Certificados de Aforro ganham nova vida em 2013

Em Setembro, o Governo aumentou a remuneração destes títulos, para valores superiores a 3%.

O mais antigo produto de aforro do Estado voltou a entrar na corrida pelas poupanças dos portugueses. Numa manobra de reanimação por parte do Governo, um dos mais icónicos produtos de aforro dos portugueses passou a pagar, desde Setembro, uma taxa de juro bruta superior a 3%. Uma remuneração que fica acima da maioria dos depósitos a prazo comercializados actualmente pelas instituições bancárias, os concorrentes mais directos dos Certificados de Aforro.

Depois de uma fuga de capitais que durou 41 meses consecutivos, a instituição que gere o crédito público decidiu finalmente agir aumentando a remuneração associada aos Certificados de Aforro. O IGCP introduziu assim um prémio de 2,75% (275 pontos base) para os certificados da série C, a única actualmente em comercialização, para vigorar até final de 2016. Um prémio que coloca os juros brutos deste produto em 3,17%, para as novas subscrições em Novembro, o que compara com os 0,42% que estes certificados pagariam mediante as regras antigas.

E se no primeiro mês em que a medida vigorou não foi suficiente para voltar a captar investimento líquido, pelo menos convenceu muitos investidores a não resgatarem os seus certificados. Em Setembro o Estado perdeu "apenas" 38 milhões de euros com este produto, quando desde Julho de 2010 registava saídas líquidas mensais superiores a 100 milhões de euros.

Os certificados da série C não foram os únicos beneficiados com esta medida. O IGCP aumentou também a remuneração associada aos produtos da série B, concedendo-lhes um prémio adicional de 100 pontos base. Embora já não se encontre em comercialização, esta série representa 94% do total investido em certificados - a série C representa apenas 1,59% - o que significa que era urgente estancar a fuga de capitais desta série. Ainda mais porque, dos 9,7 mil milhões de euros que continuam investidos neste produto, quase 4,2 mil milhões correspondem a juros a serem pagos pelo Estado aos aforradores no momento do resgate. Juros que estão concentrados, quase na totalidade, nesta série B. Trata-se de dinheiro do qual o país não dispõe, o que obrigaria Portugal a aumentar o nível de financiamento por outras vias, nomeadamente nos mercados de dívida de curto-prazo.

O início da fuga dos Certificados de Aforro começou com a comercialização da série C e com a revisão da série B, no início de 2008. Na altura o Governo alterou a fórmula de cálculo de juros deste produto, baixando abruptamente a sua remuneração. Desde então, mais de 230.000 subscritores abandonaram este produto, resgatando quase 8,5 mil milhões de euros. Uma conjuntura que foi ainda agravada nos últimos anos, dada a necessidade de muitas famílias recorrerem a poupanças, mas principalmente devido à concorrência dos depósitos a prazo até meados deste ano.

Com a introdução dos prémios de remuneração, o Governo não antecipa entradas de capital significativas em 2013, mas também já não prevê resgates líquidos na ordem dos dois mil milhões de euros anuais como até então. De acordo com o Orçamento do Estado, o Governo prevê captar 141 milhões de euros com este produto em 2013.

Trabalho publicado na edição de 31 de Outubro de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 22:34 | comentar | favorito