PPR «emagrecem» 22%: dinheiro foge para depósitos

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) divulgou esta quinta-feira os resultados do primeiro semestre, das empresas que operam em Portugal, que tiveram resultados positivos, superiores em 19% ao alcançado no mesmo período do ano passado, apesar da transferência da poupança para outros setores, sobretudo para produtos bancários.

O destaque, neste caso, vai para os PPR (Planos Poupança Reforma), que caíram 22,1%, com os clientes a preferirem as taxas de rendibilidade dos depósitos a prazo, por exemplo.

Já o ramo Não Vida teve uma quebra mais moderada, de 4%, fruto da redução da atividade económica e das dificuldades das famílias e empresas, segundo a associação. A produção nos acidentes de trabalho caiu 10,3% e no automóvel 4,6 por cento. Estável manteve-se a produção nos seguros de doença.

Qual é a melhor maneira de poupar?

A APS defende que os PPR são a melhor forma de poupar para a reforma, argumentando com um estudo que demonstra a melhor rentabilidade destes produtos, apesar da descida verificada na subscrição. 

Se nos centrarmos apenas no ano de 2011, com forte instabilidade nos mercados, poucos produtos remuneraram os investidores a taxas superiores à inflação, com destaque para os produtos com rentabilidade garantida. 

Os novos depósitos a prazo foram os que mais remuneraram os seus clientes (3,6%), seguidos dos PPR não ligados a fundos de investimento (3,2%).

Mas se a análise sobre a rentabilidade incidir sobre um período de três anos, neste caso de 2009 a 2011, verificamos que osPPR são os quartos produtos com maior rentabilidade(3,3%).

E, a cinco anos, (entre 2007 e 2011), os PPR são os produtos mais bem remunerados, (3,4%).

O presidente da APS, Seixas Vale, faz notar que o estudo demonstra que os PPR tradicionais são dos melhores produtos para poupar a longo prazo. 

E isso acontece sobretudo se o objetivo for aforrar capital para a reforma. É que mesmo em contextos de instabilidade dos mercados, estes produtos mantêm a rentabilidade e, geralmente, acima da taxa de inflação.

«Não quer dizer que as pessoas não possam fazer investimentos arriscados, mas sobretudo quando poupam para a reforma é preciso ter cuidados especiais na gestão dessas poupanças».

O responsável disse ainda que a preocupação da APS é evitar que, quando chegam ao momento de levantar o dinheiro, os aforradores sejam surpreendidos com uma desvalorização do capital investido.

Sobre se deveriam retomados os benefícios fiscais que foram retirados aos PPR, Seixas Vale entende que «nos primeiros cinco a dez anos do surgimento dos PPR [fim dos anos 80] as benesses fiscais tiveram importância, nos últimos anos é a maior orientação para a reforma, os benefícios fiscais passaram a ter uma importância relativa menor».

Quanto à solvência das seguradoras, a APS garante que esta está assegurada, com o rácio de solvência a subir para 224 por cento no final do primeiro semestre, mais do dobro do exigidos pelos supervisores e com os capitais próprios das seguradoras a fixarem-se em 4,4 mil milhões de euros. 

Foi ainda revelado que metade da dívida que as seguradoras detêm é nacional. 

Sobre a privatização da Caixa Seguros, o presidente da APS disse que espera que o Estado «faça bem» a venda da área seguradora do banco público. O acordo com a troika prevê a alienação até ao fim do ano.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:11 | comentar | favorito