Saiba por que os certificados de aforro são outra vez mais atractivos que depósitos

Conheça as razões pelas quais a nova remuneração é superior à da maioria dos depósitos a prazo.

Os Certificados de Aforro voltam à corrida pelas poupanças dos portugueses. Numa manobra de reanimação por parte do Governo, um dos mais icónicos produtos de aforro dos portugueses passam a pagar, já a partir de hoje, uma taxa de juro bruta de 3,268%. Uma remuneração que fica acima da maioria dos depósitos a prazo comercializados actualmente pelas instituições bancárias, os concorrentes mais directos dos Certificados de Aforro (CA).

E não são apenas os certificados da série C, actualmente disponíveis para subscrição, que vão beneficiar deste aumento. Também os certificados da série B, pressionados pela fuga dos investidores, passam a pagar mais 100 pontos base, ou seja, 3,2808% em Setembro. Embora o mercado continue a oferecer depósitos a prazo com taxas superiores, uma análise mais alargada confirma a nova atractividade dos CA.

A larga maioria dos depósitos com taxas superiores obrigam a um mínimo de subscrição de 2.000 euros, chegando em alguns casos aos 10.000 euros, e até 50.000. Montantes inacessíveis para a maioria dos portugueses, já que de acordo com o último relatório do Fundo de Garantia de Depósitos, 83,2% dos depositantes têm aplicações inferiores a 10.000 euros. Os CA permitem um mínimo de subscrição de 100 euros. Além disso, grande parte dos depósitos com remunerações elevadas não permitem a mobilização antecipada do capital, ou quando possível, acarretam perda total ou parcial de juros. Os CA pagam juros trimestralmente, pelo que em caso de mobilização antecipada, a perda máxima corresponderá a três meses de juros.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, a taxa média praticada nos novos depósitos a prazo em Junho fixou-se em 3%, para aplicações até um ano, e 3,13% para a totalidade das maturidades. Ambas abaixo da nova taxa oferecida pelos CA. Embora a remuneração deste produto permaneça indexada à taxa Euribor a três meses - actualmente em mínimos históricos - os CA passam a beneficiar de um prémio fixo de 2,75%, em vez de prémios crescentes a partir do segundo ano, que atingiam o máximo de 2,5% no décimo ano. Estas condições estarão em vigor até 31 de Dezembro de 2016, data após a qual serão retomadas as condições originais, e têm um limite de remuneração máxima de 5%.

Na quinta-feira o ministério das Finanças avançava que "as atuais condições de remuneração dos certificados de aforro das séries B e C, face às alternativas de aplicação de poupanças" se encontravam desadequadas, o que tem conduzido a "uma redução significativa do montante de certificados da série B, fechada desde 2008, e a uma muito reduzida captação de novas poupanças para a série C, actualmente em vigor". Ou seja, o ministério nota que: "O aumento da poupança das famílias não se tem reflectido num aumento de procura dos certificados de aforro, nem mesmo na retenção de poupanças de longo prazo, tradicionalmente estáveis". No mesmo comunicado o ministério decretou a suspensão imediata da subscrição dos Certificados do Tesouro, lançados em 2010. E adiantou que se "encontra a estudar a criação de novos produtos de poupança a colocar à subscrição oportunamente".

Certificados pesam apenas 6% no financiamento do Estado
Os aforradores portugueses contribuem apenas para 6% do financiamento do Estado, tendo em conta o saldo existente nos dois instrumentos destinados aos investidores de retalho: os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro. O peso dos pequenos investidores tem vindo a diminuir nos últimos anos. No final de 2003 os aforradores nacionais detinham quase 20% da dívida do Estado e, em 2005, o peso dos CA no total da dívida pública era de 16%.

A dívida directa do Estado situa-se em 188,3 mil milhões de euros, sendo que os investidores de retalho detêm apenas 11,3 mil milhões de euros desse valor. Desde o início do ano tem-se registado uma fuga dos portugueses dos instrumentos de financiamento do Estado. Os resgates líquidos de Certificados de Aforro foram de 1,44 mil milhões de euros, enquanto os Certificados do Tesouro atraíram apenas 90 milhões de euro. Conjugados os dois produtos, o Estado contava com resgates líquidos de 900 milhões de euros em 2012, número que já foi largamente ultrapassado apenas nos primeiros sete meses do ano. A saída de investidores acima do previsto poderá obrigar oEstado a ter de fazer mais leilões de Bilhetes do Tesouro que o previsto, segundo os peritos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 10:17 | comentar | favorito