Saiba como fazer crescer as suas poupanças

O Diário Económico fez algumas simulações que o podem ajudar a delinear uma estratégia de poupança mais sustentada.

Não existe uma receita infalível para conseguir "fermentar" as poupanças, sobretudo em períodos económicos conturbados como o actual. As famílias vivem com orçamentos cada vez mais apertados e muitas nem conseguem esticar o dinheiro até ao final do mês. Algumas acabam por ter de recorrer às suas poupanças para fazer face a um imprevisto ou às simples despesas do dia-a-dia. É precisamente por causa de situações como estas que há muito tempo os especialistas em finanças pessoais recomendam os portugueses a recuperar os hábitos de poupança nem que estejam em causa quantias muito pequenas. A própria sabedoria popular aconselha-o: "Poupa nos tostões, terás milhões".

"Poupar é cada vez mais uma actividade fulcral para quem se preocupa com o seu futuro. Tentar garantir um ‘pé-de-meia' confortável significa tentar assegurar um nível de liquidez que satisfaça as suas necessidades financeiras num momento específico, que não tem necessariamente de se cingir ao período de reforma de cada investidor", salienta Rui Broega, director da gestão de activos do banco BiG. Para além do exemplo da reforma, pode estar em causa amealhar dinheiro para fazer uma viagem, estudar, comprar uma casa ou simplesmente para fazer face a imprevistos. Mas o exercício de poupança não deve ser limitado à reserva de uma parte do rendimento auferido. Tal como explica Rui Broega, "poupar pressupõe uma relação de três factores: dinheiro, tempo, objectivo. Os três têm de estar em constante sintonia para que o resultado final seja próximo do desejado", acrescentando que "como poupamos pode ser tão importante como quanto poupamos".

O Diário Económico recorreu a algumas simulações no portal de literacia financeira "Todos Contam" para ilustrar isso mesmo. Foi estabelecido um objectivo final de poupança de 50 mil euros, um montante de aplicação inicial de 1.000 euros e reforços mensais periódicos de 75 euros. Depois foi simulado o tempo que seria necessário esperar para atingir o objectivo, consoante o dinheiro fosse aplicado em produtos com diferentes níveis de retornos (0,5%, 3% e 6%).

No primeiro cenário (0,5%), que equivaleria a colocar simplesmente o dinheiro numa conta à ordem ou numa conta poupança, seria necessário esperar 49 anos até atingir o objectivo traçado. No segundo cenário (3%) que corresponderia a aplicar o dinheiro num depósito a prazo, o tempo de espera seria de 35 anos. No último cenário (6%), que poderia equivaler ao investimento em acções ou em obrigações teríamos de esperar apenas 27 anos para conseguir atingir o mesmo objectivo. Ou seja, entre deixar o dinheiro praticamente "parado" numa conta bancária ou aplicá-lo num produto com uma remuneração de 6%, distam mais de 20 anos para alcançar o mesmo objectivo. Uma prova de que menos tempo pode ser sinónimo de mais dinheiro.


Três formas de amealhar 50 mil euros

Remuneração de 0,5%
Quem conseguiu amealhar algum dinheiro, o pior que pode fazer é deixá-lo "parado" na conta bancária. Apesar do esforço de poupança mensal só ao fim de 49 anos é possível alcançar o objectivo inicialmente traçado. Para tal será necessário poupar 75 euros por mês ao longo deste período. E os juros acumulados por esta poupança render-lhe-ão apenas 4.515 euros.

49 anos
Tempo necessário para atingir uma poupança de 50 mil euros através de produtos remunerados a 0,5%.

Remuneração de 3%
Quem for ao banco consegue com relativa facilidade aplicar o dinheiro em depósitos a prazo remunerados a 3%. Outra opção, são os certificados de aforro que estão a oferecer uma taxa de 3,204%. Apesar de assim conseguir "fermentar" as suas poupanças mais cedo, o mais provável é que a inflação acabe por "comer" o retorno acumulado. Neste cenário, e para atingir o objectivo final, será necessário fazer poupanças regulares no total de 31.650 euros, sendo que os restantes 17.362 euros referem-se a juros.

35 anos
Tempo necessário para atingir uma poupança de 50 mil euros através de produtos remunerados a 3%. Para tal, terá de poupar 75 euros por mês.

Remuneração de 6%
A aposta em produtos remunerados com este nível de taxas pode encurtar para metade o tempo de espera até atingir o objectivo de poupança de 50 mil euros. Neste caso, bastarão 27 anos. Para tal, terá de efectuar poupanças regulares de 75 euros por mês (no total, 24.300 euros), sendo que os restantes 24.729 euros referem-se a juros acumulados neste período. No longo prazo, este nível de remunerações pode ser alcançado através do investimento em acções, obrigações ou fundos de investimento.

27 anos
Tempo necessário para atingir uma poupança de 50 mil euros através de produtos remunerados a 6%.

Trabalho publicado na edição de 4 de Outubro de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 23:41 | comentar | favorito