Conheça as melhores alternativas aos depósitos a prazo

As remunerações dos depósitos a prazo têm vindo a cair ao longo dos últimos meses e já não são tão atractivas face ao ano passado.

O último ano pode equiparar-se ao "El Dorado" para os adeptos dos depósitos a prazo. A escalada das remunerações que chegaram a atingir os 7% em alguns casos, levou a que os aforradores portugueses se rendessem a este tipo de aplicações. Mesmo num ano de crise económica, os bancos conseguiram angariar em 2011 o segundo valor mais elevado de sempre em novos depósitos a prazo: perto de 117 mil milhões de euros, segundo dados do Banco de Portugal. Contudo, a realidade actual é bastante diferente. Há vários meses que a remuneração dos depósitos a prazo vem a cair. Em Julho, a média das taxas de juro das novas aplicações a prazo foi de 3,16%, consideravelmente abaixo dos 4,53% que se verificava em Outubro do ano passado, altura em que estas bateram máximos. Perante essa evolução, há uma pergunta que se impõe colocar: Face à recente quebra nas remunerações dos depósitos a prazo, terá terminado o reinado dos depósitos a prazo e será a altura dos aforradores portugueses focarem as suas atenções noutro tipo de aplicações? Os números e as opiniões dos especialistas mostram que o investimento em depósitos continua a fazer sentido, mas a concorrência de aplicações com retornos atractivos é cada vez maior.

"Assistimos nos últimos meses a uma diminuição da remuneração deste tipo de activos, o que é essencialmente explicado pelas regras impostas às instituições financeiras pelo Banco de Portugal desde o final do ano passado", lembra Diogo Serras Lopes, Director de investimentos do Banco Best para justificar a recente quebra na remuneração dos depósitos a prazo. Recorde-se que ao longo de 2011, as instituições financeiras, sem meios para obter financiamento no mercado e perante a necessidade de baixar os respectivos rácios de créditos/depósitos para 120% até ao final de 2014, centraram as atenções na captação de recursos junto dos seus clientes. Apostaram no lançamento de aplicações a prazo com taxas elevadas, sendo que estas chegaram a ultrapassar os 4%, 5% e em alguns casos atingiram os 7%. O receio de que esta "explosão" nas remunerações dos depósitos pudesse resultar num risco para as instituições financeiras, levou o Banco de Portugal a definir tectos para os juros oferecidos a partir de Novembro de 2011 e penalizações às instituições que ultrapassassem esses limites. Isto acabou por obrigar os bancos a recuar na "guerra pelos depósitos".

Hoje em dia, quem for ao banco para subscrever um depósito a prazo na melhor das hipóteses consegue uma taxa de juro bruta de 5,45%. E as expectativas apontam para que as remunerações dos depósitos a prazo continuem a baixar. Em parte como consequência da redução dos juros de referência, mas também por que os bancos não se sentem tão pressionados para captar depósitos já que estão próximos de atingir as metas para os respectivos rácios de créditos/depósitos. "Nesse sentido, outras alternativas tornaram-se relativamente mais interessantes, nomeadamente obrigações de curto prazo, fundos de investimento que possam investir neste tipo de activos (fundos de tesouraria e mercado monetário) e seguros de capitalização", defende o responsável do Banco Best. Para um perfil conservador onde predominam activos de baixo risco, o especialista do Best elege ainda as obrigações de elevada qualidade creditícia, governamentais ou de empresas, para incluir na carteira.

A perda de atractividade das remunerações dos depósitos a prazo coincide com o surgimento de novas alternativas de investimento e a melhoria das condições oferecidas por produtos existentes destinadas aos pequenos aforradores. Um dos casos de maior relevo são as obrigações para o retalho emitidas por empresas nacionais e que estão a captar bastante interesse por parte dos aforradores portugueses. Desde o final do ano passado milhares de investidores particulares já apostaram em obrigações de empresas portuguesas, que acenam com taxas de juro anuais brutas atractivas (entre os 6% e os 7%). EDP, Semapa, Zon, Brisa, Sonae e a PT são algumas das empresas que já realizaram emissões de dívida especialmente dirigidas para o mercado de retalho. Até 18 de Setembro é possível subscrever títulos de dívida emitidos pela REN, sendo que a empresa liderada por Rui Cartaxo está a oferecer juros brutos de 6,25%. Mas, é necessário ter em consideração que dificilmente será possível conseguir uma remuneração deste ordem. Os custos associados a este tipo de produto podem mesmo tronar negativa a remuneração oferecida.

Também os certificados de aforro podem regressar "à moda". Depois da perda de atractividade e de aforradores verificada ao longo dos últimos anos, o Estado alterou as características deste produto de forma a torná-lo mais apelativo para os investidores. Desde o início de Setembro, os certificados de aforro beneficiam de um prémio fixo de 2,75%, em vez de se aplicar os prémios crescentes a partir do segundo ano e que atingiam no máximo 2,5% no décimo ano. Tendo em conta esta alteração, a remuneração oferecida pelo produto do Estado passou a suplantar a da maioria dos depósitos a prazo disponíveis no mercado. Quem em Setembro subscrever certificados de aforro terá uma taxa de juro bruta de 3,268%.

Contudo, isto não significa que os depósitos a prazo devam deixar de integrar as poupanças dos portugueses. Segundo Diogo Serras Lopes, "o investimento não deve ser visto como uma única alocação mais vantajosa sobre as outras. Os depósitos a prazo, na componente de investimento de baixo risco, devem fazer parte de uma alocação mais global que considere outras classes de activos".


Alternativas aos depósitos a prazo

Certificados de Aforro
Após meses e meses a perder dinheiro, as recentes alterações nos certificados de aforro pode fazê-los rivalizar com a maioria dos depósitos a prazo. Até ao final de 2016, este produto beneficia de um prémio fixo de 2,75%, em vez de se aplicar os prémios crescentes a partir do segundo ano e que atingiam no máximo 2,5% no décimo ano. Na prática, isto significa que quem subscrever certificados de aforro em Setembro beneficiará de uma remuneração bruta de 3,268%. O mínimo de subscrição são 100 euros, sendo os juros pagos trimestralmente, o que é uma vantagem face à maioria dos depósitos com remunerações mais elevadas cujos juros são pagos em prazos mais dilatados.

Obrigações de empresas
Apesar do seu risco ser mais elevado face a um vulgar depósito (risco de crédito e de liquidez), as obrigações de empresas prometem retornos vantajosos. Actualmente, a REN é a única empresa nacional a disponibilizar este tipo de produto, sendo oferecida uma taxa de juro bruta até 6,25%. Esta taxa é bastante mais atractiva face à maioria dos depósitos. Contudo, é necessário ter em conta que os custos associados podem "comer" grande parte do retorno. Nomeadamente, as comissões de subscrição, juros, guarda de títulos, etc. A Deco considera que apenas compensa subscrever obrigações da REN para montantes a partir de 2.500 euros.

Fundos de Tesouraria
Os fundos de tesouraria são, tradicionalmente, uma das principais alternativas aos depósitos a prazo, o que se aplica no contexto actual. São fundos de baixo risco, abertos, que fazem essencialmente aplicações em instrumentos financeiros de curto prazo, como papel comercial, depósitos no mercado monetário interbancário, bilhetes do tesouro, etc. Segundo dados da APFIPP, nos últimos 12 meses a rentabilidade anualizada da categoria de fundos de Tesouraria Euro foi de 3,64%, em média, mas chegou a atingir os 5,98% no caso do fundo Banif Euro Tesouraria (classe de risco 1).

Fundos PPR
Mesmo tendo perdido grande parte do brilho após a perda dos benefícios fiscais, os PPR sob a forma de fundo de investimento apresentam um retorno bastante atractivo sobretudo nos últimos 12 meses. Segundo dados da APFIPP, nesse período seis fundos com essas características apresentaram uma rendibilidade anualizada superior a 10%. Para períodos mais dilatados, são sete os que rendem mais de 3% a três anos. Apesar de o risco associado a este tipo de poderão ser uma alternativa aos depósitos a prazo. É possível optar por produtos com diferentes níveis de risco, tendo em conta a sua exposição ao investimento em acções.

Trabalho publicado na edição de 14 de Setembro de 2012 do Diário Económico

publicado por adm às 08:24 | comentar | favorito