Saiba como conseguir os depósitos mais rentáveis

Numa altura em que sobem os impostos e os bancos pagam cada vez menos pelos depósitos, garantir o melhor retorno é uma missão que exige cuidados redobrados.

Os números não deixam margem para dúvidas. Um dos produtos de poupança mais queridos dos portugueses está a perder gradualmente o seu brilho. Segundo os últimos dados do Banco de Portugal, em Agosto, a taxa de juro média dos novos depósitos situou-se nos 2,93%. Trata-se do nível de juros mais baixo desde Fevereiro de 2011. Nessa altura, a remuneração média era de 4%. Na prática, um depósito de 20 mil euros subscrito em Agosto de 2011, renderia ao fim de 12 meses 800 euros. A mesma aplicação efectuada em Agosto deste ano, já renderia apenas 583 euros. Mas a expectativa é de que os juros continuem a baixar. Apesar disso, ainda é possível encontrar algumas aplicações com remunerações atractivas. Para as encontrar é necessário aos aforradores um maior exercício de busca e a adopção de algumas estratégias que lhes permitam tirar partido das tendências do mercado.

A gradual perda de atractividade dos depósitos a prazo é consequência sobretudo de três factores. Um deles é a redução dos juros de referência- as taxas Euribor- que se encontram em níveis historicamente baixos. Outro, é o facto de os bancos não se sentirem tão pressionados para captar depósitos já que estão próximos de atingir as metas para os respectivos rácios de crédito/depósitos . A estes acresce ainda um outro factor importante, a imposição - pelo Banco de Portugal - a partir de Novembro de 2011 de penalizações aos bancos que pratiquem taxas de juro acima de um determinado patamar. Uma medida que acabou por limitar a oferta dos bancos.

É expectável que a remuneração dos depósitos se continue a degradar. "É natural que durante os próximos meses essa descida se mantenha, até porque se antevê que as Euribor continuem a descer, sendo que os bancos costumam acompanhar essa tendência", refere António Ribeiro, economista da Deco. A agravar ainda mais a situação, os portugueses passarão a ter de contar no próximo ano com mais uma penalização na remuneração das suas aplicações a prazo, já que a taxa liberatória de tributação para os depósitos a prazo passará para 26,5%, em vez dos actuais 25%.

Contudo, tal não significa que todos os depósitos a prazo tenham deixado de ser atractivos. António Ribeiro alerta para isso mesmo. "Nos depósitos a um ano, por exemplo, as remunerações líquidas vão desde os 0,1% aos 4%. Isto significa que é possível encontrar algumas alternativas que compensam, por isso aconselhamos as pessoas a fazerem muita pesquisa e comparar as taxas oferecidas", frisa, recomendando para tal a utilização dos simuladores da Deco. Ao analisar o ‘ranking' de depósitos realizado pela associação de consumidores, bem como os sites de 18 bancos, o Diário Económico constatou isso mesmo. Para o prazo de um ano, por exemplo, foram identificadas 15 aplicações a oferecer juros brutos acima de 3,75% (2,81%, em termos líquidos), sendo que o melhor depósito chega a render em termos líquidos acima de 4%.

O Diário Económico identificou cinco estratégias diferentes que poderão ajudá-lo na missão de encontrar os depósitos a prazo mais atractivos do mercado. Uma das mais populares passa por aproveitar as taxas de juro promocionais que os bancos oferecem aos novos clientes do banco ou aos novos recursos . Outra técnica poderá passar pela subscrição de depósitos pela internet, uma vez que geralmente rendem mais do que os tradicionais depósitos feitos ao balcão. Por outro lado, se fizer um depósito a prazo investindo um elevado montante terá maiores probabilidades de conseguir junto do seu banco um juro mais elevado. Segundo António Ribeiro, a opção por aplicações com prazos mais alargados também é uma forma de contornar a expectativa da descida dos juros dos depósitos a prazo. "A quem dispõe de capital que não precisa no curto prazo, aquilo que na Deco recomendamos é colocá-lo em depósitos a três anos. Assim pelo menos nesse prazo, a taxa está garantida", salienta este responsável.

Trabalho publicado na edição de 12 de Outubro de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 08:25 | comentar | favorito