Novos depósitos das famílias caem para quase metade

As famílias estão a pôr menos dinheiro nos bancos a cada mês que passa. Em Setembro foram investidos 6,9 mil milhões de euros em depósitos, menos 45% do que em Janeiro. O montante total aplicado está também a diminuir. Uma evolução justificada pela menor capacidade para poupar.
As famílias estão a pôr menos dinheiro nos bancos a cada mês que passa. Em Setembro foram investidos 6,9 mil milhões de euros em depósitos, menos 45% do que em Janeiro. O montante total aplicado está também a diminuir. Uma evolução justificada pela menor capacidade para poupar.

Setembro foi o sexto mês consecutivo de quebra homóloga nos montantes depositados, de acordo com os dados disponibilizados pelo Banco de Portugal. E foi a descida mais pronunciada neste período, com uma variação negativa de 29% face a Agosto.

A menor captação de depósitos está a contribuir para a diminuição do saldo total. As famílias tinham 130,5 mil milhões de euros aplicados em Setembro, menos 893 milhões do que no mês anterior. Foi o segundo mês consecutivo em que os portugueses retiraram dinheiro das contas poupança. Em dois meses saíram 1,97 mil milhões, o que representa uma diminuição de 1,5% no saldo.

Se em cadeia a evolução é negativa, em termos homólogos continua a observar-se um crescimento do saldo, mas que é agora menor. O aumento em Setembro foi de 2,3%, o que compara com o ritmo de 9% observado nos primeiros meses do ano.

"Existe uma maior dificuldade em constituir poupança por parte das famílias, que resulta da conjuntura mais restritiva em termos de emprego e de rendimento", explica Paula Carvalho, economista do BPI. "Apesar de a incerteza conduzir a uma maior propensão para poupar, a capacidade para o fazer é decrescente", assinala. 

Esta menor capacidade, verificada nos últimos meses, não aparece espelhada nos dados do INE. A taxa de poupança das famílias no final de Junho era de 10,9%, o que corresponde ao nível mais alto desde 2003.

Depósitos pagam cada vez menos

Não é só a capacidade para poupar que é menor. A remuneração dos depósitos também tem vindo a baixar. A taxa média aplicada nas contas dos particulares com prazo até um ano foi de 2,6% em Setembro. É a taxa mais baixa desde Dezembro de 2010. Recorde-se que o pico na remuneração foi atingido em Outubro do ano passado, quando a banca pagou 4,57%.

Paula Carvalho desvaloriza o papel da menor remuneração na evolução da captação de depósitos. "Na actual conjuntura penso que esse factor pese menos na altura de aforrar. Equacionando o risco e as alternativas, os depósitos continuam a oferecer uma boa rentabilidade", considera.

Melhores depósitos pagam até 4%

Ainda que a média tenha baixado, ainda é possível encontrar produtos com taxas entre 3,75% e 4% nos diversos prazos, segundo uma recolha efectuada pelo Negócios. Os depósitos passaram a partir de Setembro a ter concorrência acrescida dos certificados de aforro, depois do Governo ter melhorado os juros, que se situam acima dos 3% nas séries "B" e "C". "Os certificados de aforro são agora um produto mais concorrencial com os depósitos", reconhece a economista do BPI.

(Notícia publicada inicialmente a 5 de Novembro, quando foram divulgadas as estatísticas pelo Banco de Portugal)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=591689

publicado por adm às 21:42 | comentar | favorito