8 bancos pagam mais de 1% nos depósitos. Nenhum bate a inflação que aí vem

O depósito a prazo mais generoso na banca portuguesa tem uma taxa anual líquida de 1,84%. Lidera a lista dos 15 depósitos que rendem mais de 1%. Todavia, nenhum bate a inflação que se espera em 2018.

Não é de estranhar que os bancos estejam a pagar tão pouco nos seus depósitos a prazo: um pouco por todo o mundo, as taxas de juro estão em mínimos, desde as Euribor negativas até às obrigações dos tesouros de nações como a Alemanha, Suíça e Japão, que, para prazos até cinco anos, apresentam rendimentos negativos para quem as mantiver até à maturidade.

Por cá, as taxas anuais líquidas mais elevadas nos cinco maiores bancos — Banco BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco e Santander Totta — são, em média, de 0,17% em aplicações até um ano. Os portugueses têm 93 mil milhões de euros em depósitos a prazo, o mínimo desde junho de 2011, mostram as últimas estatísticas oficiais.

 

Há, no entanto, oito bancos que propõem depósitos a prazo com taxas anuais líquidas superiores a 1%. Porém, embora sejam níveis elevados para os padrões de hoje, serão insuficientes para garantir a manutenção do poder de compra da poupança. Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos principais organismos internacionais com as previsões mais recentes, calcula que a inflação no consumidor suba de 1,6% em 2017 para 2% em 2018. Nos próximos cinco anos, a inflação deverá escalar até 2,4%, segundo o FMI.

Mesmo as previsões mais conservadoras para a inflação — 1,4% em 2018 do Banco de Portugal e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico — batem o rendimento proposto por todos os depósitos disponíveis em Portugal, excluindo os seis mais generosos.

A maioria dos depósitos com as taxas mais altas do mercado são promocionais, porque servem como veículo para atrair novos clientes ou novos capitais para as instituições financeiras. Não é possível, portanto, repeti-los. As únicas exceções são as aplicações no Banco BNI Europa e o depósito Especial a 24 meses do BAI Europa.

Depósitos generosos são quase todos promocionais
Estes são os únicos depósitos a prazo em Portugal que têm uma remuneração anual líquida de impostos superior a 1%. Apenas as soluções do BNI Europa e do BAI Europa não são promocionais.
Banco Depósito Taxa anual efetiva líquida Prazo Mínimo Máximo Mobilização antecipada Outras condições
Atlântico Europa Boas Vindas Atlântico Europa 1,84% 92 dias 500€ 75.000€ Não permite. Exclusivo para novos clientes.
Best Novos Clientes 2,25% 1,65% 90 dias 2.500€ 50.000€ Não permite. Exclusivo para novos clientes.
Banco Carregosa Banco Carregosa Bem-vindo 1,47% 3 meses 5.000€ 50.000€ Permite com penalização de 80% dos juros. Exclusivo para novos clientes.
BiG Super Depósito 3 Meses 1,47% 3 meses 500€ 50.000€ Permite sem penalização dos juros. Exclusivo para novos clientes.
Deutsche Bank db Twin 1,47% 180 dias 1.000€ 50.000€ Permite com penalização total dos juros. Exclusivo para novos clientes que contratem crédito à habitação ou produto financeiro.
BNI Europa BNI Europa 5 Anos 1,43% 1.825 dias 1.000€   Não permite.  
BNI Europa BNI Europa 4 Anos 1,39% 1.460 dias 1.000€   Não permite.  
BNI Europa BNI Europa 36 Meses 1,38% 1.095 dias 1.000€   Não permite.  
BNI Europa BNI Europa 24 Meses 1,31% 730 dias 1.000€   Não permite.  
Banco Invest Invest Choice Novos Depósitos 1,28% 92, 183 ou 365 dias 2.000€ 75.000€ Permite com penalização de 50% dos juros. Exclusivo para novos montantes depositados.
BNI Europa BNI Europa 5 Anos 1,15% 1.825 dias 1.000€   Permite com penalização de 50% dos juros.  
BNI Europa BNI Europa 4 Anos 1,11% 1.460 dias 1.000€   Permite com penalização de 50% dos juros.  
BNI Europa BNI Europa 36 Meses 1,09% 1.095 dias 1.000€   Permite com penalização total dos juros.  
BAI Europa Especial 1,02% 24 meses 2.500€ 500.000€ Permite com penalização total dos juros.  
BNI Europa BNI Europa 24 Meses 1,02% 730 dias 1.000€   Permite com penalização total dos juros.  

Fonte: bancos a 2 de outubro de 2017. Assume uma taxa de retenção na fonte de 28% sobre os juros.

 

 

fonte:http://observador.pt/2

publicado por adm às 19:15 | comentar | favorito