializam depósitos a prazo com taxas mais atrativas para angariar novos clientes ou para clientes que reforcem os montantes nas instituições.

Dinheiro aplicado pelas famílias em depósitos equivale a 75% do PIB Português

Não há um produto financeiro que tenha um grau de popularidade tão elevado como os depósitos a prazo. De acordo com as recentes estatísticas do Banco de Portugal, as famílias portuguesas têm mais de 129 mil milhões de euros investidos nestas tradicionais aplicações financeiras. Um valor que equivale a 76% do produto interno bruto português. O medo que a crise originou acabou por impulsionar o interesse dos investidores pelos depósitos. Mas o apetite não foi apenas demonstrado pelos clientes bancários. Com o acesso negado ao mercado interbancário, os bancos apostaram fortemente nos últimos anos na captação de depósitos como uma das suas principais fontes de liquidez. Esta necessidade resultou numa escalada dos juros oferecidos nestas aplicações, com alguns depósitos a superarem os 6% de taxa de juro anual.

No entanto, as taxas que estavam a ser praticadas eram anormalmente elevadas e obrigaram mesmo o Banco de Portugal a intervir há um ano atrás, impondo tetos nos juros oferecidos pelas instituições e penalizações às instituições que ultrapassassem esses limites. O receio do regulador era de que a guerra pelos depósitos e a crescente escalada da remuneração oferecida nestas aplicações levasse as instituições bancárias a assumirem demasiados riscos. Desde que entraram em vigor as regras do Banco de Portugal (em Novembro do ano passado) as taxas médias dos novos depósitos a prazo caíram dos 4,53% para os 2,68%- dados relativos a Outubro de 2012.

 

 

fonte:http://www.saldopositivo.cgd.pt/ 

publicado por adm às 23:56 | comentar | favorito